Quinto Capítulo

4209 Words
Quando chegam em casa, Seu Jair comenta com a mulher.- - Você viu a Neide conversando e dançando com aquele rapaz a festa toda? - Vi. - Eu perguntei ao Júlio quem era e ele falou que é um amigo, médico ortopedista que trabalha com ele. - Você não acha que a Neide já tem idade suficiente pra namorar? Ela tem vinte e cinco anos. Sabe se cuidar. Hoje nós casamos a caçula com vinte e dois. É normal que a Neide também conheça alguém e namore. - É verdade, mas tô vendo que logo só vamos ficar nós dois. - Você tá correndo demais. Eles se conheceram hoje e graças a Deus em uma festa. Se der em namoro, muito bem, mas pode ser que não dê em nada além de uma amizade. E que vamos ficar sozinhos é certo. Nós também deixamos nossos pais quando nos casamos. - É. Bem, vamos dormir. Ainda bem que hoje é Sábado e tenho o dia de amanhã para descansar. E foram se aprontar. No dia seguinte a própria Neide tocou no assunto: - Vocês ontem né viram conversando com um rapaz quase a festa toda? Seu Jair respondeu: - Vimos, e eu perguntei pro Júlio quem era ele. Ele falou que é um amigo ortopedista que trabalha com ele e é solteiro. - Me chamou para sair hoje. - É namoro? - Por enquanto, vamos nos conhecer, mas pode virar. Dona Nora: - Tenho certeza que podemos ficar sossegados. Você sempre teve juízo. - Estou avisando porque não quero fazer nada escondido. Se virar namoro, vocês logo vão saber. - Vocês vão aonde? - Combinamos de ir em um barzinho. Num cinema não dá pra conversar e quero conhecer ele antes de começar com um namoro . O pai: - Já tô vendo que vai virar, vocês conversaram bastante ontem. - Mas tinha muita gente. É fácil de numa festa as pessoas se mostrarem diferentes do que são. A mãe: - É mesmo. Mas se é amigo do Júlio, só pode ser uma boa pessoa. Eu estou tranquila. Ao que Seu Jair respondeu: - É verdade. Berenice deu sorte. Casou com um excelente rapaz. - Acho que vocês estão indo muito depressa. Mesmo que vire um namoro, o que é provável, não vou embora de casa de hoje para amanhã. Vamos sair, conversar e por enquanto é só. Nem marquei dele me pegar aqui. Apesar de já ter vinte e cinco anos, não estou com pressa. Se a amizade evoluir para namoro, vai levar ainda muito tempo pra chegar a um casamento. Podem ficar tranquilos. E continuaram conversando por bastante tempo. Em um momento Neide indaga dos pais: - Vocês ficaram prestando tanta atenção em mim, por um acaso viram quem estava acompanhando o Jairo na festa? Seu Jair respondeu: - Na verdade não. Você viu, Nora? - Quase não vi o Jairo depois do casamento. Quem era? Neide respondeu: - A Milena, filha da Dirce e foi ele que convidou. Ela foi mais tarde, só prá festa porque trabalha aos Sábados e não deu tempo de chegar para o casamento, mas estava na festa. Seu Jair perguntou: - Eles estão namorando? Antes que Neide respondesse, Dona Nora perguntou: - O que é isso? Só porque é uma pessoa que tem um trabalho mais humilde, é uma empregada doméstica, vocês estão tendo essa reação? Que eu saiba, é uma menina muito ajuizada. Quando os antigos patrões da Dirce foram embora do Rio e ela demorou um pouco pra encontrar outro trabalho, foi a Milena que segurou as despesas da casa. E tem mais, tem formação técnica. Só não deu sorte de encontrar uma colocação melhor até agora. Neide respondeu: - Não foi nem falta de sorte. Quando ela pode tentar evoluir profissionalmente trabalhando até aos Sábados até tarde? - É verdade. Lá aonde ela trabalha o horário é muito puxado. - É o que eu digo mãe. Tem patrão que parece que ainda não sabe que a e********o já acabou. Você sabia que quando dão um jantar para amigos ou fazem uma comemoração qualquer mandam ela ficar até mais tarde? E não dão nada a mais a ela por isso. Seu Jair: - Que exploração! - Vamos combinar, nem carteira