📖 Almas de Fera
Capítulo 111 – O Reencontro
O primeiro raio de sol surgiu por detrás das montanhas.
A névoa da manhã ainda cobria os campos quando Kael abriu os olhos.
Mal o capitão da guarda terminou de verificar os cavalos, o rei já estava de pé.
— Partimos imediatamente.
Os cavaleiros montaram sem demora.
O som dos cascos voltou a ecoar pela estrada.
Quanto mais avançavam, mais familiar a paisagem se tornava.
As árvores antigas.
O rio cristalino.
As colinas cobertas de flores silvestres.
Kael reconhecia cada lugar.
Faltava pouco.
Muito pouco.
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No Reino das Raposas, Zaira também acordou cedo.
Naquela manhã havia algo diferente.
Não sabia explicar o quê.
Mas o coração batia mais depressa do que o normal.
Abriu lentamente os olhos e pousou as mãos sobre o ventre.
— Bom dia...
Os pequenos responderam quase de imediato com movimentos suaves.
Ela sorriu.
— Também estão inquietos hoje?
Com algum esforço, sentou-se na cama.
A barriga estava ainda maior do que nas semanas anteriores, e mover-se exigia paciência.
Uma criada entrou trazendo água fresca.
— Bom dia, princesa.
— Bom dia.
— Dormiu bem?
— Sim... mas tive a sensação de que hoje seria um dia especial.
A criada sorriu.
— Espero que seja um bom pressentimento.
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Depois do pequeno-almoço, Selene sugeriu um passeio curto pelos jardins.
— O dia está bonito.
Zaira assentiu.
— Acho que me vai fazer bem.
Com passos lentos, acompanhada pela mãe e por duas guardas, caminhou até ao grande jardim central.
As flores estavam completamente abertas.
O perfume espalhava-se pelo ar.
Ela respirou profundamente.
Por um instante, fechou os olhos.
Então...
Sentiu um calor agradável no peito.
Abriu os olhos imediatamente.
Olhou para o grande portão do palácio.
Não havia ninguém.
Mesmo assim...
Sorriu.
— Está perto...
Selene olhou para a filha.
— Quem?
Zaira respondeu quase num sussurro.
— O Kael.
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Naquele mesmo instante...
Do outro lado da floresta...
Os enormes portões do Reino das Raposas surgiram ao longe.
Um dos cavaleiros sorriu.
— Majestade...
Chegámos.
Kael levantou imediatamente a cabeça.
Os olhos dourados brilharam.
Sem conseguir esconder a felicidade, incentivou o cavalo a acelerar.
A pequena escolta acompanhou-o.
Os guardas do reino reconheceram imediatamente o estandarte dourado dos leões.
— Abram os portões!
As enormes portas começaram a mover-se.
O som ecoou por todo o palácio.
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No jardim...
Zaira ouviu o barulho.
Parou de caminhar.
As orelhas de raposa levantaram-se.
A cauda moveu-se lentamente.
Olhou na direção do castelo.
Depois para a entrada principal.
O coração acelerou tanto que parecia querer saltar do peito.
— Ele...
Selene seguiu o olhar da filha.
Ao longe, uma pequena comitiva atravessava os portões.
Na frente...
Montado num grande cavalo negro...
Estava Kael.
Selene sorriu.
— Voltou.
Zaira ficou completamente imóvel.
Os olhos encheram-se de lágrimas.
Durante semanas sonhara com aquele momento.
E agora...
Ele estava realmente ali.
Kael também a viu.
Mesmo à distância.
Reconheceria aquela figura em qualquer lugar do mundo.
Saltou do cavalo antes mesmo de chegar às escadas do jardim.
Entregou as rédeas ao capitão e começou a caminhar rapidamente.
Depois quase correu.
Mas, ao aproximar-se, diminuiu o passo.
Lembrou-se da gravidez.
Não queria assustá-la nem fazê-la perder o equilíbrio.
Zaira também caminhou na direção dele.
Devagar.
Com uma das mãos apoiando o ventre.
Quando finalmente ficaram frente a frente...
Nenhum dos dois disse uma palavra.
Apenas se olharam.
Como se estivessem a recuperar todas as semanas em que estiveram separados.
Kael sorriu primeiro.
— Pequena raposa...
As lágrimas escorreram pelo rosto de Zaira.
— Demoraste...
Ele riu baixinho.
— Eu sei.
— Tiveste saudades?
Kael aproximou-se mais um passo.
— Todos os dias.
Ela sorriu entre lágrimas.
— Eu também.
Sem qualquer pressa, Kael levantou delicadamente uma das mãos.
Acariciou-lhe o rosto.
Depois limpou-lhe uma lágrima com o polegar.
— Estás linda.
Zaira riu.
— Com esta barriga enorme?
Ele olhou para o ventre arredondado.
Os olhos encheram-se de emoção.
Ajoelhou-se lentamente à frente dela.
Pousou as duas mãos com todo o cuidado sobre o ventre.
Ficou alguns segundos em silêncio.
Como se quisesse gravar aquele momento para sempre.
Então...
Sentiu um pequeno movimento.
Sorriu imediatamente.
— Acho que me reconheceram.
Zaira riu.
— Mexeram muito quando souberam que estavas a voltar.
Kael aproximou o rosto da barriga e falou com ternura:
— Olá, pequeninos...
O jardim permaneceu em silêncio por um instante.
Logo depois...
Vieram dois pequenos movimentos quase ao mesmo tempo.
Kael levantou a cabeça, surpreendido.
— Responderam...
Selene e Arion observavam a cena a poucos passos de distância.
Os dois trocaram um olhar emocionado.
Depois, discretamente, afastaram-se um pouco.
Aquele reencontro pertencia apenas aos dois.
Kael levantou-se.
Abraçou Zaira com extremo cuidado, protegendo o ventre entre eles.
Ela fechou os olhos e encostou o rosto ao peito dele.
Inspirou profundamente.
O cheiro familiar dele trouxe-lhe uma paz que não sentia havia semanas.
— Agora estás em casa... — murmurou ela.
Kael beijou-lhe a testa.
— E desta vez... não volto a sair antes de conhecer os nossos filhotes.
Zaira sorriu.
Finalmente...
A espera tinha terminado.
Continua...