Oitavo Capítulo

3059 Words
Todos estão cada vez mais felizes com o rumo de suas vidas. Os casais de namorados seguem firmes, até os tímidos, Janice e Sérgio sentem que o relacionamento está cada vez mais solidificado. Neide e Cláudio, não perdem uma oportunidade de estarem juntos. Ele sempre que pode, vai pegá-la na saída do trabalho, para levá-la em casa. Jairo e Milena, do mesmo modo, procuram passar juntos todo o tempo que podem. Dirce continua trabalhando satisfeita com Dona Nora. Cada vez mais, é tratada como m****o da família, recebendo da patroa, respeito e consideração. E Mirella continua satisfeita com o emprego dentro de casa. O salário que a irmã lhe paga é apenas para seus gastos pessoais, já que com o salário da mãe e da irmã todas as necessidades da casa são atendidas, sem precisar de da sua contribuição. Passam alguns meses. Em um dia do mês de Julho, durante um jantar na casa de Seu Jair, ele, aproveitando a presença de todos, anuncia: - Estou querendo fazer aquele passeio que combinamos há mais de um ano, agora em Setembro. Vejam, se conseguem nos serviços de vocês, programarem férias nesse período. Todos vocês têm férias vencidas. Pegou todos de surpresa, já que tinham esquecido do combinado. Mas todos assentiram concordando, cada um já pensando em como explicar ao parceiro. Naquela noite, os três se recolheram com essa preocupação. No dia seguinte, quando saiu do trabalho, Neide encontrou Cláudio a sua espera. Depois do beijinho costumeiro, entrou no carro e ele tomou a direção. Enquanto o carro circulava, Neide entrou no assunto: - Cláudio, quando meu pai se aposentou, levou minha mãe para uma viagem de férias. Ele gostou tanto, que decidiu a partir dali, tirar férias todo o ano dividida em dois períodos de quinze dias cada. Em um iríamos todos nós e no outro ele levaria somente a minha mãe. Cláudio, encostou o carro e aguardou que ela continuasse. - Ontem a noite, ele falou que estava querendo viajar agora em Setembro com todos. Cláudio se manifestou: - Eu acho uma boa idéia. - Mas nós vamos ficar muitos dias sem nos ver. - Quinze dias passam rápido. Eu também vou sentir a tua falta, mas eu acho que se você não for, vai decepcionar muito o seu pai. Pensa bem, porque vai ser a última viagem que vai fazer com eles. - Como assim? - Ano que vem, já estaremos casados. Isso é, se você me aceitar. - Cláudio, você está me pedindo em casamento? - Não era pra ser assim. Tinha que ser numa reunião marcada com as duas famílias, mas apesar que vou sentir muito a tua falta durante os dias que você vai estar viajando, estou falando com você agora prá que você entenda. Ele levou um ano programando essa viagem com os filhos. A Berenice já não vai porquê casou. Mais uma se negar, vai ser uma decepção muito grande prá ele. - Isso é verdade. Eu não queria ir, mas você está certo. Vou pedir férias prá Setembro também. - Quando vocês voltarem, faremos uma reunião com as duas famílias e eu vou fazer o pedido formal. - Porquê na volta? - Para evitar clima de nostalgia nós teus pais. Se eu fizer o pedido antes de vocês viajarem, eles já vão com a certeza de que ano que vem, você não estará com eles. Em vez de uma viagem alegre vai ter clima de despedida. - É verdade. Não vou falar pra eles do pedido agora. Vou esperar essa viagem e no retorno você faz o pedido. - Pode crer que vai ser melhor assim. - Você está certo. Obrigada por ser tão compreensivo. Trocaram um beijo e ele deu partida no carro. Enquanto isso, outro casal discutia o mesmo assunto. Jairo e Milena também já estavam sentindo o gosto da saudade. Milena, tentava, com tristeza, convencer o namorado de ir, também não querendo que Seu Jair ficasse triste pela falta do único filho: - São duas semanas, eu vou sentir tua falta, mas passa. Em quinze dias estaremos juntos de novo. Pode ter certeza que eu vou estar te esperando. - Quanto a isso, eu não tenho dúvidas. - Então. Vai e procura se divertir. Eu vou estar em casa aguardando a tua volta. - Não precisa ficar trancada em casa. Passeia com a tua irmã. - É uma idéia. Toda vez que chamo ela pra sair com a gente, ela diz que não quer segurar vela e não vai. Vou aproveitar e dar um passeio com ela que está merecendo. Tem se esforçado cada vez