assinada ela tem. - Você sabe que curso técnico ela tem? - Na área de informática. - Toda empresa tem departamento de informática. Vamos ficar de olho nos nossos trabalhos, o primeiro que souber de uma vaga em que ela se encaixe, indica. Dona Neide: - Boa idéia, Jair. Pelo que a Dirce fala, a filha merece um empurrãozinho nosso. Tenho certeza que quem ajudar, não vai se arrepender. Seu Jair: - Quando a Janice e o Jairo acordarem, vamos falar com eles também. - Mas é melhor não falar pra quem a gente tá procurando vaga, o Jairo pode pensar que estamos nos metendo na vida dele. Aliás, eu acho melhor não falar com ele. - É mesmo. Vamos falar só com a Janice e quando a Berenice e o Júlio voltarem, falamos com eles também. Vamos deixar o Jairo fora disso. Quando os outros levantaram, Neide falou com a Janice que ficou de informar se aparecesse alguma coisa. Depois do almoço foram descansar um pouco e quando chegou a hora, Neide começou a se arrumar para o encontro. Como iam a um barzinho, escolheu um jeans, uma blusa bonita e sandálias rasteiras. A mãe e a irmã perguntaram se ela estava pretendendo afastar o rapaz, ao que ela respondeu: - Não. Mas não vou me arrumar toda prá ir a um barzinho. Acho que estou vestida de acordo com a ocasião. Janice opinou: - Podia pelo menos colocar um saltinho, fica mais feminina. - Ainda estou cansada de ontem e amanhã começa outra semana de luta. Vou assim mesmo. - Ao menos a roupa é nova. Sem mudar, Neide saiu para o encontro. O rapaz estava esperando perto da casa dela, encostado no carro. De longe, Neide viu logo que havia acertado em cheio na escolha do figurino. Ele também estava de jeans, camisa e tênis. Totalmente informal. Depois da troca de beijinhos, o rapaz acomodou Neide no carro e perguntou se ela tinha preferência por algum lugar. - Não. Não tenho o costume de frequentar bares. Quando fazemos alguma comemoração em casa, papai compra no depósito e bebemos em casa, em família. - Isso pode se tornar um problema. Não quero que a sua família pense que estou desencaminhando você. Então vamos mudar um pouco os planos. Em vez de bar, vamos para uma pizzaria e beber refrigerantes. Também não sou de beber. Sendo cirurgião, tenho que manter as mãos muito firmes. - Acho ótimo uma pizza. Toda vez que fazemos alguma coisa lá em casa é churrasco. - Prá uma brincadeira em casa é o que encaixa melhor. Mas, sempre enjoa. Vamos lá. E partiram rumo a pizzaria. Chegando ao destino, depois de se acomodarem, começaram a conversar. Neide perguntou: - Você percebeu que até agora eu não sei o seu nome? - Fácil de resolver, meu nome é Cláudio, tenho trinta e dois anos, sou filho único e solteiro. Meu pai é médico como eu e dono do hospital onde trabalho e minha mãe é dona de casa. Apesar de ser filho único, meus pais nunca me superprotegetam. Me fizeram estudar, ter profissão que apesar de ser a mesma do meu pai, não foi imposta. Foi uma escolha minha. De vez em quando ia no hospital almoçar com ele e me apaixonei. É muito bom aliviar a dor dos outros. Mas, e você? - Meu nome você sabe, é Neide. Sou uma das filhas do meio de uma família com quatro filhos, sendo a segunda mais velha. A Berenice que casou ontem é a caçula. Conheceu o Júlio quando a irmã dele indicou seus serviços de fisioterapia para ela. Ela estava sem andar após um acidente. Ele colocou ela pra andar de novo e no meio do processo se apaixonaram. - Uma bonita história com final feliz. - É. Eu tenho certeza que serão muito felizes. - Mas, quanto a você? Trabalha? Estuda? O que você gosta de fazer? - Eu chefio um departamento na empresa que trabalho. Sou contadora e gosto do meu trabalho. Quando a Berenice se acidentou, estava namorando um rapaz, mas não deu certo. - Posso perguntar porquê? - Com o acidente, toda a família ficou focada na Berenice. Ela