Lara O silêncio dentro do avião parecia mais alto do que qualquer explosão. O jato de Dante cortava as nuvens como uma lâmina, e mesmo assim, meu peito parecia apertado demais para respirar. Eu sentia o cheiro dele, o calor dele, a tensão dele. Era como se eu estivesse presa em um campo gravitacional particular e não fazia a menor questão de escapar. Depois da noite em que quase morremos e da forma como nos tocamos logo antes da fuga nada era mais igual. Dante estava sentado no banco oposto, cotovelos apoiados nos joelhos, mãos entrelaçadas, olhos fechados. Os músculos dos braços estavam rígidos, como se ele lutasse contra algo dentro dele e não apenas contra Rafael. Eu queria falar. Queria perguntar onde estávamos indo, qual era o plano, o que ele realmente sentia. Mas isso