mais prá não sobrar nada prá fazer no final de semana de e dar descanso prá mim e minha mãe. - Leva ela ao Shopping, ao cinema, a praia. Tem bastante lugar legal pra ir com a irmã se num final de semana. - Boa idéia. Vou ver se consigo levar mamãe também. É só casa e trabalho. - Fico mais feliz sabendo que você vai estar se divertindo também. E se despediram. Durante o jantar, falaram para o pai que iam tentar entrar em férias junto com ele para irem ao passeio. Janice trabalhava com Sérgio e tinham conversado durante o horário de almoço. O rapaz, apesar de entristecido, também tinha sido a favor de que ela viajasse com os pais. Ela não tinha tirado férias no ano passado e também faltava pouco pra ficar com duas vencidas. Assim, todos começaram a programar a viagem. Estavam tentando decidir o destino. Neide era a favor de conhecer o hotel fazenda no interior de Minas Gerais e tinha o apoio de Janice. Já Jairo, preferia um lugar mais movimentado, com praia. Neide ponderou: - Um lugar assim é a mesma coisa que ficar em casa. Aqui tem praias lindas e não faltam restaurantes, boates e toda a sorte de divertimentos. Eu acho melhor o hotel fazenda, que é diferente. Janice também opinou; - Eu também. Qual é a graça que tem irmos para um lugar igual ao que frequentamos o ano inteiro? Os pais não emitiram opinião. Tinham combinado que na viagem com os filhos, eles é quem determinaram o destino. A discussão seguiu até que convenceram Jairo a irem para o campo. Os pais respeitaram a escolha deles e começaram a planejar a viagem. Tudo podia ser feito com bastante calma, afinal tinham mais de um mês pela frente, antes da partida. No dia seguinte, Dona Nora conversou com Dirce: - Dirce, você se importa se eu dividir as suas férias em dois períodos de quinze dias cada? - Não, mas porquê? - O Jair dividiu as férias dele assim, para fazermos duas viagens. Na primeira, agora em Setembro, vamos com os meninos e na segunda que ainda não está marcada, iremos só nós dois. - Eu não me importo, mas quando vocês forem sozinhos, a senhora não acha melhor eu vir trabalhar para os meninos encontrarem as coisas prontas quando chegarem cansados? - Não havia pensado nisso. Mas você tem direito aos trinta dias. Só se você tirar logo os dias todos agora e na volta eu cuido das coisas aqui. - A senhora que decide, eu por mim, não preciso de férias. O que aliás, nem nunca tirei nenhuma. - Vou pensar e conversar com eles. Também tem um negócio na lei que a pessoa pode vender parte das férias, mas não sei como funciona. Depois a gente conversa a respeito disso de novo. A noite, Dona Nora conversou com a família a respeito das férias de Dirce. Explicaram a ela que pela lei, o empregado só podia vender um terço do período, mas se fosse a escolha dela, poderia receber por fora, ou seja, salário dobrado dos cinco dias de diferença. No dia seguinte, Dona Nora explicou pra Dirce que por lei ela tinha que tirar no mínimo vinte dias. Dirce continuou afirmando que não fazia questão, até porque o serviço da casa era leve e não se sentia cansada. Ficou combinado então, que ela receberia por fora. Os dias passaram voando e entrou o mês de Setembro. A viagem duraria doze dias. Os filhos não estavam indo de boa vontade, mas se esforçaram para disfarçar. Quando chegaram no hotel se instalaram em três quartos. E logo depois desceram para conhecer a sala de jogos, piscina e a parte aonde ficavam guardados os animais. Começaram a se animar. Realmente era muito diferente de tudo que estavam acostumados. Se encantaram com o perfume das flores e o ar leve que corria ali. Montavam a cavalo, andavam de charrete e aprenderam até a fazer a ordenha das vacas. Tudo era novidade. Logo chegou o dia de voltar prá casa. Apesar das saudades de seus pares, foi com um pouco de tristeza que arrumaram as malas para o regresso. Uma van do hotel estava pronta para levá-los na rodoviária. Neide, lembrando do pedido de casamento que tinha recebido, fazia planos de passar ali sua lua de mel. Falaria com Cláudio. Para todos, aquela viagem tinha valido a pena. Quando chegaram, encontraram a casa vazia. Era uma quarta-feira e Dirce só viria na Segunda-feira, conforme tinha sido combinado. Aguaram as plantas, apesar de ter chovido