ficou um tempo na UTI, foi grave, corria o risco de nem voltar a andar. Teve diversas fraturas na coluna que podiam não se consolidar. Mas graças a Deus, ao Dr. Álvaro que foi o cirurgião dela e ao Júlio, tudo acabou bem, mas como eu tinha que ajudar a dar forças prá meus pais que ficaram desesperados, ele não ficou satisfeito. Até que eu tinha outros irmãos ele falou. Percebi que não era o tipo de pessoa prá dividir a vida comigo. Prá mim, a família vem em primeiro lugar. Aliás, todos pensamos do mesmo jeito. Quando houve o acidente, todos vinham pra casa assim que saíamos do trabalho. Assim terminei o namoro. Não tinha a menor chance de dar certo. - Nesse ponto, em um relacionamento, falam muito da outra metade da laranja, mas elas têm que se completar. Se os objetivos forem opostos, não tem como dar certo. Mas, perdendo um pouco da timidez que era uma marca de sua personalidade, perguntou: - E comigo? - Contigo o quê? - Estamos nos conhecendo, mas eu estou te pedindo em namoro, você aceita tentar? - Não sei. Sempre fui muito independente e apesar de pertencer a uma família de classe média, todos nós aproveitamos nossos estudos. Sempre trabalhando e procurando a nossa própria independência. Você sabe, um dia, se não formos antes, vamos perder nossos pais. Essa é a ordem natural das coisas. Não quero me apegar a alguém que não aceite a minha individualidade. Já pensei até em ficar solteirona. A minha família vai estar sempre em primeiro lugar. - Sou filho único. infelizmente não tenho com quem dividir essa noção tão bonita de família que você tem. Mas adoraria ter uma família grande como a tua. Sempre quis ter irmãos, mas minha mãe teve um problema e fez isteroctomia total logo que eu nasci. Mas se você deixar, podemos experimentar. Vou ficar muito feliz em ganhar novos irmãos. Estou com trinta e dois anos, mas quando eu te conheci, entendi o porquê de estar sozinho até hoje. Estava te esperando e só Deus sabe quando chega a hora de encontrar a nossa outra metade. Se você não sentiu isso, continuamos amigos, mas gostaria muito que você me desse uma chance. - Se eu não achasse que teríamos essa chance, não tinha saído de casa hoje. Os últimos meses foram de uma correria que você não faz nem ideia. Estou muito cansada , mas mesmo assim eu vim. Trocaram o primeiro beijo e ali começou o namoro. Então Cláudio deixou tudo claro. - Só tenho uma coisa a esclarecer. Todas as vezes que você tiver um problema em família eu vou entender e procurar ajudar, mas como médico, posso marcar um programa com você e na hora aparecer alguma emergência. Preciso que você entenda também, ou não adianta nem tentar. Você e sua família são importantes pra mim, mas também tenho prioridade como médico. Aliviar a dor das pessoas é minha vocação. Ser namorada de médico, principalmente cirurgião não é fácil e não quero te enganar. Sempre que houver algum chamado, eu vou atender. - Isso é que torna o seu trabalho tão especial. Tenho certeza que, por isso, não teremos problemas. A noite já tinha caído e Cláudio foi deixá-la em casa. Na despedida marcaram um novo encontro e Neide entrou. Assim que entrou em casa, a turma toda reunida, quis saber o que tinha acontecido. Dona Nora logo perguntou: - Então, como foi o encontro? - Nos conhecemos, conversamos bastante. É um rapaz honesto, trabalhador. Aliás trabalha porque gosta. Coloca seu trabalho acima de tudo. Tanto que não fomos a um barzinho como tava combinado. O pai: - Foram pra onde? - Como nenhum dos dois gosta de beber, fomos prá uma pizzaria. Comemos pizza e tomamos refrigerantes. Ele normalmente não bebe porque é cirurgião e pode ser chamado prá uma emergência a qualquer momento. - Bem responsável. - Ele ama o trabalho. Seu pai também é médico, aliás é o dono do hospital em que ele e o Júlio trabalham. Janice: - E você foi encontrar com ele vestida desse jeito? - Ainda bem que fui assim. Ele também estava de jeans. A gente tem que se vestir de acordo com o local pra onde vai. O combinado era um barzinho. - Bom, ainda bem que ele pensa como você. Já pensou se ele vai todo social? - Não teria cabimento. Já pensou um cara de terno e gravata em um barzinho? Quem ia destoar era ele. - Mas e de resto? Perguntou a mãe. - Filho único, médico ortopedista cirurgião, tem trinta e dois anos de idade, solteiro e ama a profissão. E agora é o meu namorado. Deixou claro que pode me dar bolo em algum encontro porque às vezes é chamado as pressas por alguma emergência. O pai que até agora estava calado, falou: - Vida de médico é assim. Muitas vezes tem que sair no meio da madrugada para atender alguma chamada. Mas não acredito que isso venha ser um problema pra você. Ainda bem que o Júlio é fisioterapeuta, que não tem esse tipo de imprevisto. A Berenice não ia aceitar. - É verdade. Ela é possessiva. - Prá quando vocês marcaram o próximo encontro? - Prá Quarta-feira. Ele vai me pegar no trabalho. - Só espero que se tiver algum imprevisto, se lembre de te avisar. - Tá combinado. Ele ficou com o número do meu celular e com o telefone do escritório. Qualquer problema, ele me avisa e eu venho pra casa. - É bom você se acostumar. - Também não é assim. Tem sempre uma equipe de plantão no hospital. Só vai acontecer se aparecer uma cirurgia de emergência. Ele tem horário como todo mundo. Dona Nora: - O importante é você entender se houver alguma chamada. Por ser filho do dono deve ser o chefe da equipe. - Eu sei. Nós conversamos muito. Ele também entendeu que pra mim a família está em primeiro lugar e eu entendi que pra ele a prioridade é o trabalho. Enquanto um respeitar a prioridade do outro, vai dar tudo certo. O pai: - Agora vamos dormir que amanhã é Segunda-feira e vai começar tudo de novo. Boa noite. E cada um foi se preparar para o descanso, menos Dona Nora porque Jairo ainda não havia chegado. Quando ele chegou, vendo que estava tudo bem, finalmente foi se recolher. No dia seguinte, quando todos estavam tomando o café, Jairo comentou: - Ontem eu saí com a Milena, nós estamos namorando. Como ninguém falou nada, continuou: - Pelo jeito, isso não é novidade para ninguém. Dona Nora respondeu: - Todos nós já sabíamos. - Eu sei que vocês não são preconceituosos. Nem eu. Mas estou chateado com esse emprego dela. Não é pelo fato de ser doméstica. É porque lá na casa que ela trabalha os patrões não respeitam ela. Não tem horário, não é tratada com respeito. Neide respondeu: - A gente já percebeu isso. Nós não íamos falar nada com você para não te deixar chateado, mas já que você tocou no assunto, nós combinamos de ficar prestando atenção cada um no nosso trabalho, prá se abrir uma vaga prá iniciante indicar ela. Você acha que ela vai? - Com toda certeza. Ela terminou o técnico em computação, mas nunca teve emprego em escritório. Trabalha a muito tempo lá naquela casa e só conseguiu terminar, graças a ser esforçada e ter amigas que quando ela faltava por estar trabalhando, passavam a matéria pra ela. Eu acho até que a patroa fazia de propósito prá ela não conseguir terminar. - Se foi isso, é mais um motivo prá ela sair de lá. - Mas ela só vai sair com outro trabalho certo. Vocês ficam de olho, se aparecer alguma oportunidade, tenho certeza que ela não vai deixar escapar. Assim que terminaram de tomar café, cada um foi saindo. Começava uma nova semana. Na quarta- feira na saída do trabalho de Neide, Cláudio estava esperando por ela. - Aonde você quer ir? - Vamos tomar um suco em algum lugar e conversar um pouco. No meio da semana, não posso ficar até muito tarde. - Vamos a uma lanchonete então. Chegando, pegaram uma mesa e pediram dois sucos. Enquanto aguardavam, começaram