Epílogo.

3739 Words
O tempo passou rápido. Berenice entrou em trabalho de parto e Júlio avisou aos pais dela e dele. Como era um dia de Domingo, logo a maternidade ficou cheia. Toda a família foi prá lá. Dona Nora estava nervosa. Todos tentavam fazê-la relaxar, mas com a demora, todos estavam ficando do mesmo jeito. Já estava anoitecendo quando veio um médico avisar que tinha nascido um menino e tanto a mãe quanto a criança estavam bem. Queriam vê-la, mas o médico só permitiu a entrada do marido e assim mesmo rápido. Ela precisava descansar. O parto tinha sido normal e já no dia seguinte receberiam alta. Tiverem que obedecer e Jairo foi conhecer o filho e paparicar a mulher. O pai de Julio ficou muito feliz e comentou com a mulher que no dia seguinte, levaria flores e uma jóia de presente para a nora. A mulher disse que fazia questão de escolher o presente junto com ele. Quando Júlio voltou pra perto deles, disse que estava tudo bem. Berenice só estava cansada e o filho era lindo. No dia seguinte, depois do almoço, mãe e filho tiveram alta. Como Mirella tinha concluído o segundo grau, se prontificou a ficar com Berenice por uns dias até ela poder voltar a fazer as coisas em casa. Nora queria que ela ficasse na casa dela durante o resguardo, mas Berenice disse que preferia ir prá própria casa. Ainda mais que teria ajuda. Júlio comentou: - Essa menina é formada. Não é certo ficar como doméstica. Mirella ouviu e respondeu: - É uma profissão como qualquer outra e se eu encontrasse uma casa que me tratassem igual a minha mãe é tratada na casa de Dona Nora eu iria tranquilamente. Minha mãe fica doente quando entra de férias. Além do que estou me oferecendo prá ajudar como amiga e não pedindo emprego. Se dirigindo agora a Berenice: - Afinal, você é cunhada da minha irmã e o bebê é sobrinho dela. Seria prá resolver um assunto em família. Berenice respondeu: - Mas só ficaremos com você em casa se você aceitar o pagamento, só não vamos assinar carteira porquê vamos tentar arrumar uma colocação prá você também. Algo a altura da tua formação. Até porquê você vai ficar sem o pagamento da Milena se for lá pra casa. - Eu não me sentiria bem recebendo de vocês, que são parte da família. - Essa é a condição de aceitarmos a tua ajuda. Como Mirella queria muito ajudar a Berenice, acabou aceitando. Combinaram que ela ficaria até Berenice passar pelo resguardo em horário integral. Milena gostou da atitude da irmã e tinha certeza que não ia sobrecarregar a mãe. Somente não gostou de saber que ela ficaria sozinha em casa, sem ninguém para conversar quando chegasse do trabalho e nos fins de semana. Dona Nora, depois de trocar um olhar no com o marido, propôs: - Nesse caso Dirce, você poderia ficar lá em casa durante os esse tempo, assim você não ficaria sozinha. As filhas incentivaram a mãe a aceitar e depois de muita insistência, acabou concordando. Jairo na mesma hora se prontificou a ir na casa dela pra ajudar a pegar algumas roupas das duas para aquele período. Já estava de carro. Tinha comprado um carro de passeio muito bonito, porém já tinha comentado com Milena que estava pensando em comprar uma van. A obra das duas casas já haviam terminado. Agora era pegar as coisas de Mirella e Dirce. As duas o acompanharam. Quando estavam com tudo pronto, Jairo levou a bagagem para o carro e informou, dirigindo-se a Dirce: - Vamos deixar a Mirella primeiro e depois eu deixo a senhora na casa da mamãe. Levou Mirella para casa de Berenice e depois de vê-la instalada, encantada com o quarto que lhe fora destinado, se despediu e foi levar Dirce na casa dos pais. Quando finalmente chegou em casa, Milena questionou: - Não seria mais natural a mamãe ficar aqui com a gente? - Podia ser, mas na hora que minha mãe fez o convite, ela aceitou. Mudar agora pode magoar minha mãe que teve tão boa vontade. - Isso é. - Estamos perto e você pode ir ver tua mãe todos os dias, se quiser. E nos finais de semana ela pode vir prá cá, se quiser. Afinal é folga dela. - É, você tem razão. Tudo vai se ajeitar. Nora colocou Dirce no antigo quarto de Jairo e ela ficou bem instalada, uma vez que naquele quarto tinha