📖 Almas de Fera
Capítulo 24 – Conversa Entre Mãe e Filha
Depois do banho, Zaira vestiu um vestido simples de seda azul-clara e respirou fundo diante do espelho.
Sabia que não poderia evitar a conversa com a mãe para sempre.
Com as orelhas ligeiramente baixas, saiu dos aposentos.
Não teve de procurar muito.
Selene aguardava-a nos jardins reais, sentada junto ao lago onde Zaira costumava brincar quando era criança.
— Mãe... querias falar comigo?
Selene sorriu suavemente.
— Sim. Senta-te.
Zaira obedeceu, embora estivesse claramente nervosa.
Durante alguns instantes, as duas permaneceram em silêncio, observando os peixes coloridos no lago.
— Estás diferente desde que regressaste da floresta — disse Selene calmamente.
Zaira congelou.
— D-Diferente?
— Mais calma. Mais feliz.
Zaira desviou imediatamente o olhar.
Selene soltou uma pequena gargalhada.
— Não precisas de ficar tão nervosa.
— Eu não estou nervosa.
— Claro que não.
As orelhas de Zaira baixaram ainda mais.
A rainha aproximou-se e segurou delicadamente a mão da filha.
— Zaira, és minha filha. Conheço-te melhor do que ninguém.
Zaira permaneceu em silêncio.
— Gostas do Kael, não gostas?
O rosto da princesa ficou completamente vermelho.
— Mãe!
Selene sorriu.
— Isso não é uma resposta.
Zaira demorou vários segundos antes de falar.
— Eu... não sei.
Selene levantou uma sobrancelha.
— Não sabes?
— Só sei que, quando estou com ele, sinto-me segura. E quando estou longe dele... sinto a falta dele.
Selene acariciou-lhe os cabelos ruivos.
— Isso parece-me muito com amor.
Zaira baixou a cabeça, envergonhada.
— Achas mesmo?
— Acho.
Nesse momento, um guarda aproximou-se rapidamente.
— Majestade, o rei Kael deseja despedir-se antes de regressar ao Reino dos Leões.
Os olhos de Zaira abriram-se imediatamente.
Selene sorriu discretamente.
— Parece que alguém devia ir falar com ele.
Zaira levantou-se tão depressa que quase tropeçou.
— Eu... vou despedir-me dele.
— Claro, querida.
Selene observou a filha afastar-se a correr pelos jardins.
Um sorriso orgulhoso surgiu no rosto da rainha.
— A minha pequena raposa cresceu mesmo.
Continua...