João Miguel

1460 Words
Olhando para o berço comecei a ter dimensão do que estava acontecendo. Agora eu era mãe! Mãe! Que deus me ajude, onde eu estava com a cabeça? A lembrei eu estava com a cabeça cheia de álcool! Claro eu tive nove meses para me adaptar a ideia de que seria mãe, mais agora vendo aquele bebe, frágil e delicado ali dormindo a fica começou a cair e ela começou a entrar em pânico! E se ela não fosse uma boa mãe? E se ela deixasse alguma coisa falta para ele? E se ele a odiasse quando fosse mais velho? Deus por que eu estava pensando isso tudo justo agora? Nunca foi meu plano ser mãe, na verdade eu nunca tive esse sonho, e bastou uma noite para tudo isso mudar. Ouvi alguém bater na porta e delicadamente sai do quarto do bebê, fui até a sala e abri a porta, já sabia que eram, o interfone tocou a poucos minutos quando o porteiro tinha anunciado que o Gabriel estava esperando. Gabriel, ele era o pai do meu filho e meu antigo rival da faculdade, eu jamais esperava que no fim eu seria obrigada a vê-lo depois da faculdade, e mais uma vez o destino riu na minha cara. O destino é um bicho sádico e m*****o! Quando abri a porta encontro ele cheio de coisas e parecia ofegante. -Deus, você veio correndo?-perguntei baixo. -Sabe que sou asmático, não quis fazer duas viagens com as coisas- reclamou ele ofegante- Posso?-perguntou ele e eu dei passagem para ele entrar, havia várias e várias sacolas e um pacote enorme do fraldas na porta do meu apartamento, fui para pega-la e ele me segurou- Está louca ? acabou de ter um bebe não pode ficar fazendo força- revirei os olhos. -Foi parto normal, sabe que a recuperação é rápida- ele fez a careta típica dele quando ele descordava de mim na sala de aula. -Eu sei, mais não precisa fazer isso, deixe ai que eu pego- levantei as mãos me rendendo, olhei para as coisas eu ri um pouco baixo, ok eu não era a mais expert em questões relacionadas a bebe, mais eu acho que ele tinha exagerado nas coisas que tinha comprado. -Gabriel, comprou coisas até nosso filho fazer 18 anos?- perguntei de modo irônico e ele revirou os olhos. -O João vai acabar com isso antes do aniversario dele de um ano, vai por mim- sorri um pouco me abraçando, eu poderia reclamar de qualquer coisa nesse mundo, mais eu teria que pensar mil vezes antes de falar alguma coisa do Gabriel, ele era o melhor pai que alguém poderia ter, no momento que eu falei que eu estava gravida e ele era o pai, ele me ajudou em tudo- claro tirando o fato que ele passou a usar mais a bombinha de asma dele- ele nunca nem se quer desconfiou da paternidade, até por que ele foi o único cara que eu havia transado em dois anos, e mesmo eu dizendo que não ficaria ofendida se ele quisesse fazer o teste de paternidade, ele se recusou a fazer, e nem precisou no momento que eu tive o João eu sabia que seria a cara do Gabriel, o cabelo era preto igual ao dele e bem, o João tinha uma marca de nascença no bumbum a mesma do Gabriel – a única coisa que eu lembro da noite em que transamos- e sei que a única coisa que colaborei foi dando meu útero para ele se acomodar por nove meses. -Ainda está lendo aquele livro?-perguntei e ele tirou alguns lenços umedecidos da sacola, e ajeitou com o indicador o óculos que aumentavam drasticamente o tamanho dos seus olhos, já que ele era míope e o grau dele era altíssimo, seus olhos verdes sempre se destacavam através da lente. -Sim, por isso eu comprei esse tanto de coisa antes prevenir do que remediar, e bem eu moro longe do seu bairro me tranquiliza saber que você tem tudo para o João aqui- sorri o olhando tirar as coisas da sacola. Eu o odiava por esse mesmo motivo na faculdade, ele sempre foi muito certinho, muito inteligente e sempre o melhor da turma, não que eu fosse ao contrário, eu era uma das alunas que se formaram com honras, mais eu sabia que eu poderia ser uma boa estudante e ter uma vida social, de vez em quando eu