Capítulo 17: POV: Elena
Acordei com a sensação de estar sendo queimada viva, mas não de dor. Era o calor que emanava do corpo de Ares ao meu lado.
Pela primeira vez desde que fui arrastada para aquele pesadelo de luxo, o braço dele não estava me prendendo com força ou me mantendo no lugar por intimidação. Ele apenas descansava sobre a minha cintura, um peso firme e possessivo, mas quase protetor.
Abri os olhos devagar. O quarto dele era diferente do meu antigo cativeiro: os tons de cinza e preto do mármore e da madeira nobre davam um ar de santuário sombrio. Ele ainda estava dormindo. Ares Vanderbilt, o monstro de Nova York, parecia quase humano sob a luz suave da manhã. O cabelo loiro estava bagunçado sobre a testa, as pestanas longas descansando sobre as bochechas, e o maxilar rígido parecia levemente desarmado.
Passei os dedos delicadamente pelo meu pescoço. A pele estava quente e dolorida. As marcas dos dedos do invasor continuavam lá, mas o toque da toalha de Ares na noite anterior parecia ter marcado meu corpo de um jeito muito mais profundo.
Eu o odiava. Odiava o que ele fez comigo, odiava estar trancada ali. Mas quando o perigo real entrou pela porta, foi pelo nome *dele* que eu clamei.
Fechei os olhos com força, uma onda de vergonha e pavor me atingindo. *O que você está se tornando, Elena?*
Tentei me afastar devagar, deslizando o corpo para a borda do colchão sem fazer barulho. No segundo em que o braço dele perdeu o contato com a minha pele, os olhos cinzentos de Ares se abriram. Não houve lentidão de quem acabou de acordar; ele estava instantaneamente alerta, o predador desperto em um fração de segundo.
O braço dele voltou para a minha cintura como um chicote, puxando-me de volta contra o peito dele.
— Onde você pensa que vai? — a voz dele saiu grave, rouca pelo sono, ressoando direto nas minhas costas.
— Eu... eu só ia ao banheiro — murmurei, tentando manter o tom firme, mas falhando miseravelmente.
Ares se ergueu, apoiando o peso do corpo sobre um dos cotovelos. Ele olhou para mim, os olhos prateados analisando cada centímetro do meu rosto até pararem, inevitavelmente, no meu pescoço machucado. O semblante dele escureceu de novo, aquela sombra perigosa retornando ao seu olhar.
ele ergueu a mão e passou a ponta do polegar suavemente sobre a marca roxa na minha pele.
— Aind doendo? — perguntou. Não havia sarcasmo na voz dele desta vez. Havia uma tensão contida, uma raiva que não era direcionada a mim, mas ao mundo lá fora.
— Um pouco — confessei, sustentando o olhar dele. — Ares... o que vai acontecer agora? Eu nunca mais vou poder sair deste quarto?
Ares deu um sorriso pequeno, um toque do seu habitual desdém voltando aos lábios, mas sem o veneno de antes.
— Você pode andar pela cobertura toda, Elena. Mas lá fora? Lá fora existe uma guerra, e enquanto eu não exterminar cada rato que acha que pode tocar no que é meu, você não dá um passo fora destas portas.
— "No que é seu" — repeti, com um traço de amargura. — Eu sou uma pessoa, Ares. Não um troféu ou uma propriedade sua.
Ares se aproximou mais, segurando meu queixo suavemente, mas sem dar margem para que eu me esquivasse.
— Se você fosse apenas uma propriedade, Elena, o homem que entrou aqui estaria morto e você estaria em um avião para bem longe para eu não ter distrações — ele disse, a voz caindo para um tom perigosamente íntimo. — Mas você está na minha cama. E o seu pescoço traz as marcas que deveriam ser apenas do *meu* toque. Você é muito mais do que uma propriedade. E é exatamente por isso que você não vai a lugar nenhum.
POV: Ares
A resistência dela era algo fascinante. Mesmo quebrada, traumatizada e marcada pela violência da noite anterior, Elena Vance ainda tinha a audácia de me encarar com aqueles olhos azuis cheios de fogo e orgulho.
E p***a, aquilo me enlouquecia.
Puxei o corpo dela para cima do meu. Elena arfou, as mãos pousando nos meus ombros largos enquanto ficava montada sobre mim. O roupão de seda que ela usava se abriu levemente, revelando a curva suave do seu colo e a pele clara que eu desejava marcar até que não restasse nenhum vestígio do mundo lá fora nele.
— Ares... — ela começou, mas eu selei seus lábios com os meus.
Não foi um beijo calmo. Foi uma afirmação de posse, lenta, profunda e dominante. Minhas mãos subiram pelas coxas dela, apertando a carne macia, sentindo o corpo dela estremecer e ceder. Eu podia sentir o ritmo acelerado do coração dela contra o meu peito. Ela tentava lutar contra o que sentia, tentava se apegar ao papel de vítima, mas o seu corpo respondia ao meu com uma fome que ela jamais conseguiria esconder.
Quando me afastei a milímetros da sua boca, ela estava ofegante, as bochechas coradas e os olhos nublados pelo desejo.
— O técnico de TI e o mandante da invasão não vão ver o sol nascer hoje — sussurrei contra os lábios dela. — E quando eu voltar esta noite, eu quero você me esperando nesta cama. Sem brigas, sem mentiras de que você tem nojo de mim.
Elena engoliu em seco, mas não desviou o olhar.
— E se eu recusar? — ela desafiou, a voz trêmula, mas cheia de uma bravura teimosa.
Eu me inclinei, mordiscando levemente o lado intacto do seu pescoço, sentindo um gemido abafado escapar da garganta dela.
— Você não vai recusar, boneca — respondi, com um sorriso sombrio. — Porque nós dois sabemos que esse perigo é a única coisa que faz o seu coração bater de verdade agora.
Levantei-me da cama, deixando-a ali, trêmula e exposta. Vista a minha camisa social branca que estava jogada na cadeira, ajeitei o relógio no pulso e olhei para ela uma última vez antes de sair do quarto.
O jogo tinha mudado. A máfia russa achou que tinha encontrado a minha fraqueza. Mas eles estavam prestes a descobrir que Elena não era a minha fraqueza — ela era o meu combustível para queimar Nova York até o chão.