televisão e até um aparelho de som. Assim ela poderia evitar de perturbar a privacidade do casal. Como o horário de trabalho de Dirce já havia se terminado, Nora providenciou a janta e quando estava de pronta, chamou Dirce para jantar. No princípio ela se sentiu deslocada, mas até o Jair estava falante, incluindo-a sempre na conversa. Elogiou a atitude de Mirella, se prontificando a ajudar a filha e Dirce se encheu de orgulho. Logo no primeiro dia sentiu que tudo daria certo. Enquanto isso, depois de ter preparado a comida, Mirella foi levar o prato de Berenice no quarto. Depois de acompanhá-la ao banheiro pra fazer a higiene deixou ela no quarto e foi buscar o menino para mamar. Enquanto Berenice amamentava, ela foi servir o jantar de Júlio que a convidou para se sentar e jantar com ele. Em meio ao jantar, comentou: - Acredito que em menos de uma semana, teremos Berenice sentada aqui com a gente. Afinal foi parto normal e a recuperação é rápida. - Seria bom esperar, pelo menos, os pontos caírem. Temos que evitar uma infecção. - Você, tão novinha entende disso? - Na escola agora, temos aulas desses assuntos. Hoje em dia uma adolescente, só engravida se quiser. - O ensino está muito moderno. - Pena que nem todas aprendam. Depois da refeição, ela foi cuidar da louça enquanto Júlio ia pegar o filho que já estava adormecido, para levar para o quarto. Resolveram desde cedo, fazer ele ocupar o quarto próprio que além de Mirella no quarto ao lado ainda tinham a ajuda de uma babá eletrônica. No meio da madrugada, o bebê chorou e Mirella o pegou e foi levar para a mãe alimentar. Quando ele terminou de mamar, Júlio foi colocar ele no berço novamente e Mirella que estava aguardando, revistou se ele estava seco e limpo e só depois voltou a se deitar. Os dias Foram passando e um dia Mirella perguntou: - Vocês já decidiram o nome que vão dar ao bebê? Foi Berenice que respondeu: - Estou pensando em colocar Henrique, que era como se chamava meu avô, que morreu quando eu ainda era pequena, mas me lembro dele com muito carinho. Júlio respondeu: - É um nome muito bonito. Que seja Henrique então, amanhã mesmo vou ao cartório fazer o registro. Já está quase vencendo o prazo. E o tempo continuou correndo. Logo as duas, mãe e filha, se acostumaram as mudanças. Ambas eram muito bem tratadas nas casas que estavam. Dona Nora e Seu Jair, não deixavam que Dirce fizesse qualquer coisa fora de horário de serviço e respeitavam as folgas de final de semana, que ora ia pra casa da filha, ora ficava lá mesmo com todos indo visitar os pais. Quando Berenice ia, levava Mirella com eles e assim estava sempre perto da mãe. O resguardo de Berenice já estava acabando, mas Mirella tinha se apegado a Berenice e ao pequeno Henrique. Assim como Berenice havia se apegado a Mirella. Podia perceber que tudo que a menina fazia era com dedicação e carinho. Assim o tempo continuou correndo até o dia que Milena sentiu a bolsa rompida e logo começaram as contrações. Foi levada para o Hospital que trabalhava. Não tinha nem entrado de licença ainda e só estava em casa porque foi durante o início da madrugada que entrou em trabalho de parto. Jairo avisou a todos por telefone e Sérgio se prontificou a ir buscar os futuros sogros e Dirce e levar ao hospital. O parto de Milena foi rápido, logo foram avisados que havia nascido outro menino. Como o parto dela foi no princípio da manhã poderiam vê-la naquele dia ainda, no horário de visitas. Jairo havia acompanhado o parto da esposa, preocupado com o fato de ser prematuro. Não comentou nada com os demais para não preocupar ninguém. Logo que viu que tudo saira bem, foi dar a notícia na recepção onde todos aguardavam. Explicou que havia sido um parto prematuro, mas o bebê nascera forte e sadio e em poucos dias teriam alta. Levou-os para vê- lo no berçário, onde estava em encubadora por precaução. Na hora da visita, entraram todos para ver Milena que estava louca pra ir prá casa. Mas tinha que esperar o filho, que demoraria mais alguns dias. Apesar das colegas de trabalho garantirem que olhariam ele, ela se negou a ir embora. Janice tinha o casamento marcado para o próximo