đź“– Almas de Fera
CapĂtulo 73 – O Templo dos Selos Antigos
O interior do templo antigo era frio.
Não um frio comum… mas um silêncio pesado, como se o próprio ar tivesse sido esquecido ali há séculos.
Zaira, ainda na forma de raposa, avançava lentamente entre colunas partidas e sĂmbolos apagados pelo tempo.
Os seus passos ecoavam suavemente no chĂŁo de pedra.
Kael entrou logo atrás, seguido de Selene, Arion e Elyra.
— Isto… não devia estar assim — murmurou Elyra, olhando em volta.
Os sĂmbolos nas paredes começavam a reagir Ă presença deles.
Pequenas luzes fracas piscavam e apagavam-se, como se o templo estivesse a acordar.
Zaira parou no centro do salĂŁo principal.
Ă€ sua frente, havia um enorme cĂrculo de pedra rachado.
E no meio dele… uma f***a n***a.
Dela saĂa uma energia densa, quase viva.
Kael aproximou-se imediatamente.
— Zaira, vem para trás.
Mas a raposa nĂŁo recuou.
Ela ficou imĂłvel.
— Ele está aqui… — sussurrou ela.
Selene ficou em alerta.
— Vharok?
Zaira assentiu lentamente.
A energia no centro do cĂrculo começou a intensificar-se.
O chĂŁo tremeu.
E então…
Um rugido profundo ecoou por todo o templo.
As paredes vibraram.
A f***a n***a expandiu-se.
Kael puxou Zaira instintivamente para trás.
— Agora!
Mas já era tarde.
A escuridão começou a subir do chão como fumo sólido.
E, dentro dela…
Dois olhos dourados abriram-se.
Vharok emergiu.
Grande.
Imponente.
Como se o prĂłprio templo o tivesse libertado.
O silĂŞncio foi absoluto.
Selene ergueu a mĂŁo imediatamente.
— Protejam a Zaira!
Os guardas posicionaram-se.
Elyra começou a concentrar energia mágica nas mãos.
Arion puxou a espada.
Kael colocou-se Ă frente de Zaira sem hesitar.
— Não te mexas — disse ele em voz baixa.
Zaira tremia, mas nĂŁo recuou.
Desta vez… não era apenas medo.
Era algo mais profundo.
Algo antigo.
Vharok observou todos lentamente.
Mas os seus olhos dourados… estavam fixos apenas numa pessoa.
Zaira.
— Finalmente… — a sua voz ecoou no templo inteiro. — Chegaste ao lugar onde tudo começou.
Zaira engoliu em seco.
— Eu… não te conheço…
Vharok inclinou ligeiramente a cabeça.
— Não?
Ele deu um passo.
O chĂŁo rachou sob o seu peso.
Kael rosnou.
— Não dês mais um passo.
Vharok ignorou-o completamente.
— Engraçado… um leão a tentar proteger algo que nem entende.
Kael avançou um pouco mais.
— Eu entendo o suficiente para saber que ela não te pertence.
Um silĂŞncio pesado caiu.
Vharok sorriu.
— “Pertencer”… palavras de quem ainda não viu a verdade.
Os olhos dele voltaram-se para Zaira.
E, nesse instante, o ar pareceu mudar.
Zaira sentiu um choque no peito.
Como se algo dentro dela tivesse sido puxado.
Ela recuou um passo sem querer.
— O que… é isto…?
Selene percebeu imediatamente.
— Zaira… não olhes diretamente para ele!
Mas já era tarde.
Os olhos dourados de Vharok brilhavam mais intensamente.
— Não é medo o que sentes… — disse ele suavemente. — É reconhecimento.
Kael ficou tenso.
— O que estás a fazer com ela?!
Vharok abriu ligeiramente as asas negras.
A energia no templo aumentou.
— Estou apenas a acordar aquilo que foi selado… há muito tempo.
Zaira levou as mãos à cabeça.
Imagens começaram a surgir.
Fogo.
Um templo em ruĂnas.
Gritos.
E… o mesmo par de olhos dourados.
— Não… não… — a voz dela falhou.
Kael segurou-a imediatamente.
— Zaira, olha para mim!
Ela tentou.
Mas o mundo parecia dividido entre duas memĂłrias.
Uma vida que conhecia…
E outra que nĂŁo lembrava.
Vharok deu mais um passo.
E disse, num tom baixo e definitivo:
— Tu não foste apenas atacada por mim, pequena raposa.
O silĂŞncio ficou absoluto.
— Tu… foste criada por mim.
O impacto daquelas palavras fez o templo inteiro parecer parar.
Kael congelou.
Selene ficou pálida.
E Zaira…
Zaira perdeu completamente o equilĂbrio emocional por um instante.
— Isso… não é verdade…
Mas a voz dela nĂŁo soou certa.
Vharok sorriu.
— Então prova-me que não és minha criação.
O chão começou a tremer novamente.
E as paredes do templo começaram a brilhar com sĂmbolos antigos que ninguĂ©m ali tinha visto antes.
Como se o templo estivesse a escolher um lado.
Continua...