📖 Almas de Fera
CapÃtulo 97 – O Peso de Uma Nova Vida
A noite passou em absoluto silêncio.
Depois de sentir os pequenos movimentos dos filhotes, Zaira adormeceu novamente quase de imediato.
Kael permaneceu ao lado dela durante toda a noite.
Sempre que ela se mexia inquieta durante o sono, ele segurava-lhe delicadamente a mão ou acariciava-lhe os cabelos.
Ao nascer do sol, os primeiros raios de luz entraram pelas janelas dos aposentos reais.
A pequena raposa começou a brilhar com uma suave luz dourada.
Kael abriu os olhos imediatamente.
— Zaira...
A luz tornou-se mais intensa durante alguns segundos.
Quando desapareceu, a pequena raposa já não estava sobre a cama.
No seu lugar encontrava-se Zaira, novamente na sua forma hÃbrida.
As orelhas de raposa surgiam entre os longos cabelos ruivos, a cauda repousava sobre os lençóis e os olhos verdes abriram-se lentamente.
Ela piscou algumas vezes, ainda sonolenta.
— Bom dia... — murmurou com a voz baixa.
Kael sorriu, aliviado por vê-la novamente naquela forma.
— Bom dia, pequena raposa.
Ela tentou sentar-se.
Mas, assim que fez força, parou.
— Ah...
Kael aproximou-se imediatamente.
— O que foi?
Zaira colocou as duas mãos sobre o ventre.
A barriga estava muito arredondada e parecia enorme para a sua estrutura fÃsica.
Ela soltou um pequeno suspiro.
— Está tão pesada...
Com algum esforço, conseguiu sentar-se na cama.
A cauda moveu-se lentamente atrás dela.
— Parece que estou a carregar uma pedra enorme...
Kael apoiou-lhe cuidadosamente as costas.
— Devagar.
Ela fez uma pequena careta.
— Eles cresceram muito depressa...
Nesse momento, Selene entrou no quarto acompanhada pelo curandeiro.
Assim que viu a filha sentada, sorriu.
— Finalmente acordaste.
Zaira sorriu de volta.
— Mãe...
Mas, logo em seguida, voltou a apoiar as mãos no ventre.
— Está mesmo pesado...
O curandeiro aproximou-se.
— Isso é normal. O teu corpo está a adaptar-se à gravidez e ainda está a recuperar de todo o esforço mágico que fizeste.
Zaira suspirou.
— Eu só queria dormir mais...
Kael sorriu.
— Então dorme.
Ela fez uma expressão de quem queria muito fazer exatamente isso.
— Eu até queria...
Olhou para o ventre e fez uma pequena careta divertida.
— Mas eles não deixam.
Como se tivessem ouvido, sentiu um leve movimento.
Ela sorriu sem conseguir evitar.
— Estão outra vez a mexer.
Selene aproximou-se da cama.
— Deixa-me ajudar-te a mudar de posição.
Com a ajuda da mãe e de Kael, Zaira acomodou-se entre várias almofadas macias que sustentavam as costas e o ventre.
Assim que encontrou uma posição confortável, soltou um longo suspiro de alÃvio.
— Assim... está muito melhor...
Kael ajeitou cuidadosamente uma almofada debaixo do braço dela.
— Mais confortável?
Ela fechou os olhos por alguns segundos.
— Muito...
Depois abriu um dos olhos e olhou para Kael com um pequeno sorriso.
— Mas continuo cansada...
Selene riu baixinho.
— Isso também é normal.
O curandeiro concordou.
— Neste momento, a melhor medicina é descanso, boa alimentação e evitar qualquer esforço desnecessário.
Zaira assentiu.
— Não pretendo sair desta cama tão cedo.
Todos riram.
Kael segurou-lhe delicadamente a mão.
— Então ficamos aqui contigo.
Zaira apertou-lhe a mão de volta.
Com a famÃlia reunida ao seu redor e o quarto cheio de tranquilidade, ela voltou a recostar a cabeça na almofada.
Pouco a pouco, o peso do sono venceu novamente.
Enquanto adormecia, a sua cauda enrolou-se lentamente ao lado de Kael, como se, mesmo dormindo, quisesse ter a certeza de que ele continuava ali.
Continua...