O carro parou em frente ao La Royale.
Respirei fundo antes de sair. O hotel era ainda mais impressionante de perto, com sua fachada de vidro iluminada e um saguão luxuoso que fazia qualquer um se sentir pequeno.
Atravessei as portas de entrada tentando ignorar a sensação de que não pertencia àquele lugar.
Fui até a recepção, onde um funcionário de terno impecável sorriu para mim.
— Boa noite, senhorita. Em que posso ajudá-la?
— Tem uma reserva para… Babi.
O recepcionista não demonstrou nenhuma reação ao nome incomum. Apenas digitou algo no computador e depois pegou um cartão-chave.
— Quarto 1205. Elevadores à sua direita.
Peguei a chave com os dedos um pouco trêmulos.
Segui para os elevadores, subi até o 12º andar e parei diante da porta numerada.
Respirei fundo uma última vez.
Girei a maçaneta e entrei.
O quarto era algo saído de um sonho.
Um espaço enorme, iluminado por luzes suaves embutidas no teto. O chão de mármore brilhava sob meus pés, e o tapete felpudo no centro parecia tão macio que tive vontade de me deitar ali mesmo. Uma cama king size, impecavelmente arrumada com lençóis brancos e travesseiros fofos, dominava a parede principal.
As cortinas de um azul profundo estavam entreabertas, revelando uma vista impressionante da cidade, com suas luzes piscando como estrelas artificiais. O sofá de couro creme combinava perfeitamente com a mesa de vidro, onde repousava uma garrafa de uísque ao lado de dois copos vazios.
Havia até uma varanda.
Retirei o casaco devagar, ainda absorvendo cada detalhe. Aquele lugar parecia de outro mundo, tão diferente do meu apartamento pequeno e gasto, onde cada móvel era de segunda mão e as paredes tinham rachaduras que meu senhorio se recusava a consertar.
Passei a ponta dos dedos pelo encosto do sofá, sentindo a textura suave do couro. Será que algum dia eu teria acesso a esse tipo de vida sem precisar… me vender?
Um som repentino quebrou meus pensamentos.
TOC, TOC, TOC.
Congelei.
A batida na porta me trouxe de volta à realidade.
Meus músculos ficaram ainda mais tensos.
E se ele tivesse mentido? E se fosse um velho barrigudo e suado, como os que Zoe já encontrou? Eu nunca confiei totalmente naquele site.
Mas agora não podia simplesmente sair correndo.
Respirei fundo, virei a maçaneta e abri a porta.
Meu coração quase parou.
Diante de mim estava um homem absurdamente bonito.
Alto, de ombros largos e corpo bem definido, vestido em um terno escuro perfeitamente ajustado. O tecido desenhava sua silhueta musculosa de um jeito quase irritante.
O cabelo loiro e liso caía levemente sobre o rosto, os fios bagunçados de um jeito que parecia ao mesmo tempo natural e meticulosamente calculado. Seus olhos eram de um azul escuro intenso, penetrantes e avaliadores.
Ele parecia mais jovem que 32 anos, mas sua postura e expressão séria exalavam uma maturidade inquestionável.
— Boa noite.
Disse, com uma voz grave e firme.
Sem esperar minha resposta, passou por mim, entrando no quarto como se já fosse o dono.
Pisquei, surpresa com a atitude.
— Feche a porta.
Acrescentou, sem olhar para trás.
Mordi os lábios.
O tom autoritário não me agradou, mas permaneci em silêncio.
Afinal, ele estava pagando por isso.
Duzentos dólares apenas para um encontro. Apenas para conversar, segundo ele.
Fechei a porta devagar, sentindo meu estômago revirar.
Algo me dizia que essa noite seria diferente de qualquer outra da minha vida.
O olhar dele era afiado. Intenso.
Eu tentei fingir que não percebia, mas ele nem se dava ao trabalho de disfarçar. Os olhos azul-escuros me percorreram dos pés à cabeça, devagar, calculando. Não era um olhar admirado.
Era avaliativo.
Como se eu fosse um produto.
Depois de um longo silêncio, ele suspirou.
E não foi um suspiro satisfeito.
Foi… de decepção?
Meu peito apertou. Meus dedos se fecharam discretamente contra o tecido do vestido. O que ele esperava? Uma modelo de capa de revista? Alguém mais alta? Mais sofisticada? Mais… tudo?
Sem dizer nada, ele se afastou e foi até o mini bar no canto do quarto. Cada movimento dele era controlado, preciso. Pegou uma garrafa de uísque, serviu duas doses em copos baixos de cristal e voltou até mim.
Estendeu um dos copos.
Eu aceitei, mas não tinha a menor intenção de beber.