Capítulo 31

1722 Words
Kalel moveu-se em um silêncio carregado de desejo e possessão. Em um ritmo lento e deliberado, ele meteu o mais fundo que pôde, sentindo cada centímetro da i********e de Cássia, que o apertava em resposta. Seus olhos percorriam o corpo dela, que estava de quatro na beirada da cama, enquanto suas mãos a acariciavam e apertavam, uma mistura de reverência e urgência. Ele a admirava, cada curva, cada tremor dela sob seu toque. A paixão só aumentou. Kalel a segurou pelos cabelos, um gesto que misturava carinho e um domínio instintivo. Com a nova pegada, ele começou a meter mais forte, com o ritmo acelerando, impulsionado pela fúria de sensações. A cada estocada, a fricção de seus corpos molhados pelo suor e pela lubrificação dava eco no quarto pequeno, um som pulsante que se misturava aos gemidos cada vez mais altos e desinibidos de Cássia. O mundo exterior desapareceu, restando apenas a intensidade daquele momento, a união de dois corpos em um ato de pura e desesperada paixão. Kalel se afastou, saindo de dentro de Cássia, com o p*u melado e brilhante à luz tênue do quarto. Com um movimento ágil, ele a virou de barriga para cima, subiu sobre ela, com o corpo ainda pulsando de desejo, e a beijou ardentemente, com os lábios famintos explorando cada canto da boca dela. Cássia, sentindo a falta dele dentro de si, agarrou-se a ele também, parecendo desesperada, como se a vida dependesse daquele contato. Sem hesitar, Kalel a penetrou rapidamente, sentindo o encaixe perfeito de seus corpos. Seus movimentos se sincronizaram em uma total sintonia, uma dança rítmica de prazer onde os beijos se multiplicavam, roubando o ar de seus pulmões e os levando à beira da exaustão. Aquela transa, mais do que um simples ato físico, tinha um significado importante, e ambos sabiam disso, embora cada um o visse de uma maneira diferente. Para ela, era uma despedida, um último suspiro de paixão antes de voltar à sua dura realidade. Para ele, era um recomeço, a tentativa de selar uma reconciliação e um futuro juntos. Ao alcançar o êxtase, completamente unido a ela, Kalel a olhou e sorriu satisfeito, um sorriso enigmático que parecia conter todas as suas intenções e segredos. Ofegantes, os dois se deitaram lado a lado na cama. Cássia sentia a i********e latejando e uma dor no pé da barriga, reflexo da intensidade do momento. Kalel entrelaçou suas mãos nas dela. Cássia, no entanto, logo soltou a mão dele e se levantou. Uma expressão séria e um visível arrependimento tomaram conta de seu rosto. Ela caminhou para o banheiro, com o corpo fraco. Lá dentro, o som da água do chuveiro se misturou a seu choro. Ela chorava, ciente de que estava muito envolvida e que, apesar de tudo, não poderia ter nada com ele. Kalel, sentindo a fuga de Cássia, seguiu-a até o banheiro. Encontrou a porta trancada. Bateu levemente, com a voz cheia de preocupação. — Cássia, está tudo bem? A porta se abriu bruscamente. Cássia surgiu enrolada em uma toalha, com os olhos vermelhos e a expressão séria, quase furiosa. — Não tem nada bem! — ela disparou, com a voz embargada. — Você acabou com o sossego da minha vida! Ela deu um passo à frente, com a dor se transformando em raiva. — Já te dei um pouco do que buscava, Kalel: diversão. Agora vai embora e nunca mais volta aqui. — A voz dela quebrou, a súplica substituindo a raiva por um instante. — Eu estou te pedindo, implorando. Não me procure mais. Eu não preciso do seu dinheiro ou da sua pena. Cássia balançou a cabeça, com as lágrimas escorrendo livremente. — Você deve estar acostumado a resolver tudo com dinheiro, mas olha só: o dinheiro não faz ninguém voltar no tempo. — Ela fez uma pausa, com o olhar fixo nele. — A única coisa que realmente me ajudaria seria isso. Ela se virou abruptamente e foi para o quarto, deixando Kalel desorientado no corredor. Ele entrou no banheiro, sentindo-se um intruso, e se lavou rapidamente, com o banho não aliviando o calor da culpa. Ao se vestir, viu Cássia na cozinha, as mãos tremendo enquanto ela chorava. Pela primeira vez em muito tempo, Kalel não soube o que fazer por ela. Ficou olhando a cena de Cássia chorando na cozinha, com pedidos de desculpas martelando em sua mente. Com um suspiro pesado, ele foi até ela, com seu rosto sério, tentando manter a compostura. — Cássia, por favor, pense melhor. — ele pediu, com a voz baixa. — Me procure depois. Eu vou ficar na ilha até o final do feriado prolongado. Ele se aproximou um pouco mais, com a urgência em seu tom evidente. — Eu adoraria te ajudar. Adoraria estar com você. Fazer qualquer coisa que você quiser. Cássia permaneceu cabisbaixa, cortando pedaços de frango, parecendo indiferente à sua presença e às suas palavras. O silêncio dela, carregado de dor e desprezo, era mais cortante do que qualquer grito. Sem mais o que fazer ou dizer, Kalel deu as costas e saiu da casa com um nó na garganta. Retornou ao resort, sentindo-se m*l, prepotente, com a imagem