📖 Almas de Fera
Capítulo 7 – Um Novo Começo
Na manhã seguinte, o palácio dos Leões estava mais agitado do que o normal.
A notícia de que a pequena raposa acolhida pelo rei Kael era, na verdade, a princesa Zaira da Tribo das Raposas, espalhou-se rapidamente por todo o reino.
Os criados cochichavam pelos corredores, e os guardas comentavam entre si.
— Então a raposa que roubava a coroa do rei era uma princesa? — perguntou um soldado, incrédulo.
— Isso explica muita coisa — respondeu outro, tentando conter o riso.
Enquanto isso, Zaira encontrava-se num dos quartos destinados aos hóspedes reais.
Ela observava o seu reflexo no espelho.
Já não estava na forma de raposa.
Os seus longos cabelos ruivos caíam pelas costas, e as suas orelhas e cauda de raposa moviam-se suavemente.
Apesar de estar feliz por finalmente ter recuperado a sua verdadeira forma, sentia-se nervosa.
Precisava enfrentar Kael.
Precisava agradecer-lhe adequadamente.
Respirando fundo, saiu do quarto.
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Pouco tempo depois, encontrou Kael nos jardins reais.
O rei treinava com uma espada de madeira contra vários guardas ao mesmo tempo.
Mesmo enfrentando três guerreiros experientes, Kael derrotou-os facilmente.
— Treino encerrado — anunciou ele.
Os guardas curvaram-se respeitosamente antes de se retirarem.
Foi então que Kael percebeu a presença de Zaira.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
Agora era diferente.
Já não era uma pequena raposa.
Era uma princesa.
— Como te sentes? — perguntou Kael finalmente.
— Muito melhor — respondeu Zaira com um pequeno sorriso.
Mais alguns segundos de silêncio.
— Obrigada.
Kael olhou para ela.
— Pelo quê?
— Por tudo.
Zaira baixou ligeiramente a cabeça.
— Por me salvares, cuidares de mim e protegeres-me mesmo sem saber quem eu era.
Kael observou-a calmamente.
— Não precisas agradecer.
— Preciso, sim.
Ela levantou o olhar.
— Se não me tivesses encontrado, provavelmente eu teria morrido.
Kael desviou os olhos.
— Apenas fiz o que qualquer rei deveria fazer.
Zaira sorriu.
— Não. Fizeste muito mais do que isso.
Kael não respondeu.
Por algum motivo, aquelas palavras fizeram o seu coração acelerar ligeiramente.
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Mais tarde, durante o almoço real, Arion observava discretamente a interação entre os dois jovens.
Sempre que Zaira falava, Kael prestava atenção.
Sempre que Kael dizia algo, Zaira sorria.
Selene aproximou-se discretamente do marido.
— Ainda achas que estou a imaginar coisas?
Arion suspirou.
— Não.
Os dois trocaram um olhar divertido.
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Ao cair da tarde, Zaira decidiu visitar os jardins sozinha.
Caminava tranquilamente entre as flores quando ouviu vozes.
Escondendo-se atrás de uma árvore, viu dois nobres da Tribo dos Leões.
— Não compreendo porque Sua Majestade está tão próximo da princesa das Raposas.
— Nem eu. Afinal, ela pertence a outra tribo.
— Além disso, nunca houve uma união entre um rei leão e uma princesa raposa.
Zaira baixou as orelhas.
Antes que pudesse afastar-se, outra voz ecoou.
— Isso não vos diz respeito.
Os dois nobres ficaram pálidos.
Kael aproximava-se lentamente.
— Majestade! Nós...
— A princesa Zaira é uma convidada de honra neste reino — disse Kael, com a voz firme. — E qualquer desrespeito para com ela será considerado um desrespeito contra mim.
Os nobres curvaram-se imediatamente.
— Perdoe-nos, Majestade!
Depois de os homens saírem apressadamente, Kael virou-se.
— Já podes sair.
Zaira apareceu lentamente.
— Ouviste tudo?
Kael assentiu.
Zaira desviou o olhar.
— Talvez eles tenham razão...
Kael franziu a testa.
— Sobre o quê?
— Somos de tribos diferentes.
Kael permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— Neste continente existem dezenas de tribos.
Ele aproximou-se.
— Mas isso nunca impediu a paz entre elas.
Zaira levantou lentamente o olhar.
Kael continuou:
— E não permitirei que ninguém te trate de forma diferente enquanto estiveres aqui.
Zaira sentiu o rosto aquecer.
Sem perceber, começou a sorrir.
Pela primeira vez desde o acidente, sentia que talvez o destino a tivesse levado até ali por uma razão.
Continua...