Capítulo 31: Sangue e Escolhas Dormir era impossível. A cobertura estava em modo noturno, luzes baixas, seguranças em silêncio nos corredores, mas dentro da minha cabeça tinha uma cidade inteira gritando. Cada vez que fechava os olhos, as palavras de Ares voltavam como um golpe seco no peito. Seu pai sabia muito sobre o nosso mundo. Seu pai foi motorista do meu pai. Seu pai salvou a vida do meu pai. E eu, por vinte e quatro anos, achei que meu pai era motorista de caminhão que abandonou a família por não aguentar a pressão. Passei a madrugada andando pela cobertura, descalça, com a camisa dele, tentando juntar lembranças que nunca fizeram sentido. Meu pai sempre foi um homem reservado. Evitava certas perguntas, desligava o telefone quando eu entrava na sala, desaparecia por dias dizendo