da fragilidade e da dignidade ferida de Cássia gravada em sua mente. Apesar de tudo, uma ponta de esperança teimava em persistir. Uma sensação de que tudo poderia mudar, de que ela seria realista e acabaria por aceitar a ajuda financeira que ele teimosamente acreditava ser a única solução. Cássia permaneceu arrasada. A proposta de Kalel, por mais tentadora que pudesse parecer a outros, não a moveu. Em momento algum ela cogitou aceitar a ajuda dele, a dignidade ferida e a dor da mentira eram mais fortes que qualquer oferta financeira. Ela ficou até tarde adiantando as tortas e geladinhos que faria para vender na praia, quase não dormindo na noite anterior. Levantou muito cedo, antes mesmo do sol aparecer por completo. Encheu o isopor e o cooler com suas mercadorias, preparou-se para um dia longo e exaustivo. Com a determinação de quem não tinha outra escolha, ela foi à luta, caminhando em direção à praia para vender suas tortas e geladinhos. O calor já era intenso; às nove da manhã, os termômetros marcavam trinta graus. Cássia estava andando muito, sem parar, sob o sol escaldante. Vestia um shorts-saia jeans e uma camiseta folgada, com um biquíni por baixo, pronta para enfrentar o dia na praia. Ela estava de folga da pousada, mas não do trabalho, e pretendia ficar ali o dia todo, vendendo e lutando para se reerguer. Kalel estava entediado em seu quarto. A ansiedade de ver Cássia e a frustração da noite anterior o consumiam. Resolveu sair, vestindo uma bermuda de academia, chinelos e uma camisa verde mais viva, menos clássica, além de um boné e óculos escuros. Não era o disfarce de "turista pobre", mas uma tentativa de se misturar sem a formalidade de sua vida em São Paulo. Foi direto para o quiosque que um dia pertenceu a ela. Pediu um "Caissicana". O novo dono, um rapaz que o reconheceu, respondeu confuso: — Olha, os clientes estão sempre pedindo esse drink, mas eu não sei o que é, não está no cardápio. Ele ainda comentou, sem saber a dimensão do que falava: — A Cássia passou por aqui mais cedo e disse que não lembrava da receita. Kalel ficou pensativo. A ausência da receita era mais um sinal do quão abalada Cássia estava. Pegou uma água de coco e ficou encostado, observando o movimento da praia. Estava lotada, cheia de pessoas aproveitando o feriado. De repente, seus olhos a avistaram. No meio da areia, estava Cássia. Usava um boné, e seus cabelos soltos balançavam ao vento. Carregava um isopor grande pendurado, e um cooler no ombro, visivelmente pesado. Ela caminhava lentamente, oferecendo suas coisas para as pessoas no caminho. Algumas compravam, e Cássia sorria, era simpática, mesmo com o esforço. Era nítido que estava pesado e que ela estava cansada, mas seguia em frente, um retrato da sua luta incansável. Kalel não aguentou mais assistir. Deixou a água de coco de lado e caminhou pela areia em direção a Cássia. Aproximou-se por trás dela, com o coração apertado ao ver o esforço em seu rosto. — Cássia, deixa eu te ajudar. — ele disse, com a voz apreensiva, estendendo a mão para o cooler. — O que tem aí? Ele pegou o cooler antes que ela pudesse impedi-lo. Cássia virou-se para ele, com o olhar sério e carregado de hostilidade. — Não quero sua ajuda. — ela respondeu, com a voz carregada de cinismo. — Vai ajudar hoje e desaparecer amanhã. Quer um geladinho? Pega! Não precisa pagar, afinal você é um coitado, que dorme na rua e se enfia na casa dos outros. Kalel ignorou a provocação sobre sua falsa identidade. Seus olhos estavam fixos no conteúdo do cooler, tentando ver o que ela vendia. — Tem do quê? — ele perguntou, com a voz séria, sem se abalar pela hostilidade. — Você está sendo dura demais comigo. Eu até entendo que tive culpa e errei. Mas eu não fiz nada para te prejudicar. Cássia respirou fundo, tentando controlar a irritação. — Tem de maracujá, chocolate e morango. — ela disse, apontando para o cooler que ele segurava. Kalel fechou o cooler com um clique decidido. — Vou vender tudo isso. E depois, vamos conversar. Sei que está magoada, e eu entendo. Ela tentou tomar o cooler de volta, brava. — Para de ser ridículo! Você não vai me impressionar fazendo qualquer trabalho braçal, só vai me irritar cada vez mais! Eu sei que para você tudo não passa de uma brincadeira, mas isso faz parte do meu sustento, não tem graça! Ele a impediu de pegar, segurando o cooler firmemente. — Vou esperar você no quiosque quando acabar. — Kalel disse, com um tom de finalidade. Ele saiu andando pela orla, com o cooler, algo inusitado para sua figura elegante. Começou a oferecer os produtos, e para surpresa de Cássia e dele mesmo, vendeu tudo rapidamente. Ele m*l sabia os sabores, mas sua boa aparência, a lábia afiada e a simpatia natural cativaram as pessoas na praia. A ironia era c***l: o homem que ela desprezava por sua fortuna, agora vendia seu sustento com uma facilidade que a ela custava horas de esforço.
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