Eu sabia que deveria dizer não.
Que deveria recusar esse jogo de poder que ele claramente adorava jogar.
Mas a verdade era que eu estava fascinada.
Ele era um mistério.
Um perigo.
E uma proposta tentadora.
— Tudo bem.
Eu disse, antes que pudesse mudar de ideia.
Yanek sorriu.
— Ótimo.
Ele pegou um pequeno cartão preto e o deslizou pela mesa.
— Escreva seu endereço atrás. Meu motorista estará lá pontualmente às nove.
Peguei o cartão, hesitante, mas acabei pegando a caneta e escrevendo.
Quando terminei, entreguei de volta para ele.
Yanek o guardou no bolso interno do paletó.
Depois, terminou o vinho e se levantou.
— Te vejo amanhã.
Sem dizer mais nada, saiu do restaurante, deixando-me com um milhão de pensamentos confusos.
E, talvez, uma perigosa excitação pelo dia seguinte.
Passei a noite rolando na cama, incapaz de pegar no sono. Meus pensamentos estavam inquietos, girando em torno de Yanek, do encontro inesperado no restaurante e do que aquilo significava. O fato de ele ter “interrompido” meu jantar com Michael era algo que eu ainda não entendia completamente.
Mas, no fundo, eu me sentia estranhamente agradecida. Mesmo sem conhecê-lo direito, alguma coisa me dizia que Yanek não estava exagerando.
Por volta das duas da manhã, peguei o celular e mandei uma mensagem para Zoe:
Eu: "Ei, estou em casa. Você não vai acreditar no que aconteceu."
Zoe: "O quê? Me conta!!!"
Resumi tudo, o encontro com Michael, Yanek aparecendo do nada, a conversa tensa e o convite para um novo encontro pela manhã. Zoe surtou.
Zoe: "MENINA!!! Você TEM que aproveitar isso! Você tem ideia de quantas garotas dariam tudo pra estar no seu lugar??"
Eu: "Sei lá, Zoe. Ele é tão... complicado."
Zoe: "Complicado e rico! Se joga!"
Conversamos mais um pouco, e mencionei Michael. Zoe disse que nunca tinha ouvido nada sobre ele, mas que as sugar babies costumavam ser discretas e ela conhecia poucas.
Ao encerrar a conversa, fiquei deitada olhando para o teto.
Apesar de tudo, eu sentia um certo alívio. Talvez Yanek realmente tivesse feito um favor a mim.
—
Na manhã seguinte, acordei cedo, tomei um banho e escolhi uma roupa simples, mas elegante. Optei por uma blusa branca de manga longa justa e uma saia lápis preta, combinando com um scarpin discreto.
Pontualmente às nove, um carro preto parou em frente ao meu prédio. Olhei pela janela e vi um homem alto e forte, de terno preto, saindo do veículo e conferindo o relógio.
Peguei a bolsa e desci.
— Senhorita Llanos?
Ele me cumprimentou assim que me aproximei.
— Sim.
— Sou Gabe, motorista do senhor Kovalev-Harris.
Ele abriu a porta para eu entrar.
Percebi que, apesar do título de motorista, Gabe tinha todo o porte de um segurança particular.
— Obrigada.
Eu disse, entrando no carro.
Gabe não era muito falante, mas era educado. Dirigia com precisão, sem desviar o olhar da estrada.
Menos de dez minutos depois, chegamos ao hotel cinco estrelas.
Eu já conhecia o caminho. Peguei a chave na recepção, como da última vez, e subi até o quarto.
Ao abrir a porta, encontrei Yanek já à minha espera.
Ele estava sentado em uma cadeira próxima a uma mesa, usando um terno impecável, com o paletó aberto e a gravata ligeiramente afrouxada.
Seu olhar azul-escuro percorreu meu corpo de cima a baixo, avaliando-me.
— Bom dia.
Disse, com a voz calma.
— Bom dia.
Respondi um pouco nervosa demais, fechando a porta atrás de mim.
Yanek fez um gesto para que eu me sentasse na cadeira à sua frente.
Hesitei por um momento, mas então caminhei até a mesa e me sentei.
— Dormiu bem?
Ele perguntou.
Pisquei. Não esperava esse tipo de pergunta dele.
— Ah... Sim.
Menti.
Yanek arqueou uma sobrancelha.
— Você hesitou. O que significa que não dormiu bem.
Me mexi na cadeira, desconfortável com a facilidade que ele tinha para ler minhas reações.
— Só estava com a cabeça cheia.
Respondi.
Ele não insistiu no assunto, apenas deslizou um papel pela mesa em minha direção.
— Leia isso.
Peguei a folha, franzindo a testa.
— O que é isso?
— Um contrato.
Senti um frio na espinha.
— Contrato?
Yanek cruzou os dedos sobre a mesa, mantendo o olhar fixo em mim.