📖 Almas de Fera
Capítulo 84 – Quantos Pequenos Corações?
O quarto estava silencioso.
Apenas o som suave da respiração de Zaira preenchia o ambiente.
Ela continuava a dormir profundamente, recuperando toda a energia que tinha perdido no templo.
Kael permanecia sentado ao lado da cama, segurando cuidadosamente a mão dela.
Selene observava a filha em silêncio.
Depois de alguns minutos, desviou o olhar para o curandeiro.
— Diga-me a verdade — pediu ela baixinho. — Como ela está realmente?
O velho curandeiro sorriu calmamente.
— A princesa está apenas extremamente cansada. O corpo dela passou por um enorme esforço mágico. Com descanso e cuidados, ficará bem.
Todos suspiraram de alívio.
Mas o curandeiro continuou:
— No entanto, a gravidez dela será um pouco diferente do habitual.
Kael levantou imediatamente a cabeça.
— Diferente como?
O curandeiro abriu um antigo livro de capa dourada que tinha trazido consigo.
— As Raposas Reais são muito raras. Existem poucos registos sobre elas, mas os antigos textos mencionam algo interessante.
Selene aproximou-se.
— O quê?
O curandeiro passou lentamente as páginas.
— Uma Raposa Real pode gerar desde um único filhote até vários filhotes numa mesma gravidez.
Arion piscou os olhos.
— Vários?
— Sim — confirmou o curandeiro. — O número varia muito. Algumas rainhas tiveram apenas um herdeiro. Outras tiveram dois, três ou até mais.
Selene olhou imediatamente para a filha adormecida.
— Eu só tive a Zaira...
O curandeiro sorriu.
— Porque cada gravidez é única. Além disso, a princesa Zaira possui uma linhagem muito especial.
Kael franziu a testa.
— Especial por causa do selo?
— Em parte. E também porque os filhotes terão sangue de Raposa Real e de Leão Real.
O quarto mergulhou num breve silêncio.
Arion cruzou os braços.
— Então não sabemos quantos filhotes haverá?
— Ainda não — respondeu o curandeiro. — É demasiado cedo para saber com certeza.
Selene levou uma mão ao peito.
— Um já seria uma bênção...
Kael olhou para Zaira e sorriu suavemente.
— Um ou dez, vou amá-los a todos.
Arion soltou uma pequena gargalhada.
— Espero que não sejam dez. O palácio não sobreviveria.
Selene sorriu pela primeira vez naquele dia.
Nesse exato momento, Zaira mexeu-se ligeiramente na cama.
Todos ficaram imediatamente atentos.
Os olhos dela abriram-se lentamente.
— Mãe...? — murmurou ela, ainda sonolenta.
Selene aproximou-se imediatamente.
— Estou aqui, meu amor.
Zaira olhou à sua volta, ainda confusa.
— O templo... Kael...
— Está tudo bem — respondeu Kael, acariciando delicadamente os cabelos dela. — Estamos em casa.
Os olhos verdes de Zaira encheram-se de lágrimas.
— Nós conseguimos voltar...
Kael assentiu.
— Sim.
Instintivamente, Zaira colocou as mãos sobre o ventre.
— E os bebés?
O curandeiro sorriu.
— Estão perfeitamente saudáveis.
Zaira fechou os olhos, aliviada.
Uma pequena lágrima escorreu-lhe pelo rosto.
— Graças aos céus...
Selene abraçou cuidadosamente a filha.
E, pela primeira vez desde os acontecimentos no templo, toda a família sentiu que talvez, apenas talvez, dias mais tranquilos estivessem finalmente a chegar.
Continua...