algumas noites e foram guardar as bagagens. Dona Nora recolheu as roupas sujas, que devido a quantidade, tinham que ser lavadas em três etapas e já colocou a máquina para funcionar. Quando a máquina acabou o serviço estendeu as peças e deixou o resto para o dia seguinte. As meninas estavam na cozinha preparando alguma coisa para lancharem. Tudo estava congelado. Seu Jair mandou guardarem o lanche pra noite e resolveram sair para almoçar. Foram a um restaurante que não conheciam e até gostaram da comida. Na volta, com todos cansados, cada um procurou sua cama para dormir um pouco. Quando acordaram, todos estavam alegres. Jairo avisou que ia na casa de Milena, mas a mãe lembrou que era melhor ele ir buscá-la no serviço. Assim ele fez. Quando ela saiu e encontrou Jairo a sua espera, correu ao seu encontro demonstrando toda a saudade que havia sentido. Contou dos passeios que tinha feito com a irmã nós dois finais de semana que ele tinha passado fora. Comentou que a mãe estava sentindo falta de Dona Nora. E conversando foram pegar a condução para casa dela. Quando chegaram, Dirce ficou muito contente. Apesar de gostar de ficar com as filhas, Mirella não estava deixando ela fazer quase nada, já que recebia da irmã para manter a casa. E quando chegava da escola e encontrava as coisas prontas, reclamava. Ela não estava gostando de ficar sem fazer nada. Contava os dias para voltar ao trabalho. Conversaram mais um pouco e Jairo se despediu prometendo vir buscar Milena no dia seguinte para passear. Quando Jairo chegou em casa, encontrou Cláudio que tinha vindo ver Neide e sem querer escutou quando os dois combinavam sobre o pedido de casamento que ele ia fazer naquele final de semana. Jairo pensou que namorava Milena há bastante tempo e estava na hora de casar também, afinal já estava com vinte e oito anos e tinha uma situação financeira definida. Resolveu conversar com os pais. Entrou e encontrou os dois na sala conversando e foi direto ao assunto: - Estou decidido a pedir a Milena em casamento. Vocês vão ter que ir lá na casa da Dirce pra fazer o pedido comigo. Seu Jair: - Vai casar de uma hora pra outra? Não é melhor comprar uma casinha ou um apartamento primeiro? - Tenho dinheiro guardado, que se não der para quitar, dá pra dar uma boa entrada. Eu e ela estamos bem empregados. Ganhamos bem. Isso não vai ser problema. Posso marcar prá sexta-feira? - E você pretende se casar em quanto tempo? - Estou pensando em três ou quatro meses. É tempo suficiente para correr os papéis, comprar uma casa e decorar. - Tem nosso apoio. Vamos lá com você. Jairo levantou e abraçou os pais. A mãe que tinha permanecido calada, resmungou: - Mais um que vai embora. Seu Jair pediu: - Vê se compra alguma coisa aqui por perto. Se você for prá longe a tua mãe tem um troço. - Pode deixar, eu gosto do bairro. Afinal nasci aqui e acho que ela também gosta. Mas a mãe dela deve pedir a mesma coisa. Vai ser impossível satisfazer as duas. - Então compra aonde vocês quiserem, só não deixem de vir ver a gente. - Combinado. Vou voltar lá e avisar a elas. Afinal vai ser um noivado e elas têm que se preparar. Aliás mãe a Dirce está toda chorosa sentindo falta do trabalho. A Mirella não deixa ela fazer nada. A mãe responde: - Segunda-feira ela já vem. Aliás amanhã vou acabar de lavar a roupa que trouxemos e passar tudo. Não quero que ela encontre nada acumulado. Tem gente que deixa até a louça que usa suja na folga da empregada. Eu acho isso um a***o. Jairo tornou a sair e se dirigiu a casa da namorada. Quando chegou, as três ficaram espantadas. Dirce foi a primeira que perguntou: - Aconteceu alguma coisa? - Não. É que eu preciso conversar com a Milena. E pediu: - Vamos lá fora um pouquinho, prometo não demorar. Ela saiu com ele, preocupada. Quando chegaram no portão, perguntou: - O que aconteceu? - Vim saber se você quer se casar comigo? - É claro que quero, mas porquê assim de repente? - Nós já estamos namorando há bastante tempo, nos damos bem, temos situação financeira pra assumir uma casa, que você vai me ajudar a escolher, não vejo porquê esperar mais. - E você pretende casar em quanto tempo? - Penso que em três ou quatro meses, teremos tudo pronto. Se você precisar de dinheiro para