Capítulo 5

714 Words
O carro parou em frente ao La Royale. Respirei fundo antes de sair. O hotel era ainda mais impressionante de perto, com sua fachada de vidro iluminada e um saguão luxuoso que fazia qualquer um se sentir pequeno. Atravessei as portas de entrada tentando ignorar a sensação de que não pertencia àquele lugar. Fui até a recepção, onde um funcionário de terno impecável sorriu para mim. — Boa noite, senhorita. Em que posso ajudá-la? — Tem uma reserva para… Babi. O recepcionista não demonstrou nenhuma reação ao nome incomum. Apenas digitou algo no computador e depois pegou um cartão-chave. — Quarto 1205. Elevadores à sua direita. Peguei a chave com os dedos um pouco trêmulos. Segui para os elevadores, subi até o 12º andar e parei diante da porta numerada. Respirei fundo uma última vez. Girei a maçaneta e entrei. O quarto era algo saído de um sonho. Um espaço enorme, iluminado por luzes suaves embutidas no teto. O chão de mármore brilhava sob meus pés, e o tapete felpudo no centro parecia tão macio que tive vontade de me deitar ali mesmo. Uma cama king size, impecavelmente arrumada com lençóis brancos e travesseiros fofos, dominava a parede principal. As cortinas de um azul profundo estavam entreabertas, revelando uma vista impressionante da cidade, com suas luzes piscando como estrelas artificiais. O sofá de couro creme combinava perfeitamente com a mesa de vidro, onde repousava uma garrafa de uísque ao lado de dois copos vazios. Havia até uma varanda. Retirei o casaco devagar, ainda absorvendo cada detalhe. Aquele lugar parecia de outro mundo, tão diferente do meu apartamento pequeno e gasto, onde cada móvel era de segunda mão e as paredes tinham rachaduras que meu senhorio se recusava a consertar. Passei a ponta dos dedos pelo encosto do sofá, sentindo a textura suave do couro. Será que algum dia eu teria acesso a esse tipo de vida sem precisar… me vender? Um som repentino quebrou meus pensamentos. TOC, TOC, TOC. Congelei. A batida na porta me trouxe de volta à realidade. Meus músculos ficaram ainda mais tensos. E se ele tivesse mentido? E se fosse um velho barrigudo e suado, como os que Zoe já encontrou? Eu nunca confiei totalmente naquele site. Mas agora não podia simplesmente sair correndo. Respirei fundo, virei a maçaneta e abri a porta. Meu coração quase parou. Diante de mim estava um homem absurdamente bonito. Alto, de ombros largos e corpo bem definido, vestido em um terno escuro perfeitamente ajustado. O tecido desenhava sua silhueta musculosa de um jeito quase irritante. O cabelo loiro e liso caía levemente sobre o rosto, os fios bagunçados de um jeito que parecia ao mesmo tempo natural e meticulosamente calculado. Seus olhos eram de um azul escuro intenso, penetrantes e avaliadores. Ele parecia mais jovem que 32 anos, mas sua postura e expressão séria exalavam uma maturidade inquestionável. — Boa noite. Disse, com uma voz grave e firme. Sem esperar minha resposta, passou por mim, entrando no quarto como se já fosse o dono. Pisquei, surpresa com a atitude. — Feche a porta. Acrescentou, sem olhar para trás. Mordi os lábios. O tom autoritário não me agradou, mas permaneci em silêncio. Afinal, ele estava pagando por isso. Duzentos dólares apenas para um encontro. Apenas para conversar, segundo ele. Fechei a porta devagar, sentindo meu estômago revirar. Algo me dizia que essa noite seria diferente de qualquer outra da minha vida. O olhar dele era afiado. Intenso. Eu tentei fingir que não percebia, mas ele nem se dava ao trabalho de disfarçar. Os olhos azul-escuros me percorreram dos pés à cabeça, devagar, calculando. Não era um olhar admirado. Era avaliativo. Como se eu fosse um produto. Depois de um longo silêncio, ele suspirou. E não foi um suspiro satisfeito. Foi… de decepção? Meu peito apertou. Meus dedos se fecharam discretamente contra o tecido do vestido. O que ele esperava? Uma modelo de capa de revista? Alguém mais alta? Mais sofisticada? Mais… tudo? Sem dizer nada, ele se afastou e foi até o mini bar no canto do quarto. Cada movimento dele era controlado, preciso. Pegou uma garrafa de uísque, serviu duas doses em copos baixos de cristal e voltou até mim. Estendeu um dos copos. Eu aceitei, mas não tinha a menor intenção de beber.
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