Nono Capítulo

3160 Words
Os preparativos para os dois enlaces corriam de vento em popa. As duas noivas se encontraram muitas vezes para fazer as compras juntas. Jairo havia comprado uma boa casa perto da mãe, conseguindo pagar a vista. Fazia as compras das mobílias junto com Milena. Ele sempre foi precavido e o dinheiro que tinha deu para tudo e ainda sobrou para a viagem de lua de mel, que teve que ser curta, porquê tinha tirado férias há pouco tempo. Só teve direito aos cinco dias de licença previstos em lei. Quando o dia chegou, os noivos estavam radiantes. Milena estava muito bonita e tudo foi festa. Quando partiram para a viagem não disseram prá onde iam. Tinham escolhido São Lourenço. Já na viagem, decidiram que a primeira coisa que fariam quando voltassem, seria comprar um carro. Jairo tinha feito as aulas de direção e tirado a carteira. Na família era o único que aprenderam a dirigir. O pai nunca quis aprender. Os dias de viagem foram magníficos e eles se divertiram muito, mas tinha chegado a hora de voltar. De volta foram na casa dos pais dele, já que Dirce estaria lá. Conversaram a respeito da viagem e depois que as irmãs chegaram em casa, se despediram e foram pra casa deles que ficava a duas quadras dali. Os pais começaram com a se preocupar com Janice, haviam conhecido Sérgio e perceberam que o rapaz ainda era mais tímido do que ela. Não que estivessem querendo ver a filha ir embora também, mas achavam que pra ela as coisas iam demorar muito a acontecer. Sabiam que o rapaz, para fazer um pedido de casamento, levaria muito tempo. Porém, Janice não estava preocupada com isso. Queria continuar namorando e aproveitando a vida de solteira. Apesar de gostar muito de crianças, não se sentia preparada para assumir o papel de esposa e mãe. Assim, o tempo foi passando e logo chegou o dia do casamento de Neide. Está tinha férias vencidas, pois a outra que tirou, foi quando quase já estava vencendo a outra e acertou na empresa de tirar mais vinte dias, até por que com o trabalho de Cláudio, a viagem não podia ser muito longa. Continuavam mantendo as mesmas prioridades do princípio de namoro. Decidiram ficar somente dez dias fora e haviam escolhido o hotel fazenda de Minas Gerais como destino. Quando a cerimônia, que foi linda, acabou, foram para a realização das comemorações, que seriam em um salão de festas que Seu Jair, havia alugado, com serviço completo. Assim, pensou em dar um descanso para Nora. Quando os noivos se preparavam para fugir, Berenice reuniu a família e comunicou que a família ia aumentar em breve. Estava grávida. A notícia, só veio para aumentar a felicidade de todos. Um bebê na família, era tudo o que a mãe estava precisando para esquecer aquela sensação de perda que tinha no peito. Foram todos embora, contentes com a vida. Com o passar dos dias, Janice começou a se sentir muito sozinha. Em pouco mais de um ano, seus três irmãos haviam deixado a casa. Sérgio, apesar de tímido, já havia falado em casamento com ela. Estava com vinte e quatro anos e realmente, já era hora de pensar nisso. Resolveu se aconselhar com a mãe: - Eu sei que a senhora sente falta dos meninos, aqui, mas o Sérgio anda me sondando sobre a possibilidade de nos casarmos também. - É natural. Vocês já estão namorando há algum tempo, aliás ele me contou que vocês já estão juntos há mais de dois anos. A gente só não sabia. - Eu tinha vergonha de falar nesse assunto. - Filha, vocês são adultos. Precisam perder um pouco dessa timidez. Eu até já havia comentado isso com seu pai. Ele ainda é mais introvertido que você. - Então você não é contra? - Lógico que não. Essa é a ordem natural das coisas. Depois de criados, os filhos vão formar a sua própria família e criar seus próprios filhos. Se não fosse assim, há muito a humanidade teria se acabado. - Vou conversar com ele e deixar ele vir fazer o pedido. - Imagino o quanto ele vai ficar nervoso. Janice foi para o quarto pensar. Quando se recolheu, Nora conversou com o marido: - A Janice falou em casamento também. Seu Jair só respondeu: - Ótimo, logo a casa vai estar cheia de netos. - Acho bom. Ela já está ficando grande demais para nós. - Quando os netos vierem, vai ficar pequena. Janice continuava com dúvidas. Ainda não se sentia pronta para casar e começar uma família. Resolveu se aconselhar com Neide. Ligou prá ela e marcou um encontro, fora de