Sábado e chegou a cogitar transferir a data por mais um mês, porém todos foram a favor de continuar como o programado, afinal não tinha ninguém doente e ela podia se casar e viajar em paz. Devido a correria dos últimos dias, com a compra dos móveis e as coisas da casa, ainda não tinha visto a reforma total. Notou numa das idas lá que o sogro havia feito um terraço, mas se ocupou com a parte interna. A casa era grande e tinha muita arrumação há ser feita. Tinha elogiado muito a reforma do jardim e dos cômodos. O que deixou o sogro muito feliz. Chegou o Sábado e a casa de Dona Nora estava em grande atividade. A festa do casamento seria em casa mesmo, por opção dos noivos. Não parava de chegar encomendas dos quitutes que seriam servidos. Todas as filhas tinham ido para ajudar acompanhadas dos maridos. Até Cláudio estava trabalhando freneticamente para deixar tudo em ordem. Resolveram fazer no quintal dos fundos, que tinha ficado muito bonito. Havia uma mesa com o bolo e docinhos, muito bem arrumada, por muitas mãos. Toda mulherada tinha dado a sua contribuição, principalmente Mirella, que tinha muito gosto. Paulo, pai de Sergio, tinha levado dois freezers para acondicionar as bebidas. Haveria também um churrasco que seria assado por um profissional contratado. E tinha sido contratado também dois garçons, dali da vizinhança e uma senhora que ficaria encarregada de fritar os salgadinhos. Panelão de arroz, farofa, molho e uma enorme maionese, já aguardavam a hora de serem servidos. Tudo em ordem, começou a fila do banheiro para se aprontar para o evento. Chegou o pessoal do salão que havia perto para a maquiagem e o penteado da noiva. Como tinha sido a primeira da fila do banheiro, já estava a disposição desses profissionais. As irmãs iam auxiliar a colocar o vestido. Estava terminando com o pessoal do salão, quando entraram as irmãs já prontas e muito elegantes para ajudar ela a se vestir. Dirce veio ver se precisavam de alguma coisa, mas ali estava tudo muito bem encaminhado. Foi então ver se Dona Nora precisava de ajuda, mas ela também já estava pronta. A maquiadora do salão havia feito a maquiagem dela que estava muito bonita. Todos prontos, partiram para a igreja. Ao entrar na igreja, Janice foi surpreendida com Milena e Jairo, que haviam deixado o bebê no hospital e ido assistir o casamento, o que não deveria ter sido fácil, principalmente para Milena, que não saía de perto do filho, que estava aguardando alta, devido ao nascimento prematuro. A cerimônia foi muito bonita e todos se encaminharam para casa de Jair, local da festa. Assim que Janice chegou se encaminhou para o irmão e a cunhada. Depois de receber as felicitações, ouviu de Milena: - Só esperamos para te dar um abraço. Vou passar em casa pra trocar de roupa e voltar para o hospital. Deixei uma das minhas amigas de trabalho lá e leite, mas quero ficar junto dele. O Jairo vai me levar, e depois volta prá cá. - Nós compreendemos. Obrigado por ter vindo assistir o casamento. Deve ter sido difícil prá você, deixar ele lá e sair. Disse Janice. O casal foi embora e a festa foi animada. Jairo retornou e curtiu a festa de casamento da irmã. Apesar de estar com o filho num hospital, sabia que estava tudo correndo bem com ele e logo viria prá casa. Foi conversar com Mirella: - Você está gostando de ficar lá com a Berenice? - Estou adorando. Sou muito bem tratada, mas acho que agora a Milena vai precisar de mim. Estou um pouco dividida. - Não pensa que eu estou dispensando a tua ajuda, mas você acha que com a tua mãe e a minha tão perto, elas não vão querer cuidar deles elas mesmas? - Não tinha pensado nisso. - É claro que as duas não vão sair de lá. - Eu acho que vou conversar com a Berenice. Daqui há pouco ela vai voltar a trabalhar e vai precisar de alguém para cuidar da casa e do filho. Eu gostaria de continuar com ela. - Pensa bem. Você se formou e é justo que procure um emprego melhor. - Não entendo porquê vocês acham que não é bom ser doméstica. No caso da Milena, ela era maltratada na casa da Dona Sirlene. Por isso ela quis sair. Se fosse tratada com consideração e respeito, aposto que estaria lá