Capítulo 14. Recaída Arrependida...

1095 Words
7 de maio de 2015, Morro do Batan, Realengo Era insuportável a falta que ela me fazia. Bastava sentir seu beijo que a mão logo procurava seu cabelo e eu precisava me conter ‘pra não mandar — ela sempre se submetia e me obedecia. Subiu no meu colo e eu só me deixei consumir pelo extremo relaxamento que seu corpo me causava. Naquele momento, soube que não importava, ela sempre seria a mulher mais linda daquele morro. Nem os machucados podiam diminuir essa sensação. Lena sempre gemia baixo com vergonha. Rubor tomava seu rosto e seus olhos me imploravam — ah, eu realmente sentia saudade daquele olhar! Ela me deixava maluco com pouco. Talvez fosse coisa da minha cabeça ou só meu corpo implorando pela dona — isso seria muito difícil de saber. Até deixei que ela, com os braços envoltos em meu pescoço, medisse o quanto me sentiria, mas eu sempre fui muito mais enérgico que aquilo. Quando ela mostrou fraqueza na perna — o que nunca demorava quando ela ‘tava chapadinha —, eu só me recostei no sofá ‘pra tomá-la pela cintura. Eu podia fazer todo o trabalho de matar a minha saudade do meu jeito. Isso fez o volume de seus gemidos aumentarem e eu só sorri largo por isso. Era sempre com ela que eu cometia o vacilo de esquecer a porrä da camisinha. Não foi diferente naquele momento, ela era quente demais ‘pra negar. — Cacetë, Lena! — sibilei, arfando forte. — Eu te odeio! — Ela falou por entre gemidos e eu só sorri. Já estava quase gozando e bastou ouvir sua voz. Ainda apertei sua cintura; o corpo queria muito mais, mas lembrei do garoto e olhei ‘pro relógio: quase meio-dia, já não podia continuar. — Odeia porrä nenhuma! — retruquei, voltando a tomá-la pelo cabelo, só ‘pra ouvir o gemido. — Ninguém vai ser como eu, Lena... Nunca esquece disso! Ela fitou meus olhos com melancolia. A onda pegou forte, me fez recorrer a um cigarro e eu peguei o rádio ‘pra fazer alguém ir atrás do moleque — provavelmente eu não chegaria tão rápido. — ‘Cê devia parar com isso... — Ela ainda estava ofegante. — A gente devia parar com isso. Que inferno! — ‘Cê pode até não acreditar, mas eu te amo ‘pra caralhö. — Dei um trago generoso. — Se adianta, Lena... — Deixei o cigarro na boca ‘pra tomá-la pela cintura. Ela gemeu quando a tirei do meu colo, mas a sentei ao lado. O arrependimento sempre batia rápido — dessa vez, foi por lembrar de VK no lado de fora. — Ainda sou a mãe do seu filho, me respeita! — Ela fechou a cara. — Não sou como nenhuma delas... — O que quer que eu faça? — Eu a olhei de canto. — Se adianta, não é o que eu quero ouvir! — Não me tenta. — Virei o rosto ‘pra encará-la. — Não sou só o melhor homem que vai te fodër, nem só o melhor pai. Tenho poder ‘pra caralhö e só não uso ‘pra te prender na minha casa ‘pra tentar me manter são. — ‘Cê é escroto! — retrucou. — Você nem sabe o quanto posso ser pior — ameacei. — É melhor você se adiantar. Teu macho deve ‘tá lá fora ainda... — Engoli seco, afinal, a vontade era só sair e atirar em meio mundo de gente. Ela se ajeitou e saiu, batendo o pé. Era um inferno. Eu estava mais relaxado e mais estressado simultaneamente. Ainda me recostei no sofá, ajeitei a bermuda e terminei o cigarro na paz. O objetivo era só estar menos chapado quando Miguel chegasse. Um pouco de colírio e óculos foram mais que suficientes ‘pra dar uma disfarçada. — Alguém sobe com a porrä do meu almoço! — Foi a única ordem que dei no rádio, me levantando. — Já ‘tô com o garoto e com a mina. A gente ‘tá lidando com isso, chefe. — A resposta foi até rápida. Não respondi. Fui até a cozinha ‘pra beber minha água — aquela deu uma sede da porrä! Ainda sentei na bancada, olhando na direção da porta. Vivi muita coisa até ali e isso sempre martelava na cabeça. Nem saberia dizer se estava realmente satisfeito com aquela merda toda. Antes que a onda ficasse mais depressiva, eu peguei meu caderno sobre a geladeira ‘pra ver os carregamentos dos próximos dias. Eu já tinha tudo esquematizado. Tomei uma nota mental de quem contactar no decorrer do dia, isto é, até o momento do baile onde eu me dedicaria apenas a ele. — ‘Tô caindo no Batan hoje. — Era Filho no rádio, o gerente da favela vizinha. Quase meu chefe, só pelo tempo a mais que ele tinha dedicado à facção. — Só chegar. Treta, ‘né!? — respondi rápido. — Alguma... Preciso de um suporte. — Vou preparar a tropa ‘pra te receber. — Valeu, cria. Respirei fundo, adicionando mais aquele trabalho na lista. Não demorou ‘pra Miguel chegar; entrou com Alma, mas o soldado se adiantou. — ‘Bença, pai. — Ele sorriu. — Que Deus te abençoe e faça feliz. — Beijei sua testa quando ele se aproximou. — Quem te trouxe? — Vitinho. — Tranquilo. E aí, linda! — sorri ‘pra ela. — Boa tarde. Trouxemos o seu almoço. — Ela sorriu, mostrando a sacola. — Espero que esteja bem... — Sempre vou ficar. — Vou tomar banho. — Miguel disse. — Já almocei com a vó. A gente trouxe outra ‘pra Pati, tudo bem? — De novo!? — Levantei a sobrancelha. — Parece que sim, ‘né!? — Deu de ombros. — Depois ‘cê pega uma cesta e leva com os garotos. Sabe onde fica — suspirei. — Lembra de descer ‘pra receber sua amiga. Não se perde nessa porrä! Ele sempre se distraía com o telefone e as putas. — Sim, senhor! — riu, sem graça. Ele subiu e Alma sentou à mesa, tirando a quentinha com meu nome ‘pra pôr na minha frente. — Também comi, mas faço companhia! — Valeu! — assenti com a cabeça. — ‘Tá chapado, ‘né!? — riu. — Quem pergunta!? — Eu brinquei. — Os óculos até te dão um charme... — Ela riu ainda mais. — Aumenta essa aura poderosa, sabe!? — As vantagens de ser chefe... — Dei de ombros.
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