capítulo 3

587 Words
Capítulo 3: A Gaiola e o Espetáculo POV: Elena O corpo dele era uma parede. Duro, quente, cheirando a uísque e a perigo. A mão dele na minha cintura não era um abraço, era uma algema. Eu sentia cada osso meu sob os dedos dele, como se ele estivesse calculando o quanto precisava apertar para quebrar. — Eu posso tudo, boneca. Guarde bem essa informação. A voz dele no meu ouvido não tinha t***o. Tinha nojo e posse. Como se eu fosse uma coisa que ele achou no chão dele e decidiu que ninguém mais ia tocar. — Se você tentar correr, gritar ou sequer pensar em olhar para outro homem em busca de ajuda... farei sua mãe engolir o próprio coração. Fui claro? Minha mãe. O nome dela na boca dele me fez parar de lutar. O ar sumiu. Eu só consegui assentir. Uma, duas vezes, fraca, enquanto as lágrimas escorriam quentes pelo meu rosto e molhavam a camisa branca impecável dele. Ele me soltou da cintura, mas antes que eu pudesse respirar, a mão dele desceu e travou no meu pulso. Firme. Não carinhoso. Como se leva um animal arisco pro canil. Ares: Anda. Ele me puxou pelo corredor do arquivo morto. Eu tropeçava nas minhas próprias pernas. As luzes fluorescentes zumbiam em cima da gente. Ele não olhava pra trás pra ver se eu estava acompanhando. Ele sabia que eu não tinha escolha. Ele me enfiou no elevador de serviço. Apertou o 40. O espelho do elevador me mostrou o que eu era naquele momento: loira, pálida, blusa de algodão amassada, maquiagem borrada. E ele, atrás de mim, me segurando pelo pulso como se eu fosse uma mala. Perfeito, loiro, intocável. Nenhum de nós falou. Quando a porta abriu no 40º andar, o Viktor, o segurança gigante da cena do escritório, já estava lá. Ao lado dele, Carter não estava mais. Só uma mancha escura no carpete que alguém tentou limpar às pressas. Viktor olhou pra mim, depois pra mão de Ares no meu pulso. Não demonstrou surpresa nenhuma. Como se o chefe dele caçasse garotas assustadas no subsolo todo dia. Ares: A partir de hoje, a Srta. Vance trabalha aqui em cima. Arquivo confidencial da presidência. Ela não sai deste andar sem a minha permissão. Se ela tentar descer, você me avisa. Se ela tentar ligar pra alguém, você me avisa. Se ela respirar fora do ritmo, você me avisa. Viktor: Sim, senhor. Eu tentei puxar o braço. — Você não pode me manter aqui! Isso é sequestro! As pessoas vão... Ares finalmente me soltou. E riu. Aquela risada baixa, sarcástica, que me fez gelar a espinha no escritório dele. Ares: Que pessoas, Elena? — Ele se inclinou, apoiou as duas mãos na parede, me prendendo entre ele e o mármore, sem me tocar. — A menina invisível do arquivo morto? Aquela que ninguém nota se vem ou se vai? Eu acabei de te promover. Dobrar seu salário. Sua mãe vai ter o remédio mais caro do país amanhã de manhã. Você deveria me agradecer. Ele estava me comprando e me ameaçando na mesma frase. E o pior é que funcionava. O remédio da minha mãe custava quase meu salário inteiro. Ele viu a hesitação nos meus olhos e soube que tinha ganhado. Ares: Bem-vinda à gaiola, boneca. O espetáculo está só começando. Ele se afastou e caminhou para dentro do escritório dele, deixando a porta dupla aberta de propósito. Pra me mostrar que agora eu não tinha porta nenhuma pra me esconder.
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