Lara
O ar dentro do armazém abandonado era pesado, carregado com cheiro de metal velho e óleo.
Eu sentia cada batida do meu coração como um tambor, ecoando em meus ouvidos, lembrando que estávamos no território inimigo, mesmo que temporariamente protegidos.
Dante estava ao meu lado, vigilante como sempre.
Seus olhos varriam cada sombra, cada canto, cada movimento suspeito. Mas havia algo mais naquela noite.
Ele não estava apenas protegendo.
Ele estava atento… a mim.
Cada gesto meu, cada respiração, cada mínima reação.
— Lara — disse baixo, aproximando o rosto do meu — precisamos ser rápidos.
Cada segundo conta.
— Eu sei — respondi, tentando controlar a ansiedade que me queimava por dentro.
Peguei a pasta com os documentos que conseguimos extrair de Lisboa.
Folheei rapidamente.
Identifiquei padrões de movimentação do tio, códigos internos do Consórcio e documentos falsificados que ele usava para manter a fachada de riqueza e poder.
— Dante, olha isso — sussurrei, apontando para uma sequência de transferências suspeitas que não apareciam nos registros normais.
— Isso prova que ele estava usando minha família para lavar dinheiro e manipular o Consórcio de dentro.
Dante se inclinou sobre a mesa.
Seus olhos se estreitaram.
— Bom trabalho, princesa. — Ele passou a mão pelo meu braço, apenas um toque rápido, mas carregado de intensidade.
— Vamos usar isso a nosso favor.
Minha respiração acelerou.
O toque dele me eletrizou, mas não podia me distrair.
Não agora.
Nos preparamos para a infiltração.
Tínhamos que entrar na base do tio dela, encontrar mais provas e, se possível, interceptar informações que poderiam nos dar vantagem.
— Vamos juntos — disse Dante, segurando minha mão com firmeza.
— Juntos — repeti, respirando fundo, sentindo a coragem crescer com a presença dele.
Entramos em um carro discreto, dirigindo pela cidade até o local que Adrien havia identificado como a base do tio.
Era uma mansão antiga, com cercas elétricas e câmeras por toda parte.
Nada podia ser deixado ao acaso.
— Lara — disse Dante, olhando para mim antes de descermos lembra do que te ensinei? Observação primeiro, ação depois. Cada passo precisa ser calculado.
— Entendi — respondi, sentindo meu corpo vibrar de tensão.
— Cada movimento, cada carta no lugar certo.
A mansão parecia tranquila à primeira vista.
Mas sabíamos que era apenas fachada.
Dentro, a rede de segurança estava ativa, cada sala monitorada, cada funcionário treinado para responder a ameaças.
Avançamos silenciosos pelo jardim, cada sombra parecia respirar junto com nós.
Quando chegamos perto de uma janela lateral, Dante me puxou para trás.
— Espere — disse ele, apontando para uma câmera em movimento.
— Temos que neutralizar isso antes de entrar.
Olhei para ele.
Ele estava focado, intenso.
O mesmo homem que me fez sentir desejo e fúria simultaneamente.
— Eu consigo — falei, mostrando confiança.
— Mas preciso que esteja atrás de mim, caso algo dê errado.
Ele assentiu, e o toque de sua mão me deu coragem.
Eu escalei discretamente, desligando a câmera com precisão.
Dante ficou pronto para qualquer movimento hostil.
Entramos.
Cada corredor era uma ameaça, cada porta, um enigma.
E então encontramos o primeiro escritório do tio dela.
Arquivos, pastas, computadores.
Provas de crimes, manipulações, traições.
Minha mente processava tudo rapidamente.
Cada documento, cada transação, cada anotação: um mapa do poder que ele ainda tinha.
Dante se aproximou, colocando sua mão firme nas minhas costas.
— Você está bem? — perguntou, voz baixa.
— Sim — respondi, sentindo o calor dele me proteger e ao mesmo tempo me excitar.
Ele me olhou profundamente, olhos escuros cheios de intensidade.
— Não se distraia — murmurou.
— Mas saiba que estou aqui. Sempre.
Minha respiração falhou.
