đź“– Almas de Fera
CapĂtulo 4 – A Estranha Raposa
Uma semana havia passado desde que Kael encontrara a pequena raposa na fronteira.
As feridas de Zaira estavam quase totalmente curadas. Ela já conseguia correr pelos corredores do palácio, subir nos móveis e até explorar os jardins reais sem dificuldades.
Naturalmente, isso trouxe muitos problemas.
— FaĂsca! Volta aqui!
Kael corria pelos jardins enquanto vários guardas observavam a cena com expressões incrédulas.
A pequena raposa ruiva corria alegremente pelo gramado, segurando algo entre os dentes.
O objeto em questĂŁo era nada menos que a coroa real.
— Inacreditável... — murmurou um guarda.
— É a primeira vez que vejo Sua Majestade correr atrás de alguém — comentou outro.
Zaira parou perto de uma fonte e abanou a cauda, claramente satisfeita consigo mesma.
Kael aproximou-se lentamente.
— Devolve a coroa.
Zaira inclinou a cabeça.
— Agora.
Ela soltou a coroa no chĂŁo... apenas para a agarrar novamente e fugir.
Os guardas desviaram o olhar, tentando esconder o riso.
Depois de alguns minutos de perseguição, Kael finalmente conseguiu apanhá-la.
— És mesmo problemática.
Zaira soltou um pequeno som indignado.
Kael suspirou e acabou por acariciar-lhe a cabeça.
— Mas suponho que o palácio está mais animado contigo aqui.
A pequena raposa ficou imĂłvel.
Por algum motivo, aquelas palavras aqueceram o seu coração.
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Mais tarde, enquanto Kael participava numa reunião, Zaira aproveitou para explorar uma parte do palácio que ainda não conhecia.
Após percorrer vários corredores, acabou por encontrar uma enorme biblioteca.
As paredes estavam cobertas por estantes repletas de livros antigos.
Os olhos de Zaira brilharam.
Ela adorava ler.
Saltando agilmente, subiu para uma cadeira e, depois, para uma mesa.
Foi entĂŁo que viu um livro aberto.
No centro da página havia uma ilustração de vários hĂbridos.
Entre eles estavam hĂbridos de raposa.
Zaira aproximou-se.
"Segundo os antigos registos, quando um hĂbrido sofre ferimentos extremamente graves e esgota completamente a sua energia, pode ficar preso temporariamente na sua forma animal..."
Os olhos dela arregalaram-se.
"Temporariamente?"
Continuou a ler.
"A recuperação completa pode levar dias ou semanas, dependendo da gravidade dos ferimentos e da energia vital do indivĂduo."
Zaira suspirou aliviada.
Então ainda havia esperança.
Ela voltaria Ă sua forma hĂbrida.
Contudo, antes que pudesse continuar a leitura, ouviu passos aproximarem-se.
Rapidamente, escondeu-se debaixo da mesa.
A porta abriu-se.
Era Kael.
O rei aproximou-se da mesa, mas parou ao ver o livro aberto.
— Estranho...
Ele tinha a certeza de que deixara o livro fechado.
Nesse instante, um espirro ecoou debaixo da mesa.
Kael permaneceu em silĂŞncio.
Depois, abaixou-se lentamente.
Encontrou uma raposa ruiva a olhar para ele com expressĂŁo inocente.
— Então eras tu.
Zaira desviou o olhar.
Kael observou-a por alguns segundos.
— Não me digas que estavas a tentar ler.
A pequena raposa congelou.
Kael soltou uma leve gargalhada.
— Claro. Uma raposa a ler livros antigos. Que ideia absurda.
Zaira sentiu-se ofendida.
Saltou para fora da mesa e virou-lhe as costas.
Kael voltou a rir.
— Está bem, está bem. Não fiques zangada.
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Naquela mesma noite, algo inesperado aconteceu.
Zaira dormia profundamente quando uma intensa dor percorreu todo o seu corpo.
Ela acordou sobressaltada.
Uma luz suave começou a envolver o seu corpo.
Assustada, saiu rapidamente da cama.
A transformação estava a começar.
Mas ainda nĂŁo estava completa.
O brilho desapareceu segundos depois.
Zaira voltou Ă forma de raposa.
Respirando rapidamente, ela percebeu que a sua energia ainda nĂŁo era suficiente.
Mas faltava pouco.
Muito pouco.
E quando finalmente recuperasse a sua verdadeira forma...
Seria impossĂvel esconder a sua identidade de Kael.
Continua...