casa. Quando se encontraram, Janice expôs suas dúvidas para a irmã. Neide, entendeu o dilema de Janice e respondeu: - Você tem que ponderar se vocês se amam o suficiente pra compartilhar a vida. Filhos, se você não quiser agora, é só evitar. Existem inúmeros métodos pra isso. - É que também me sinto responsável pelos nossos pais. Todos vocês casaram e foram saindo de casa. Apesar de estarem sempre presentes em visitas, não é a mesma coisa. - Querida, pense que um dia, eles também tiveram que fazer essa escolha. Também largaram a casa dos pais e por isso estamos aqui. Se despediram e Janice foi pra casa pensando. Realmente a ordem natural era essa. Seus irmãos haviam casado, mas estavam sempre em casa, visitando os pais. Jairo morava perto. Ele e Milena iam diversas vezes por semana, nem que fosse rapidinho. Conversaria com Sérgio e procurariam uma casa perto também. Se não desse pra comprar, alugariam. Estava decidida. Quando chegou em casa, Seu Jair veio conversar com ela. Fez ela se sentar ao seu lado e começou: - Sua mãe me falou que você também foi pedida em casamento. Prá quando vai ser? - Ainda estou pensando. Vai depender de uma conversa que vou ter com o Sérgio. Só vou me casar se ele aceitar morar perto daqui. - Ele tem como comprar uma casa? - Não sei. Se não der prá comprar a gente aluga. - Ou vem morar aqui. A casa é grande e tenho certeza que sua mãe iria concordar. - Eu agradeço. Mas acho que temos que ter o nosso canto. Até por causa do Sérgio. Ele tem que perder um pouco da timidez dele. Isso só vai acontecer se ele tiver que assumir responsabilidade. - Nesse ponto você tem razão. Ficar aqui vai atrapalhar. Procura, então alguma coisa aqui por perto e se precisar de ajuda, conta comigo. No dia seguinte, depois do expediente, Janice finalmente deu o sim para Sérgio. Combinaram de ele ir com os pais no próximo final de semana, fazer o pedido. Ela contou pra ele a conversa que teve com o pai e a oferta deles morarem na casa. Sérgio concordou com ela que não seria bom. Eles iam se casar, então precisavam assumir a responsabilidade dessa decisão. Falou pra ela, que tinha dinheiro junto. Já tinha mais de doze anos de trabalho, e nunca gastou mais que o necessário. Seus pais não aceitavam sua ajuda nas despesas da casa. Prometeu procurarem juntos, alguma casa perto dos pais dela. Quando chegou em casa, encontrou Jairo e Milena com os pais. Pediu pra eles, que moravam perto, prá avisar se vissem alguma casa a venda. Jairo respondeu: - Lá na nossa rua tem uma casa com placa. Vou anotar o telefone e passo pra você. É pra tratar direto com o proprietário. - Anota e traz prá mim. Vou tomar um banho. - Enquanto isso, vou lá pegar o telefone. - Não precisa. Quando vocês forem prá casa você anota e me liga. - Nós já vamos, então. Tchau. Quando Janice voltou pra sala, a mãe já estava com o número do proprietário anotado. Fez a ligação e combinaram para o dia seguinte, a noite, ver o imóvel junto com o noivo. No dia seguinte, foi com Sérgio e depois de ver, conseguiram entrar num acordo. Era um imóvel grande, porém, precisava de consertos. Abatido o valor dessa obra, fecharam a compra. Dali, foram na casa de Jairo, dar a notícia. Resolveram sair pra comer uma pizza em comemoração. Quando Sergio chegou em casa, comunicou a compra aos pais. O pai perguntou quanto ele havia pago e quando Sérgio informou o pai disse que a casa seria presente dele e da mãe, assim como toda a reforma. Sérgio não queria aceitar, mas o pai conseguiu convence-lo alegando que ele era seu único filho e fazia questão de lhe dar aquele presente. O pai era um engenheiro e dono de uma construtora. Assim colocaria alguns de seus empregados na obra e rápido ficaria pronta. E ainda tinham a garantia de um serviço bem feito. Combinaram de ver o local no sábado quando fossem na casa de Janice fazer o pedido. No Sábado de manhã, a mãe perguntou pelas alianças. Sérgio havia esquecido. Saiu depressa para comprar. Seu pai já havia colocado o dinheiro da compra da casa na sua conta, o cheque que Sérgio deu ao antigo proprietário, tinha sido compensado e as já estavam com ele, desde que entregou o cheque. Assim, quando voltou com as alianças, saíram para ver o imóvel e combinarem o que devia ser feito. Ele ligou prá Janice e pediu que fosse encontrar com eles lá. Queria que ela desse opinião na reforma, afinal, iria morar