faltava na sexta feira para ir no barzinho com a turma, ou sei lá faltava por que estava muito cansada do serviço, e como eu já trabalhava como técnica de enfermagem eu sabia muita coisa sobrea área – mesmo a gente fazendo curso de Fisioterapia- e isso deixava o Gabriel extremamente irritado. Ele ao contrário de mim não perdia uma aula, sempre sentava na frente, e claro nos estágios sempre estava disposto a fazer tudo e isso me irritava por que eu era competitiva e ele também e acabava sempre no fim da aula nos dois brigando. Eu não via a hora de me formar e nunca mais ver a cara dele, e justo no dia da nossa formatura ele resolveu beber, e bebeu além do que ele podia aguentar, e eu também, e no fim das contas foi na cama dele que eu acordei na manhã seguinte, mais agora vendo ele contar quantos pacotes de lenço trouxe eu respirei aliviada, graças a deus eu tinha dormido com ele, por que se fosse outro eu seria mãe solo, me doi admitir que ter o Gabriel comigo me da um pouco de paz. -Falando nisso você foi no registrar ele?-perguntei e ele se levantou procurando alguma sacola e de uma delas puxou uma pasta. -Aqui- ele me entregou e eu abri, suspirei aliviada ao ver que meu filho agora estava registrado, e tinha o nome do pai na certidão- Ficou um nome bonito- disse o Gabriel empilhando as fraldas por tamanhos e eu sorri olhando para a certidão. -É ficou mesmo- e tinha ficado, João era o nome do meu pai, e Miguel o nome do pai do Gabriel e então resolvemos juntar- João Miguel Dantas Ruiz – Ele parou de arrumar as coisas e me olhou através daquelas varias lentes do óculos dele. -Ainda não acredito que sou pai- o olhei sorrindo. -Se isso te serve de consolo eu também não acredito que sou mãe- disse pegando um talco- Gabriel não precisa comprar da marca mais cara, qualquer talco serve- ele fez careta para mim. -Meu filho não vai usar qualquer coisa- eu odiaria ele dizendo isso em outra ocasião. -Eu sei, mais essas coisas são caras uma hora vai pesar o importante é não deixar assar- ele deu ombros. -Enquanto eu der conta vou comprar da melhor marca – neguei sorrindo e fui pegando as coisas e colocando no quarto/ escritório que o João estava, quando finalmente estava todo o estoque dentro das gavetas vi o Gabriel ficar parado no berço, e fui ao lado dele- Se arrepende?-perguntou ele baixo e eu o olhei confusa- Se arrepende de ter continuado a gestação?- eu o olhei por alguns segundo e neguei. -Não vou negar que pensei nisso- disse olhando para o João- Nunca quis ser mãe, nem jeito com criança eu tenho, deus passou tanta coisa pela minha cabeça- suspirei e o olhei- Mais não vou negar, sabendo que você é o pai deixa as coisas tudo mais fácil- ele me olhou surpreso. -Por que?-perguntou. -Você não me abandonou- ele suspirou e deu ombros. -Eu não fiz do que minha obrigação, o filho é meu também- sorri para ele. -Eu sei, mais você sabe que a realidade é outra, a maioria some- ele suspirou também agora olhando para o João. -Ele é minha cara não é?- sorri o olhando, fazia poucas horas que ele estava dormindo, era estranho ele chorava pouco e era tão bonzinho. -Eu só ajudei com o útero- ele riu baixo. -As vezes os olhos pode ser igual o seu- o olhe fazendo careta. -Não espero que tenha a mesma cor do seu- ele sorriu e então suspirou de novo- Va descansar- disse e ele me olhou. -Quem teve filho foi você, eu que devia ficar aqui e te ajudar- sorri um pouco. -Ele nem se quer chora, é muito bonzinho, você usou a bombinha umas 4 vezes durante o parto, correu para comprar coisas que o bebe já tinha, foi registrar ele e voltou aqui de novo- ele passou a mão sobre o rosto cansado. -Eu tenho que parar de ser assim, deus eu sou muito afobado- ri um pouco colocando a mão no ombro dele. -Vá para casa, se eu precisar eu te ligo- ele assentiu e então foi embora, e então ficou só eu e o João sozinhos. 
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD