O reencontro

846 Words
📖 Almas de Fera Capítulo 111 – O Reencontro O primeiro raio de sol surgiu por detrás das montanhas. A névoa da manhã ainda cobria os campos quando Kael abriu os olhos. Mal o capitão da guarda terminou de verificar os cavalos, o rei já estava de pé. — Partimos imediatamente. Os cavaleiros montaram sem demora. O som dos cascos voltou a ecoar pela estrada. Quanto mais avançavam, mais familiar a paisagem se tornava. As árvores antigas. O rio cristalino. As colinas cobertas de flores silvestres. Kael reconhecia cada lugar. Faltava pouco. Muito pouco. --- No Reino das Raposas, Zaira também acordou cedo. Naquela manhã havia algo diferente. Não sabia explicar o quê. Mas o coração batia mais depressa do que o normal. Abriu lentamente os olhos e pousou as mãos sobre o ventre. — Bom dia... Os pequenos responderam quase de imediato com movimentos suaves. Ela sorriu. — Também estão inquietos hoje? Com algum esforço, sentou-se na cama. A barriga estava ainda maior do que nas semanas anteriores, e mover-se exigia paciência. Uma criada entrou trazendo água fresca. — Bom dia, princesa. — Bom dia. — Dormiu bem? — Sim... mas tive a sensação de que hoje seria um dia especial. A criada sorriu. — Espero que seja um bom pressentimento. --- Depois do pequeno-almoço, Selene sugeriu um passeio curto pelos jardins. — O dia está bonito. Zaira assentiu. — Acho que me vai fazer bem. Com passos lentos, acompanhada pela mãe e por duas guardas, caminhou até ao grande jardim central. As flores estavam completamente abertas. O perfume espalhava-se pelo ar. Ela respirou profundamente. Por um instante, fechou os olhos. Então... Sentiu um calor agradável no peito. Abriu os olhos imediatamente. Olhou para o grande portão do palácio. Não havia ninguém. Mesmo assim... Sorriu. — Está perto... Selene olhou para a filha. — Quem? Zaira respondeu quase num sussurro. — O Kael. --- Naquele mesmo instante... Do outro lado da floresta... Os enormes portões do Reino das Raposas surgiram ao longe. Um dos cavaleiros sorriu. — Majestade... Chegámos. Kael levantou imediatamente a cabeça. Os olhos dourados brilharam. Sem conseguir esconder a felicidade, incentivou o cavalo a acelerar. A pequena escolta acompanhou-o. Os guardas do reino reconheceram imediatamente o estandarte dourado dos leões. — Abram os portões! As enormes portas começaram a mover-se. O som ecoou por todo o palácio. --- No jardim... Zaira ouviu o barulho. Parou de caminhar. As orelhas de raposa levantaram-se. A cauda moveu-se lentamente. Olhou na direção do castelo. Depois para a entrada principal. O coração acelerou tanto que parecia querer saltar do peito. — Ele... Selene seguiu o olhar da filha. Ao longe, uma pequena comitiva atravessava os portões. Na frente... Montado num grande cavalo negro... Estava Kael. Selene sorriu. — Voltou. Zaira ficou completamente imóvel. Os olhos encheram-se de lágrimas. Durante semanas sonhara com aquele momento. E agora... Ele estava realmente ali. Kael também a viu. Mesmo à distância. Reconheceria aquela figura em qualquer lugar do mundo. Saltou do cavalo antes mesmo de chegar às escadas do jardim. Entregou as rédeas ao capitão e começou a caminhar rapidamente. Depois quase correu. Mas, ao aproximar-se, diminuiu o passo. Lembrou-se da gravidez. Não queria assustá-la nem fazê-la perder o equilíbrio. Zaira também caminhou na direção dele. Devagar. Com uma das mãos apoiando o ventre. Quando finalmente ficaram frente a frente... Nenhum dos dois disse uma palavra. Apenas se olharam. Como se estivessem a recuperar todas as semanas em que estiveram separados. Kael sorriu primeiro. — Pequena raposa... As lágrimas escorreram pelo rosto de Zaira. — Demoraste... Ele riu baixinho. — Eu sei. — Tiveste saudades? Kael aproximou-se mais um passo. — Todos os dias. Ela sorriu entre lágrimas. — Eu também. Sem qualquer pressa, Kael levantou delicadamente uma das mãos. Acariciou-lhe o rosto. Depois limpou-lhe uma lágrima com o polegar. — Estás linda. Zaira riu. — Com esta barriga enorme? Ele olhou para o ventre arredondado. Os olhos encheram-se de emoção. Ajoelhou-se lentamente à frente dela. Pousou as duas mãos com todo o cuidado sobre o ventre. Ficou alguns segundos em silêncio. Como se quisesse gravar aquele momento para sempre. Então... Sentiu um pequeno movimento. Sorriu imediatamente. — Acho que me reconheceram. Zaira riu. — Mexeram muito quando souberam que estavas a voltar. Kael aproximou o rosto da barriga e falou com ternura: — Olá, pequeninos... O jardim permaneceu em silêncio por um instante. Logo depois... Vieram dois pequenos movimentos quase ao mesmo tempo. Kael levantou a cabeça, surpreendido. — Responderam... Selene e Arion observavam a cena a poucos passos de distância. Os dois trocaram um olhar emocionado. Depois, discretamente, afastaram-se um pouco. Aquele reencontro pertencia apenas aos dois. Kael levantou-se. Abraçou Zaira com extremo cuidado, protegendo o ventre entre eles. Ela fechou os olhos e encostou o rosto ao peito dele. Inspirou profundamente. O cheiro familiar dele trouxe-lhe uma paz que não sentia havia semanas. — Agora estás em casa... — murmurou ela. Kael beijou-lhe a testa. — E desta vez... não volto a sair antes de conhecer os nossos filhotes. Zaira sorriu. Finalmente... A espera tinha terminado. Continua...
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