lá também. Janice foi apresentada aos pais deles assim que chegou. Foi tratada com muita cortesia pelo casal. Depois de fazerem a vistoria e combinar o que iria ser mudado, o pai convidou para irem a um restaurante almoçar e fazer hora até a hora de irem pra casa de Janice. Ela pediu desculpas e explicou que tinha que ir prá casa ajudar nos preparativos de logo mais. Inclusive se aprontar também. Eles entenderam e foram só pais e filho para o restaurante. O pai tinha diversos imóveis alugados, inclusive comerciais, mas quando o filho lhe falou que Janice queria continuar no mesmo bairro que já morava, concordou que ele procurasse um para compra. Também achava que o filho era muito tímido e isso em um homem não é uma qualidade apreciável. Sabia que tanto ele quanto a mãe tinham grande responsabilidade por isso. Sendo filho único, sempre o haviam protegido de decepções. Nunca haviam dito um não prá ele. Quando resolveu trabalhar assim que se formou, o pai o incentivou a concorrer com o mercado de trabalho, ao invés de lhe dar um cargo em sua empresa. Estava na hora de cortar o mimo dele. Reconhecia a muito tempo sua parte de culpa pela timidez do filho, sempre tomando as decisões no lugar dele. A casa, de presente, era natural, afinal ele poderia ter escolhido uma já pertencente ao pai e seria presente do mesmo jeito. Na Segunda-feira, designaria a equipe que iria se ocupar da obra. Tinha anotado todas as mudanças que o casal estipular e ainda faria mais algumas por sua conta. Estava pretendo incluir na obra um bom trato no jardim, a construção de uma piscina e um terraço que serviria até como salão de festas. A família da noiva era grande. Mas essa parte da reforma seria mantida em segredo. Seria uma surpresa há mais para o casal. Saíram do restaurante no final da tarde e foram para a casa dos pais de Janice. Quando chegaram foram muito bem recebidos. Apesar de abastados, não eram pedantes e logo se estabeleceu um clima de cordialidade. A mãe de Sérgio conversou demoradamente com Dona Nora, enquanto o pai não saiu de perto de Seu Jair. Engenheiro por amor a profissão, comentou com Seu Jair que o quintal era enorme. Perguntou a ele: - Porquê o senhor não faz uma piscina e uma churrasqueira aqui. Ainda ficaria muito espaço livre. - Sempre tive essa pretensão, mas fui deixando pra depois e nunca fiz. Agora, nem teria razão. Vamos ficar só eu e a Nora na casa. - Pelo que eu fiquei sabendo, seus filhos estão sempre presentes. - Vou ver. Nesse ponto o Senhor tem razão. Pelo menos uma vez por semana, nos reunimos. - Vamos parar com esse senhor prá, senhor prá lá? Vamos ser uma mesma família. Sua filha vai ser minha nora e meu filho seu genro. Os filhos deles serão nossos netos. - Tem razão. - Eu sou engenheiro e possuo uma construtora. Vou fazer o projeto das mudanças que lhe falei e assim que tiver pronto, trago aqui para discutirmos. A mão de obra é cortesia. Você só vai gastar o material. - Eu aceito. Mas tem que ser uma coisa bem segura. Minha filha Berenice já está esperando o primeiro filho. - Não se preocupe, a piscina vai ser gradeada. Realmente o quintal era enorme. Na hora de fazer o pedido, o pai de Sérgio cumpriu o ritual e logo de aliança no dedo, todos felicitavam o novo casal. Ao perguntarem prá quando seria o casamento, Sérgio deu o prazo de seis meses, tempo para concluir a obra e mobiliar a casa. Consultou o pai se o prazo era suficiente? E ele assegurou que sim. A festa continuou e já estava amanhecendo quando se retiraram. A família de Seu Jair acordou tarde no domingo. Aliás, tinham se deitado já com dia claro. Na Segunda-feira, Dr. Paulo, pai de Sérgio, reuniu uma grande equipe e foram para a casa do futuro casal, começar a obra. Contratou um jardineiro para cuidar do jardim, delimitando a área que deveria ficar sem plantas, onde construtiva a piscina e uma churrasqueira. Entrou com sua equipe na casa e dividiu o serviço, dando a cada dupla uma ordem específica. Cada dupla ficaria responsável por um cômodo. Verificou que a lage da casa era forte e podia fazer o terraço com segurança. Pretendia colocar outra churrasqueira ali. Não sabia por quanto tempo, conseguiria manter a surpresa em segredo, para o casal. A obra avançava rápido. No Sábado, foi na casa de Jair, mostrar o que tinha desenhado para o quintal da casa dele. Seu Jair achou o projeto muito bom e