O toque dele, a proximidade, a tensão entre nós tudo queimava dentro de mim.
Pegamos todas as provas que conseguimos carregar discretamente.
Mas quando estávamos saindo, um ruído metálico chamou nossa atenção, guardas se aproximando.
— Dante — sussurrei, sentindo o coração disparar. — Eles nos viram!
Ele me puxou para o lado, próximo a uma parede.
— Vamos precisar de estratégia agora — disse, os olhos brilhando de determinação e algo mais algo que só nós dois entendíamos.
Eu engoli seco.
— Estou pronta — respondi, sentindo a adrenalina misturar medo e excitação.
E naquele instante, enquanto nos preparávamos para o confronto, percebi,
Não importava o quanto o perigo aumentasse.
Enquanto estivéssemos juntos, cada passo, cada risco, cada batida de coração era nosso.
E o jogo estava apenas começando.
******
O corredor escuro da mansão parecia se estender infinitamente à nossa frente.
Os passos dos guardas soavam como trovões em meus ouvidos, e cada respiração minha parecia amplificada.
Eu sentia Dante ao meu lado, sempre um passo à frente, sempre atento, sempre pronto.
Mas eu não podia apenas depender dele.
Eu precisava ser ativa. Precisava jogar o meu jogo.
— Lara, siga-me — murmurou, puxando-me para um canto enquanto dois guardas passavam.
Eu me agachei, o corpo colado ao dele.
A proximidade fez meu coração disparar de uma forma diferente tensão misturada com algo que queimava dentro de mim.
Ele me olhou por um instante, olhos intensos.
— Não se distraia — disse, mas a mão dele ainda repousava suavemente nas minhas costas.
— Não posso prometer nada — respondi, quase com um sussurro, e desviamos de outro guarda que viria em nossa direção.
O escritório do tio de Lara estava próximo.
Ali dentro, estavam provas que poderiam derrubar toda a fachada do Consórcio e desmascarar seu tio.
Mas entrar significava enfrentar guardas, sistemas de segurança e armadilhas que ele preparou ao longo de anos.
Dante olhou para mim.
— Nós entramos juntos, saímos juntos — disse firme.
— Sempre — confirmei.
Utilizando as sombras, nos aproximamos da porta lateral.
Eu detectei o primeiro fio do alarme.
Respirei fundo, mãos firmes, cortando o fio com precisão que só anos de observação me deram.
— Feito — sussurrei.
— Boa, princesa — Dante respondeu, quase um sorriso atravessyando sua tensão.
Abrimos a porta silenciosamente.
O escritório estava impecável, mas não conseguia esconder a correria de alguém que sabia que estávamos chegando.
Pastas empilhadas, computadores ligados, códigos por toda parte.
O alvo estava ali: registros financeiros, documentos falsificados, anotações secretas.
Peguei rapidamente os arquivos mais relevantes e comecei a fotografá-los com meu celular.
Cada documento era uma peça do quebra-cabeça, cada foto, uma carta em nosso jogo.
— Lara, cuidado — Dante murmurou.
Ouvi o clique de um alarme que havíamos ignorado.
— Merda — murmurei, e minha adrenalina explodiu.
Dois guardas entraram de repente.
Eu travei por um segundo.
Mas Dante reagiu instantaneamente, bloqueando o primeiro e empurrando o segundo com força contra a parede.
— Vamos! — ele gritou.
Peguei minha mochila e corremos pelo corredor, guiados por Dante, enquanto os guardas nos perseguiam.
Meu coração parecia que iria explodir, mas, por algum motivo, cada passo me deixava mais viva.
Chegamos a uma escada lateral.
Ele me empurrou levemente para frente, protegendo-me com o corpo.
— Rápido, Lara! — disse, respiração pesada.
— Estou contigo! — respondi, correndo colada a ele, sentindo cada músculo do meu corpo vibrar com a adrenalina e a proximidade dele.
Quando finalmente saímos para o jardim lateral, senti uma mistura de alívio e tensão.
Tínhamos conseguido escapar da primeira parte do plano, mas o jogo estava longe de terminar.