## đź“– CapĂtulo 9: O Cheiro do Pecado e a RebeliĂŁo do Sangue
### 🕊️ POV: Elena
O gosto de uĂsque e o perfume adocicado da outra mulher ainda estavam impregnados na minha boca, mas o peso de Ares sobre o meu corpo era a Ăşnica realidade que importava. A fĂşria com que ele me possuĂra na noite anterior tinha deixado marcas fĂsicas e psicolĂłgicas. Minha pele estava sensĂvel, meus pulsos levemente avermelhados, e minha mente... minha mente era um campo de batalha destruĂdo.
Acordei com os primeiros raios de sol cortando as cortinas de seda. O lado dele da cama já estava frio.
Levantei-me cambaleando, vestindo um roupão de cetim preto que encontrei no closet — mais uma das roupas caras que ele comprou para me moldar ao seu mundo. Caminhei até o banheiro, ligando o chuveiro no mais quente que aguentei. Sob a água escaldante, esfreguei minha pele com força, tentando arrancar o cheiro daquela boate, o cheiro da vida cafajeste dele que havia se misturado ao meu suor.
Eu sentia uma raiva doentia. Raiva dele por ser um monstro hipĂłcrita. Raiva de mim mesma por ter me entregado Ă quela selvageria com tanta fome.
*"Você é a minha única exclusividade"*, ele tinha dito. Uma mentira bonita para justificar o cárcere. Ele podia sair, usar outras carne e voltar para me marcar como se eu fosse um animal de fazenda.
Saà do banheiro decidida a não demonstrar fraqueza. Se eu era a prisioneira dele, eu me recusava a ser a prisioneira submissa que sorri. Desci as escadas monumentais da cobertura, disposta a enfrentá-lo ou a encontrar uma brecha.
Ares estava sentado à cabeceira da mesa de jantar de mármore. O Deus Grego estava de volta: terno preto impecável, cabelo loiro perfeitamente alinhado, lendo alguns papéis enquanto tomava café preto. Ele parecia o CEO perfeito, não o homem desesperado e violento da madrugada.
Quando meus passos ecoaram, ele ergueu os olhos cinzentos. O sarcasmo habitual brincava nos cantos dos seus lábios perfeitos.
— Decidiu descer da torre, boneca? Achei que fosse passar o dia se escondendo — ele disse, a voz barĂtona ecoando pelo espaço minimalista.
— Eu não tenho medo de você, Ares — menti, parando do outro lado da mesa, sustentando o olhar gélido dele. — E não pense que o que aconteceu ontem muda alguma coisa. Você continua sendo um monstro nojento que precisa usar os outros para se sentir homem.
O maxilar dele travou instantaneamente. O sarcasmo sumiu, substituĂdo por uma frieza perigosa.
— Cuidado com a lĂngua, Elena — ele avisou, deixando a xĂcara de porcelana na mesa com um estalo seco. — Eu te dou luxo, eu te dou proteção. Mas a minha paciĂŞncia com a sua audácia tem limite.
— Proteção? VocĂŞ me tranca aqui enquanto se diverte com vadias na rua! — As palavras saĂram antes que eu pudesse contĂŞ-las. O ciĂşme explodiu, cru e exposto. — NĂŁo ouse me tocar com as mesmas mĂŁos que usou nelas. Eu tenho nojo de vocĂŞ.
Ares levantou-se lentamente, a estatura imensa dele fazendo uma sombra sobre mim. A tensĂŁo na sala ficou tĂŁo espessa que o ar pareceu sumir.
### ♟️ POV: Ares
*"Eu tenho nojo de vocĂŞ."*
Aquelas palavras bateram no meu peito como uma sequência de socos. Ninguém falava assim comigo. Ninguém ousava me olhar com tanto desprezo. Mas ver os olhos azuis de Elena faiscando de raiva, as bochechas coradas pelo ódio e o peito subindo e descendo com força sob o roupão preto... p***a, aquilo me deu um t***o absurdo.
Ela estava com ciĂşmes. Ela tentava mascarar com moralismo e orgulho, mas a verdade estava escancarada na cara dela: a loira simples estava ficando obcecada por mim, do mesmo jeito doentio que eu estava por ela.
Caminhei contornando a mesa devagar, como um predador encurralando a presa que late mas não tem dentes para morder. Elena não recuou. Ela ergueu o queixo, a força silenciosa dela me desafiando a dar o próximo passo.
— Nojo, Elena? — ironizei, parando a centĂmetros dela, deixando meu olhar descer pelo decote do roupĂŁo, onde a pele dela ainda exibia uma leve marca avermelhada do meu beijo da noite anterior. — NĂŁo foi isso que o seu corpo disse ontem Ă noite. VocĂŞ implorou para eu nĂŁo parar. VocĂŞ arranhou minhas costas enquanto eu te possuĂa.
— Eu estava assustada! Você me forçou...
— Eu não forcei nada — cortei, a voz baixa, quase um rosnado no ouvido dela enquanto eu dava mais um passo, forçando-a a recuar contra a borda da mesa. Segurei a cintura dela com firmeza, sentindo-a arfar. — Você queria o meu toque tanto quanto eu queria o seu. E sobre as outras... — Dei um sorriso de canto, c***l e sarcástico. — Eu sou um homem livre, boneca. Eu faço o que eu quiser, com quem eu quiser. Você pertence a mim, mas eu não pertenço a ninguém.
A mentira queimou a minha própria garganta. Eu sabia que a cena com a russa tinha sido um fracasso miserável, que eu não conseguia mais tocar em outra mulher sem sentir repulsa. Mas eu jamais daria esse poder a Elena. Jamais deixaria que ela soubesse que tinha o herdeiro dos Vanderbilt na palma da mão.
Elena ergueu a mão para me estapear a cara, mas eu fui mais rápido. Segurei o pulso dela no ar, apertando-o com força o suficiente para pará-la, mas sem machucar. Nossos olhares se fundiram — um choque de orgulho, ódio e uma atração magnética e destrutiva.
— Me solta! — ela sibilou, os olhos cheios de lágrimas de frustração.
— Só quando você aprender o seu lugar — respondi, puxando o corpo dela contra o meu, sentindo o calor do seu corpo sob o cetim. — Você pode me odiar o quanto quiser, Elena. Mas enquanto estiver sob o meu teto, você vai engolir o seu orgulho. Porque a próxima vez que você levantar a mão para mim, eu não vou ser tão paciente.
Empurrei-a levemente para trás, soltando seu pulso. Dei as costas, ajeitando o meu paletó como se nada tivesse acontecido, embora meu coração estivesse batendo no ritmo de uma guerra.
— Viktor está esperando no carro — mudei de assunto, recuperando a máscara de gelo. — Tenho negócios no centro. Fique comportada, boneca. O mundo lá fora é muito mais c***l do que eu.
Saà da cobertura sem olhar para trás, deixando-a trêmula na sala de jantar. Eu precisava de ar. Precisava focar nos russos e nas armas, porque se eu ficasse mais cinco minutos olhando para aquela loira abusada, eu a jogaria em cima daquela mesa de mármore e esqueceria o resto do mundo de novo.