perguntou a respeito do material. Recebeu uma lista das mãos de Paulo, que mandou fazer pesquisa de preço antes de comprar, inclusive na sua loja. Dentro da construtora, funcionava uma grande loja de materiais. Depois pediu permissão para começar a cavar já na Segunda-feira, o local aonde seria a piscina. Pretendia fazer em um canto, para não atrapalhar o acesso a casa. Mesmo o serviço de hidráulica, seria feito de maneira a não atrapalhar. Seu Jair ficou muito empolgado com a melhoria que seria feita, porém lembrou que na parte dos fundos da casa o quintal era da mesma dimensão da parte da frente e não tinha levado Paulo até lá. Resolveu mostrar a área, para resolverem juntos o que fazer. Sua idéia era construir a piscina e a churrasqueira nos fundos, para ter privacidade. Falou com o novo amigo a esse respeito e ele foi conhecer o local. Ficou muito empolgado com o terreno dos fundos e ponderou: - Realmente o quintal aqui atrás é melhor para a piscina e tem passagem pelas laterais e a casa tem saída para os fundos, o que facilita a privacidade da família. Tem espaço suficiente para colocar mesas e algumas espriguecadeiras. Seu Jair: - Eu estava sem graça de pedir pra mudar o projeto aqui para os fundos, mas sabe como é, as meninas vão usar biquínis e eu não quero aborrecimentos com meus genros. - Jair, você teve uma excelente idéia. O jardim na frente e a área de recreação aqui nos fundos. Gostei tanto que vou agora mesmo na casa do Sérgio verificar se tem quintal nos fundos também. - Obrigado. As casas daqui são construídas em terrenos grandes. Se não lotearam o terreno, lá deve ter também. - Se tiver, vai dar até para apressar a obra. Eu deixei isso para o final porque é uma surpresa prá eles. Lhe peço pra não comentar nada. Sendo nos fundos dá pra fazer junto com a obra da casa e ninguém vai perceber. - Eu preferia lhe dar um cheque pra você ver o material lá na sua loja mesmo. - Tem que fazer pesquisa de preço. - A mão de obra já está sendo grátis. Tenho certeza que seu preço de material é justo. E você entende mais disso do que eu. - Você é quem sabe. Posso mandar a equipe na Segunda-feira? - Não é melhor acabar a obra da casa dos meninos primeiro? - Posso tocar as duas obras ao mesmo tempo. Tem gente sobrando. - Então, pode. Vamos lá dentro que eu vou lhe dar o cheque. Depois só me avisa o valor, prá eu fazer o controle da conta. - Segunda-feira mesmo eu te digo. E a sua obra vai ser coisa rápida. Lá no Sérgio é que tem muita coisa pra fazer. Todos os cômodos vão ser mexidos. A casa é muito antiga. Jair deu o cheque a ele e se ofereceu para acompanhá-lo até a obra do filho, para verificar o terreno dos fundos. Paulo aceitou e foram pra lá. Ele constatou que o terreno dos fundos era tão grande quanto o da frente. Faria igual a casa de Jair. Se despediram e cada um foi pra casa. A noite, Sérgio veio buscar a noiva para saírem. Enquanto aguardava ela se arrumou, conversou com os futuros sogros. Quando ele saiu, Nora comentou: - Ele tá mais falante. - A Janice comentou comigo que se espantou com a maneira que ele negociou a compra da casa com o proprietário. Tá perdendo a timidez. - Melhor assim. Ele dava a impressão de se sentir deslocado com a gente. - Aos poucos vai se acostumando. E foram sentar em frente a televisão, para passar a hora. Na certa eles iriam lanchar na rua e não precisava fazer nada na cozinha. Para ela e Jair, um chá com biscoitos era suficiente. Janice chegou tarde. Explicou que tinham ido ao cinema e depois foram lanchar. Deu boa noite aos pais e foi se preparar para dormir No dia seguinte todos os filhos vieram passar o dia com eles. Dona Nora ficou preocupada com Milena. Achou que a nora estava um pouco pálida. Comentou com Jairo, que explicou: - Ela não tem passado muito bem. - O que ela tem. - Anda com pressão baixa e as vezes, quando come passa m*l. - Ela já fez teste de gravidez? - Não. - É bom fazer. Tenho certeza que vai dar positivo. - Será. - Pressão baixa e enjôo em mulher casada não tem outro motivo. E neném na certa. Jairo ficou tão empolgado que correu na farmácia para comprar o teste. Assim que voltou, entregou para a esposa e mandou ela fazer o teste lá mesmo. Quando Milena saiu do banheiro, toda a família estava na expectativa. Ela anunciou: - Positivo. E uma simples visita virou festa.
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