O peso de uma vida

584 Words
📖 Almas de Fera Capítulo 97 – O Peso de Uma Nova Vida A noite passou em absoluto silêncio. Depois de sentir os pequenos movimentos dos filhotes, Zaira adormeceu novamente quase de imediato. Kael permaneceu ao lado dela durante toda a noite. Sempre que ela se mexia inquieta durante o sono, ele segurava-lhe delicadamente a mão ou acariciava-lhe os cabelos. Ao nascer do sol, os primeiros raios de luz entraram pelas janelas dos aposentos reais. A pequena raposa começou a brilhar com uma suave luz dourada. Kael abriu os olhos imediatamente. — Zaira... A luz tornou-se mais intensa durante alguns segundos. Quando desapareceu, a pequena raposa já não estava sobre a cama. No seu lugar encontrava-se Zaira, novamente na sua forma híbrida. As orelhas de raposa surgiam entre os longos cabelos ruivos, a cauda repousava sobre os lençóis e os olhos verdes abriram-se lentamente. Ela piscou algumas vezes, ainda sonolenta. — Bom dia... — murmurou com a voz baixa. Kael sorriu, aliviado por vê-la novamente naquela forma. — Bom dia, pequena raposa. Ela tentou sentar-se. Mas, assim que fez força, parou. — Ah... Kael aproximou-se imediatamente. — O que foi? Zaira colocou as duas mãos sobre o ventre. A barriga estava muito arredondada e parecia enorme para a sua estrutura física. Ela soltou um pequeno suspiro. — Está tão pesada... Com algum esforço, conseguiu sentar-se na cama. A cauda moveu-se lentamente atrás dela. — Parece que estou a carregar uma pedra enorme... Kael apoiou-lhe cuidadosamente as costas. — Devagar. Ela fez uma pequena careta. — Eles cresceram muito depressa... Nesse momento, Selene entrou no quarto acompanhada pelo curandeiro. Assim que viu a filha sentada, sorriu. — Finalmente acordaste. Zaira sorriu de volta. — Mãe... Mas, logo em seguida, voltou a apoiar as mãos no ventre. — Está mesmo pesado... O curandeiro aproximou-se. — Isso é normal. O teu corpo está a adaptar-se à gravidez e ainda está a recuperar de todo o esforço mágico que fizeste. Zaira suspirou. — Eu só queria dormir mais... Kael sorriu. — Então dorme. Ela fez uma expressão de quem queria muito fazer exatamente isso. — Eu até queria... Olhou para o ventre e fez uma pequena careta divertida. — Mas eles não deixam. Como se tivessem ouvido, sentiu um leve movimento. Ela sorriu sem conseguir evitar. — Estão outra vez a mexer. Selene aproximou-se da cama. — Deixa-me ajudar-te a mudar de posição. Com a ajuda da mãe e de Kael, Zaira acomodou-se entre várias almofadas macias que sustentavam as costas e o ventre. Assim que encontrou uma posição confortável, soltou um longo suspiro de alívio. — Assim... está muito melhor... Kael ajeitou cuidadosamente uma almofada debaixo do braço dela. — Mais confortável? Ela fechou os olhos por alguns segundos. — Muito... Depois abriu um dos olhos e olhou para Kael com um pequeno sorriso. — Mas continuo cansada... Selene riu baixinho. — Isso também é normal. O curandeiro concordou. — Neste momento, a melhor medicina é descanso, boa alimentação e evitar qualquer esforço desnecessário. Zaira assentiu. — Não pretendo sair desta cama tão cedo. Todos riram. Kael segurou-lhe delicadamente a mão. — Então ficamos aqui contigo. Zaira apertou-lhe a mão de volta. Com a família reunida ao seu redor e o quarto cheio de tranquilidade, ela voltou a recostar a cabeça na almofada. Pouco a pouco, o peso do sono venceu novamente. Enquanto adormecia, a sua cauda enrolou-se lentamente ao lado de Kael, como se, mesmo dormindo, quisesse ter a certeza de que ele continuava ali. Continua...
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