até hoje. Nós fomos criadas por uma doméstica, que só saiu da casa onde estava, antes de vir trabalhar aqui porquê eles foram para o interior. E ela está muito satisfeita com a tua mãe. - Só falei porque você estudou. - Vai servir para ajudar as crianças que vou tomar conta a fazer o dever de casa, quando estiverem na escola. Se a Berenice quiser, vou continuar com ela. - Você é quem sabe. Eu só posso ficar feliz em ver que você tem amizade pela minha irmã. - Amanhã mesmo eu vou aproveitar que o Júlio vai estar em casa também e vou falar com eles. - Boa sorte. Se é o que você quer, eu respeito a tua decisão. Logo depois, viram os noivos escapando prá iniciar a viagem de lua de mel. Iam para o hotel fazenda ficar por dez dias e depois pra São Lourenço por mais cinco dias. Ambos haviam tirado férias para aproveitar a viagem e na volta se acostumarem a nova vida, antes de retornarem ao trabalho. A festa continuou por mais um tempo, mas Jairo estava cansado e se despediu, indo prá casa logo depois da saída dos noivos, prometendo voltar no dia seguinte para almoçar, já que Milena, continuaria no hospital. No dia seguinte, durante o café da manhã, Mirella tocou no assunto de sua permanência com Berenice e Júlio: - Eu queria conversar com vocês. Berenice, com receio de que ela fosse avisar que estava indo embora, falou: - Pode falar, só gostaria de dizer antes de mais nada, que estamos muito satisfeitos com o teu trabalho e temos você como uma amiga que nos presta um serviço e por isso, ajudamos, já que temos condições pra isso. Júlio ainda inteirou: - Meus planos, são logo que houver uma oportunidade, te colocar em alguma vaga que apareça similar a da tua irmã. - É justamente sobre isso que quero conversar com vocês. Falei com o Jairo ontem, que estava dividida entre vocês e a Milena que logo vai deixar o hospital. Berenice opinou: - É natural. Ela é sua irmã. - Mas Jairo me deixou tranquila quanto a isso, já que as duas avós tão perto vão querer fazer o serviço elas mesmas e não teria necessidade da minha ajuda, embora não estivesse me impedindo de ir. Então o que eu quero saber de vocês é o seguinte: Vocês aceitam que eu continue aqui de maneira permanente? Júlio que respondeu: - Tem certeza que é isso que você quer? Afinal você se preparou para coisa melhor. - Eu estudei por imposição da Milena e da minha mãe. Não tenho nada contra e serviço doméstico. Até pelo contrário. Foi com minha mãe trabalhando de doméstica, que criou a gente. E modéstia parte, fez um bom trabalho. Sou muito bem tratada aqui e me apeguei a vocês e ao pequeno Henrique. Logo a Berenice vai ter que voltar ao trabalho e vocês vão precisar de alguém. Posso ser eu esse alguém? Foi Berenice quem respondeu: - Quando você começou a falar, fiquei com medo que fosse avisar que estava indo embora. Claro que você pode ficar. Vou ficar mais tranquila quando voltar ao serviço sabendo que meu filho está sendo cuidado por uma pessoa amiga, que vai tratar dele com carinho. Júlio se manifestou: - Mas nesse caso, quero fazer as coisas dentro da lei. Você vai me dar sua carteira de trabalho para eu assinar. E como você vai ter dois encargos, vou dobrar o seu salário e ele vai constar em carteira. Berenice levantou e foi abraçar Mirella: - Obrigada, você está tirando um peso de cima de mim. Depois de acertados, foram se arrumar prá ir pra casa de seu Jair, que havia convidado todos prá passar o dia lá. Tinha sobrado muita coisa. Quando chegaram, Mirella chamou a mãe para contar de sua decisão. Dirce falou então que nesse caso voltaria para casa, pois não podia ficar ali atrapalhando a privacidade da família. Quando foi levar a notícia para Nora, ouviu: - Não vejo motivo pra você ir embora. Estamos muito bem com você aqui. Por quê quer voltar prá casa? - Já atrapalhei muito tempo a privacidade de vocês. A situação que era temporária se tornou permanente e é hora de voltar. - Aqui você não atrapalha em nada. Pelo contrário, gostamos de contar com a tua companhia. Por quê você não aluga a tua casa e vem de vez pra cá? Lá você vai ficar sozinha. - Não saberia o que fazer com as minhas coisas. Não tenho como né