a conversar. Em uma hora, Cláudio perguntou: - Você está com algum problema? Estou achando você um pouco preocupada. - Não é nada comigo. É meu irmão que está com um pequeno aborrecimento e estamos todos tentando ajudar. - Eu posso fazer alguma coisa? - Acredito que não. - Se é assunto particular e você não quiser me contar, tudo bem. Mas às vezes quem está de fora, enxerga soluções mais fácil do que quem está passando por algum aborrecimento. - É com a namorada dele. - O que tem ela? - Ela é filha da senhora que trabalha lá em casa. Isso não é problema prá ninguém lá em casa. Pra gente basta que seja uma boa moça. E ela é. - E? - Ela trabalha numa casa lá perto da minha, há muito tempo. Mas lá os patrões não respeitam ela. Não tem horário prá sair, não tem carteira assinada. Quase não conseguiu se formar de tanto que saía tarde e perdia as aulas. - Isso é um absurdo. Existem as leis trabalhistas. - Mas no serviço doméstico, poucos são os patrões que cumprem. E a pessoa que precisa trabalhar tem que ficar calada prá não perder o emprego. - A mãe trabalha, e o pai? - Morreu quando ainda era pequena. Quando os antigos patrões da Dirce, a que trabalha lá em casa, se aposentaram, foram para o interior e ela não foi. Além da Milena tem uma outra filha mais nova. - E o que vocês estão pensando em fazer prá resolver isso? - Todos lá em casa vão ficar prestando atenção, cada um no seu trabalho, se aparece alguma oportunidade para uma garota que é formada, mas não tem experiência. - Ela é formada em quê? - Técnica em computação. - Vou prestar atenção lá no hospital também. Tem as recepções, o departamento pessoal, enfim alguns lugares que serviriam. Se aparecer alguma chance eu falo com você. - Qualquer coisa que aparecer, mesmo sem ser técnico. Tendo carteira assinada e horário certo de trabalho, já vai ser muito bom e uma vez dentro de uma empresa, ela pode ir subindo. Se você conseguir alguma coisa, vai ajudar muito. Tá difícil abrir vaga de trabalho. - Pode deixar, se abrir qualquer coisa no hospital eu arranjo de encaixar a menina. Também não sou a favor de exploração de ninguém. Na certa a patroa não queria que ela se formasse pra não perder a empregada. - Tá, mas agora vamos embora que está ficando tarde. Amanhã eu tenho que levantar cedo. Quando chegaram na frente da casa dela, Neide perguntou: - Quando te vejo agora? - Podemos sair no Sábado. Te pego de manhã e a gente pode ficar junto o dia inteiro. - Combinado. Se despediram e quando Neide entrou, Cláudio foi embora. Neide entrou em casa e a mãe perguntou se ela ia jantar. - Vou comer um sanduíche depois do banho. Mas pode deixar que eu faço. Tomou banho e foi pra a cozinha comer. Depois foi sentar com a família na sala. Comentou: - O Cláudio ficou de prestar atenção lá no hospital também prá se surgir vaga colocar a Milena. Todos ficaram felizes, era mais um tentando ajudar. No dia seguinte, quando saiu do trabalho se surpreendeu com Cláudio esperando por ela. - Você não disse que só íamos nos encontrar no Sábado. - Vim só prá te levar em casa e dar um beijinho. Hoje o plantão está calmo e o resto da equipe está toda lá. Deu prá dá uma escapada. - Ótimo. Então vamos. E assim foi acontecendo várias vezes nas semanas que iam chegando. Na terceira semana, logo na Segunda-feira, lá estava ele. Assim que ela chegou perto falou: - Apareceu uma vaga lá na recepção do hospital e eu vim te avisar. Tem como falar com a menina ainda hoje? - Só se a gente esperar ela sair do trabalho e falar com ela. Quando sai no horário normal é as seis. - Dá tempo. De carro chegamos lá em quinze minutos e ainda são cinco e dez. Vamos parar no caminho e beber alguma coisa. - Não, vamos passar lá em casa. Depois do que aconteceu com a minha irmã, quando alguém demora sem avisar minha mãe fica