📖 Almas de Fera
Capítulo 8 – Distância Inesperada
Naquela noite, depois da conversa com Kael nos jardins, Zaira regressou silenciosamente aos seus aposentos.
As palavras dos nobres não saíam da sua cabeça.
"Ela pertence a outra tribo."
"Nunca houve uma união entre um rei leão e uma princesa raposa."
Zaira sentou-se junto à janela e observou o céu noturno.
Sabia que Kael tinha sido bondoso com ela. Ele salvara a sua vida, cuidara dela e protegera-a sem pedir nada em troca.
Mas também sabia que ele era um rei.
E ela, uma princesa de outra tribo.
Talvez tivesse permanecido demasiado tempo no palácio.
Talvez estivesse a causar problemas sem perceber.
Com esse pensamento, Zaira tomou uma decisão.
A partir daquele momento, manteria uma distância respeitosa.
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Na manhã seguinte, Kael, como de costume, foi procurar Zaira para tomarem o pequeno-almoço juntos.
Ao entrar na sala, encontrou-a já sentada à mesa.
— Bom dia, Zaira.
Ela levantou-se imediatamente e fez uma elegante reverência.
— Bom dia, Majestade Kael.
Kael ficou imóvel.
— ...Majestade?
Normalmente, Zaira chamava-o apenas de Kael.
— Espero que tenha descansado bem — continuou ela educadamente.
Kael franziu ligeiramente a testa.
— Sim. E tu?
— Muito bem, Majestade.
O rei estranhou o comportamento, mas não comentou.
Durante toda a refeição, Zaira manteve-se extremamente formal.
Respondia apenas quando alguém lhe fazia uma pergunta e evitava olhar diretamente para Kael.
Até os criados perceberam a mudança.
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Mais tarde, nos jardins, Kael encontrou-a a ler um livro.
— Zaira.
Ela fechou imediatamente o livro e levantou-se.
— Sim, Majestade?
Kael cruzou os braços.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não, Majestade.
— Tens a certeza?
— Absoluta.
Kael observou-a durante alguns segundos.
Algo estava errado.
Muito errado.
Mas antes que pudesse insistir, Zaira fez uma nova reverência.
— Se me permite, gostaria de regressar aos meus aposentos.
Sem esperar resposta, afastou-se calmamente.
Kael observou-a ir embora, completamente confuso.
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Nesse mesmo dia, Zaira foi procurar os pais.
Encontrou-os numa das salas reservadas à família real das Raposas.
— Pai, mãe, posso falar convosco?
Selene sorriu.
— Claro, querida.
Zaira respirou fundo.
— Quando regressaremos ao nosso reino?
Arion e Selene trocaram um olhar surpreso.
— Porque perguntas isso? — questionou Arion.
— Já estou recuperada. Não há motivo para continuarmos a incomodar o rei Kael e o seu povo.
Selene estreitou ligeiramente os olhos.
— Tens a certeza de que esse é o verdadeiro motivo?
Zaira desviou o olhar.
— Sim.
A rainha aproximou-se da filha.
— Zaira, aconteceu alguma coisa?
— Não.
— Estás estranha desde ontem.
Zaira permaneceu em silêncio durante alguns segundos.
Por fim, respondeu:
— Apenas acho que está na hora de voltar para casa.
Arion suspirou.
— Na verdade, planeávamos partir dentro de dois dias.
Zaira assentiu lentamente.
— Entendo.
Apesar de ter sido ela a fazer a pergunta, ao ouvir a resposta sentiu uma estranha dor no peito.
Selene percebeu imediatamente.
Mas decidiu não dizer nada.
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Nessa mesma tarde, Kael encontrou Arion no salão principal.
— Ouvi dizer que pretendem regressar em breve.
Arion assentiu.
— Sim. Dentro de dois dias.
Kael permaneceu em silêncio.
— Entendo.
Arion observou atentamente o jovem rei.
— Aconteceu alguma coisa entre ti e a minha filha?
Kael franziu a testa.
— Não que eu saiba.
— Então talvez devas falar com ela.
— Porquê?
Arion sorriu discretamente.
— Porque ela parece estar a fugir de alguma coisa.
Kael ficou pensativo.
Talvez estivesse na altura de descobrir o que realmente se passava com Zaira.
Continua...