6 de maio de 2015, Morro do Batan, Realengo — A primeira-dama ‘tá chegando — avisaram no rádio. — Dá ‘pra ver o carro daqui. Como procede? — Alguém desce ‘pra subir com a garota dela. Já ‘tô terminando aqui e vou lá ver qual é a do papo... — De boa... Estava de braços cruzados, observando a tropa trabalhar. O procedimento com a carga era simples, eu só saía depois que a situação estivesse controlada. Após render os motoristas, a gente revistava. Vasculhamos tudo, contamos as drogas no baú e, se tudo estivesse certinho, começava a descarga. ‘Tava tão habituado que até conseguia ter uma ideia de quanto o morro faturaria com a mercadoria. — Confusão na S! — O aviso me fez suspirar. — Miguel? — perguntei. — Sim, separo? — Não, eu ‘tô chegando. Olhei ‘pra tropa e eles só assentiram.