nervosa. - Não vai dar problema você chegar comigo? - Não, todos sabem que tenho um namorado. Uma hora isso ia acontecer. Vai ser hoje. - Então vamos. Quando chegaram foram bem recebidos e depois de explicar para Dona Nora o motivo ela deu a idéia: - Prá vocês não ficarem parados lá na porta esperando ela sair, eu vou ligar prá lá e dou a desculpa que tenho um recado prá Dirce e é prá ela passar aqui antes de ir prá casa . - Boa idéia. Dona Nora ligou e depois falou: - Eu não gosto de mentir, mas gosto menos ainda dá maneira que essa menina é tratada. Cláudio respondeu: - As vezes faltar com a verdade é necessário. É pelo bem da menina. Se a senhora falasse a verdade, com certeza a patroa não daria o recado. Tomara que dê certo. - Vocês fiquem a vontade. Vou voltar prá cozinha e acabar com a janta. Logo todos estarão chegando. - Fique a vontade. E desculpa o horário que eu vim . Tive que esperar a Neide sair. - Não tem problema. Dona Nora foi prá cozinha e eles sentaram na sala, conversando enquanto esperavam por Milena. O tempo foi passando e o pessoal chegando. Já tinham chegado Seu Jair e Janice. Só faltava Jairo. Os primeiros foram apresentados a Cláudio e informados do motivo da visita. Quando Jairo chegou, já passava das sete horas e veio trazendo Milena. Tinha ficado esperando por ela perto do prédio em que trabalhava e assim que saiu ela comunicou que ia pra sua casa porque sua mãe havia deixado um recado pra ela passar lá quando largasse. Por isso foram juntos. Depois de serem apresentados, Cláudio explicou: - A Neide me falou que você se formou em curso técnico, mas não exerce por falta de oportunidade. Vim até aqui, porque apareceu uma. Lá no hospital, abriu uma vaga de recepcionista. Tudo é feito através de computador. Vim te convidar pra fazer um teste e preencher está vaga. Você está interessada? - Com certeza. Aonde devo fazer esse teste? - No próprio hospital. - O senhor me dá o endereço e diz a quê horas eu devo estar lá, que com certeza estarei. - Vamos fazer o seguinte: A sua mãe chega aqui às oito. Você vem com ela até aqui que eu venho te pegar e te levo lá. Fica tranquila, que o teste é te colocar atendendo o povo. Como é um hospital particular não é aquela correria de um hospital público. Lá vão te ensinar a preencher as fichas e dar andamento no serviço. Se você se sair bem, a vaga é sua. - Muito obrigado, doutor. Amanhã eu lhe espero aqui. Mas vocês acham que eu devo voltar lá no trabalho e avisar que não vou trabalhar amanhã? Foi a vez de Janice responder: - Acho que é melhor você não ir não. Pode ter torcida contra. Neide completou: - Deixa, que depois que você tiver uma noção se vai ficar lá no hospital a tua mãe dá um pulo lá na casa da tua patroa e avisa que você não vai mais, prá ela arranjar outra. - Tá bom. Respondeu Milena. Como ela não trabalha e não tem filhos, eu não vou fazer tanta falta. Cláudio, que gostou da postura da menina, respondeu: - Você não pode se privar de subir na vida, por causa de pessoas egoístas. Pelo horário que você chegou aqui, nem seu horário era respeitado. Você tinha carteira assinada? - Não. - Recebe horas extras? Ou alguma compensação na carga horária, como chegar mais tarde ou folga extra? - Não. - Então. Com você trabalhando no hospital, você vai ter tudo isso. Vai valer a pena a mudança, pode ter certeza. - Disso eu tenho certeza. Assim como tenho de que vou passar no teste. Só tenho que agradecer a vocês pela ajuda que estão me dando. Prometo que vou dar o máximo de mim. Cláudio então se despediu e marcou com ela de estar ali no dia seguinte as oito. Quando ele saiu, Jairo foi levar Milena no ônibus enquanto em casa, começou a fila do banho. Toda a rotina da casa tinha atrasado, mas todos estavam muito satisfeitos.
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