o enxoval eu te dou. - Não é o caso. Aquele dinheiro do cheque que o Seu Osvaldo me deu tá na caderneta de poupança. Dá e sobra pra fazer um enxoval e até ajudar a mobiliar a casa. - Então avisa a tua mãe que meus pais virão aqui na Sexta-feira, fazer o pedido. Vamos ficar noivos. - Entra comigo e fala com ela. - Não. Seria o mesmo que fazer o pedido agora. Quero fazer tudo certinho, na presença dos meus pais e trazer as alianças que vou comprar amanhã. Aliás, perto do hospital tem uma joalheria, amanhã vou te buscar pra escolhermos juntos. - Tá bom. Te espero amanhã na saída. Se beijaram e ele foi embora. Ela entrou e deu a notícia a mãe: - Mãe, sexta-feira, os pais do Jairo vai vir aqui pedir a minha mão em casamento. Vamos ficar noivos. Dirce, muito emocionada, abraçou a filha e desejou toda a felicidade do mundo para o casal. Começaram a planejar a festa de noivado. Milena perguntou quanto seria preciso para realizar a comemoração e seguiram discutindo até tarde. Mirella tinha se juntado a elas e como a irmã tinha que trabalhar no dia seguinte, se prontificou a sair com a mãe para fazer as compras. Tinham que ir na parte da tarde. Mirella queria faltar a escola, mas tanto a mãe quanto a irmã foram categoricas que fariam as compras a tarde. Combinaram, então que Dirce faria o serviço da casa de manhã, o que não agradou a Mirella, mas acabou abrindo uma exceção. O motivo era justo. Milena foi ao quarto apanhar dinheiro para as compras, mas a mãe disse que não precisava. Quem paga festa de noivado são os pais da noiva e ela tinha o suficiente para fazer frente a despesa. Há muito tempo que guardava parte do dinheiro que recebia. Tinha o suficiente para fazer mais de uma festa de noivado. E deram o dia por encerrado e foram descansar. Quando Jairo entrou em casa, percebeu que sua mãe havia chorado e preocupado perguntou o motivo. Ela explicou: - Você vai ficar noivo na Sexta-feira e a Neide no Domingo. Logo a Janice arruma um noivo também e em pouco tempo está casa vai ficar vazia. Só eu e teu pai. - É natural, mãe. Nós crescemos e tá na hora de dar rumo a vida. - Não estou reclamando. Apesar de ter certeza que vou sentir a falta de vocês, ao mesmo tempo, tenho a sensação de dever cumprido. - Eu de minha parte, prometo que vou sempre vir aqui ver vocês. - Disso eu tenho certeza. Vocês sempre foram bons filhos. Se abraçaram emocionados e seguiram em direção aos quartos. No dia seguinte, Júlio estava a espera de Milena na saída do trabalho e foram comprar as alianças. Depois ele foi levar Milena em casa, se despediu e se foi. Ela entrou em casa e encontrou a mãe e a irmã, ocupadas enrolando docinhos. Os salgadinhos tinham encomendado, junto com o bolo. Se ocupou em ajudar depois do banho e muito tarde, resolveram parar para comer e descansar. Milena avisou que no dia seguinte, viria com sua chefe e amiga, a quem tinha convidado para a festa. E foram descansar. No dia seguinte, quando os pais de Jairo chegaram com a família na casa de Dirce, ela os recebeu muito contente. Estava sentindo falta da companhia da patroa e não via a hora de voltar a trabalhar. Quando a festa estava bem animada, já com a chegada do resto da família acompanhadas de seus pares, Seu Jair fez o pedido em nome do filho e este colocou a aliança no dedo direito da noiva, prometendo mudar de mão dali a três meses. Depois dos cumprimentos, a festa durou mais algumas horas e muito tarde cada um foi pra sua casa. Cláudio, junto com Neide, foram antes, acompanhar o carro de Cristina até a casa dela. Era muito tarde e perigoso uma mulher sozinha aquela hora. Depois foi deixar Neide em casa. Seus pais tinham ido Junto com Júlio e Berenice. No Sábado, levantaram cedo pra providenciar a festa de Neide que também ficaria noiva no dia seguinte. Apesar de ter muita gente dentro de casa, compraram quase tudo pronto e contrataram gente para servir e uma pessoa para fritar os salgadinhos na hora. Os pais de Cláudio eram pessoas agradáveis e foi uma festa muito bonita. Esse casamento ainda ia demorar seis meses. Haviam decidido isso, para dar tempo, principalmente para Dona Nora se acostumar com a ausência de Jairo antes de Neide sair também.
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