CAPÍTULO 40

857 Words
Lara Verdades sombrias, Laços que se fortalecem, E uma descoberta que muda tudo. A noite caía pesada sobre o porto, cobrindo tudo com um véu espesso de névoa salgada. O cheiro de ferrugem misturado à maresia grudava na pele, e o som das ondas quebrando contra o concreto ecoava como um aviso. Eu seguia ao lado de Dante, passos sincronizados, meu coração batendo forte não de medo, mas de antecipação. Porque algo estava prestes a acontecer. E eu sentia que nada seria igual depois disso. A equipe se dispersou pelas laterais, estabelecendo perímetros. Dante me guiava com a mão baixa nas minhas costas, um gesto discreto, mas cheio de proteção. Eu sabia que ele estava dividido, entre destruir quem o traiu e me manter segura. E mesmo assim, ele me deixava lutar ao lado dele. Isso significava mais do que ele imaginava. — É aqui — Soraya disse pelo rádio, quando Chegamos ao Galpão 14. — Movimento interno detectado. Dante assentiu e me olhou. — Se algo der errado, você. — Nem começa — cortei. — Eu fico com você. Ele respirou fundo, um músculo da mandíbula tremendo. Então, finalmente, cedeu. — Então vem perto. Muito perto. — Dante. — Sem discussões. Senti minhas bochechas aquecerem. Ele sabia exatamente o efeito que tinha. Avançamos até a porta lateral do galpão. Dante a abriu silenciosamente. Dentro, as luzes eram fracas, tremeluzentes, projetando sombras longas e distorcidas. E ali, no centro do espaço enorme, havia um contêiner aberto. E nele, caixas marcadas com o selo da Cardoso Holdings. Meu coração parou por um segundo. — Isso é da minha família — murmurei, me aproximando. — Essas caixas foram dadas como perdidas depois do incêndio. Dante ficou ao meu lado, observando tudo com olhos analíticos. — Esse material não está perdido, Lara. Está sendo usado. — Para quê? — É o que vamos descobrir. Matteo se aproximou, abrindo uma das caixas com cuidado. Dentro, havia pastas, contratos, documentos todos originais, não as versões adulteradas que meu tio sempre mostrava. — Isso aqui — Matteo murmurou — é um arquivo inteiro da sua família que deveria ter sido destruído. — E por que alguém salvaria isso? — perguntei. Soraya respondeu pelo rádio: — Porque essas caixas provam algo que ninguém deveria saber. Meu coração começou a acelerar. — Provar o quê? — minha voz quase falhou. Dante se aproximou, tocando meu ombro. — Lara respira. — Eu estou respirando — respondi, mesmo sabendo que era mentira. Matteo passou alguns documentos para mim. E logo na primeira folha, eu congelei. Era um documento de transferência. Assinado. Datado. Registrado. E dizia: “A posse das empresas Cardoso será transferida para LARA CARDOSO aos 22 anos de idade.” Eu senti o chão sumir. — Isso isso não está certo. Meu pai nunca ele não. — Lara — Dante segurou meu braço. — Continua. Eu virei a página. Havia uma segunda cláusula. Uma que gelou meu sangue. “Em caso de falecimento dos patriarcas, Lara Cardoso será a única herdeira legítima e integral do patrimônio da família.” Minhas mãos tremiam. — Eu não eu nunca soube disso. — Porque alguém não queria que você soubesse — Matteo disse. Eu olhei para Dante. E ele olhou de volta não com surpresa. Mas com raiva. Uma raiva silenciosa. Letal. Calculada. — Seu tio sumiu com esses documentos — murmurou ele. — E fez parecer que as empresas estavam falindo para justificar tomar o controle. — Então… — minha voz tremia. — ele mentiu sobre tudo. — Sim — Dante respondeu, aproximando-se mais. — E isso — ele tocou as caixas é a prova que destrói ele. Eu respirei fundo, lutando para não deixar as lágrimas caírem. — Lara — ele murmurou, chegando perto, muito perto. — você não perdeu sua família. Você foi roubada. — Dante. — E agora vamos pegar tudo de volta. O calor das palavras dele me envolveu. A firmeza. A promessa. Mas antes que eu pudesse responder, um som metálico ecoou do final do galpão. Dante imediatamente me puxou para trás dele, arma em punho. — Temos companhia — sussurou Soraya. — Movimento vindo do corredor oeste. O coração bateu no meu ouvido. Passos se aproximavam. Mais de um. Rápidos. Dante me empurrou suavemente para uma pilha de caixas. — Fica atrás de mim. — Eu posso lutar— Eu sei que pode. — Ele virou o rosto e me encarou, de olhos queimando. — Mas agora você é o alvo principal. Você é a herdeira. Você vale mais do que tudo isso junto. Senti meu coração quase parar. Ele se posicionou. E eu me preparei. A porta do fundo se abriu com violência. E quem entrou foi a última pessoa que eu imaginei ver. O sangue gelou nas minhas veias. — Não — sussurrei. — Não é possível. Dante olhou para mim rapidamente, tentando entender. E então ele viu também. O homem caminhou para dentro do galpão. A luz fraca iluminando seu rosto. Eu levei uma mão à boca. — Lara quem é esse? — Dante perguntou, tenso. Minha voz falhou antes de finalmente sair. — É o meu pai.
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