desfazer delas, porque posso precisar um dia. Ninguém sabe o dia de amanhã. - Apesar de saber que nossa amizade vai ser eterna, temos quartos vagos aqui que podem servir de depósito para as tuas coisas, e pensa bem, daqui a pouco Milena vai sair do hospital com o menino e aqui você vai estar mais perto. - Vou pensar e antes de dar uma resposta, preciso saber da opinião do Seu Jair também. - Vou perguntar a ele e depois eu te digo. Com receio que Dirce se decidisse a voltar pra casa precipitadamente, Nora chamou o marido para conversar no quarto na mesma hora. Quando contou a conversa que tinham tido, Jair respondeu: - Pode deixar que eu mesmo falo com ela.Foi no quintal, aonde Dirce estava e anunciou: - Dirce, pode vir um pouquinho aqui na cozinha, quero conversar com você. Ela foi na mesma hora. - A Nora me falou que você está querendo voltar pra casa e ficar sozinha lá. Porquê? Não se sente bem aqui? - Me sinto muito bem. Mas tenho minha casa lá. - Porquê você não aluga lá e fica com uma renda extra? Nós estamos muito satisfeitos com você aqui. - Só se o senhor der baixa na minha carteira e parar de me pagar. - Isso de maneira nenhuma. Você daqui há pouco vai ter direito a aposentar, já que trabalha há muitos anos e eu não vou tirar esse direito de você. - Mas não seria certo eu continuar recebendo de vocês, aluguel e não ter despesas. - Pode acreditar que você merece cada real que ganha. É muito difícil encontrar pessoa que trabalhe e se torne tão amiga e necessária na casa da gente. Você continua recebendo como sempre. Até porquê, ninguém sabe o que vêm pela frente. Ninguém é eterno e posso não estar mais aqui a qualquer momento. - Nesse caso, eu aceito. - Ótimo. Assunto encerrado. Amanhã mesmo, vamos providenciar a retirada das tuas coisas e guardar aqui mesmo. E Dirce foi contar a novidade para Mirella, que ficou muito feliz com a notícia. Sabia o quanto a mãe gostava de ficar ali. Tudo se encaixava para facilitar a vida delas. A mudança foi feita em dois dias, e logo que colocaram a casa em ordem, limpa e com pintura nova, apareceu gente dali da vizinhança perguntando se iam alugar. Seu Jair tomou a frente da transação, pois tinha mais jeito pra coisa e no final da semana, já tinha novos moradores. Sábado de tarde, a família foi surpreendida com a visita de Milena, já com o bebê e Jairo. Ele estava bem e forte. Nem parecia prematuro. Ficaram um pouco e foram pra casa. Dirce acompanhou o casal, pra preparar a comida e fazer mais alguma coisa que precisasse. Milena, acostumada a trabalhar desde nova, mantinha tudo muito arrumado, mas diante da euforia da mãe, deixou ela ajudar. No dia seguinte, toda a família foi prá lá. Eram visitas rápidas, porque tanto o bebê quanto Milena precisavam descansar. Ao perguntarem o nome que dariam ao pequeno, Milena respondeu: - Meu pai se chamava Joel, meu marido Jairo e meu sogro é Jair. Fiz uma mistura dos três nomes e vai ser Jurandir. Todos aprovaram. O bebê agora seria chamado de Jurandir. Com isso Milena homenageava aos três. O resguardo de Milena terminou e as avós só iam agora de visita. A família continuava se reunindo finais de semana e Janice já tinha voltado de viagem e se instalado em casa. Agora já conhecia o quintal dos fundos e ficou maravilhada com a piscina e a churrasqueira que o sogro tinha posto alí. A piscina como na casa do pai, era toda gradeada para a segurança do pequeno Jurandir. Ela e Jairo resolveram inaugurar a área, chamando todo mundo para um churrasco dessa vez na casa dele. Em meio a essa comemoração, Seu Jair anunciou: - Semana que vem, eu e Nora vamos fazer um passeio e ficaremos quinze dias fora. Dona Nora não queria se afastar dos netos, mas acabou sendo convencida por toda a família. Convidaram Dirce pra ir com eles, e Milena foi a primeira a insistir que ela aceitasse. Afinal, depois da Lua de mel, há muitos anos atrás, nunca tinha feito uma viagem como aquela. Ela acabou aceitando. Quando, na rodoviária pegaram o ônibus para iniciar a viagem, todos os três levavam no coração a certeza do dever cumprido.                        fim
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