📖 Capítulo 3: A Gaiola e o Espetáculo
🕊️ POV: Elena
O som da fechadura eletrônica da cobertura ecoou como o disparo de uma execução.
Fui empurrada para dentro daquele palácio de vidro e mármore n***o pelo segurança de Ares, que bateu a porta atrás de mim, trancando-me no topo do mundo. O apartamento ocupava todo o andar, cercado por janelas imensas que exibiam as luzes da cidade lá embaixo — luzes de uma liberdade que agora parecia a milhões de quilômetros de distância.
Eu estava encolhida no centro da sala, abraçando meus próprios braços, chorando em silêncio. O cheiro de Ares estava em toda parte: uísque caro, madeira e colônia importada. O perfume do homem que tinha acabado de destruir a minha vida com uma ameaça que ainda fazia meu estômago revirar. *A vida da minha mãe em troca da minha submissão.*
Duas horas se passaram. Cada minuto parecia uma tortura. Minhas pernas doíam, mas eu tinha medo de me sentar no sofá luxuoso, medo de tocar em qualquer coisa que pertencesse àquele monstro loiro.
De repente, o bip da porta anunciou que ele havia chegado.
Meu coração saltou na boca. Encolhi-me perto de uma coluna de mármore, desejando desaparecer. Ares entrou no apartamento, mas ele não estava sozinho.
Uma mulher de vestido vermelho absurdamente curto, com saltos agulha e cabelos negros bem alinhados, estava pendurada no pescoço dele, rindo de forma estridente, exalando um perfume adocicado e enjoativo. Ela era linda, parecia uma modelo de passarela, o tipo exato de mulher que eu costumava ver acompanhando Ares nas colunas sociais.
E ela parecia desesperada pela atenção dele.
Ares nem sequer se deu ao trabalho de tirar o paletó. Ele a segurava pela cintura, mas seus olhos cinzentos e gélidos não olhavam para ela. No momento em que ele entrou na sala, seu olhar cortou o ambiente e cravou direto em mim.
A mulher de vermelho me viu e franziu o cenho, parando de rir por um segundo.
— Ares, querido... quem é essa coisa aí no canto? — ela perguntou, com a voz carregada de desdém, apontando para minhas roupas simples e meu rosto manchado de lágrimas.
Ares deu uma risada baixa, sarcástica, que me causou um arrepio de pavor.
— Ninguém, tiffany — ele murmurou, a voz aveludada e fria, sem desviar os olhos dos meus por um segundo. — Apenas parte da decoração nova. Esqueça que ela está aí e faça o que você veio fazer.
A humilhação ardeu no meu peito. Eu estava ali, trancada, impotente, sendo tratada como um nada.
Tiffany sorriu com escárnio, parecendo adorar a crueldade dele. Ela se jogou contra o peito de Ares, puxando a gravata dele com força, desesperada para provar que tinha o controle do Deus Grego.
— Então me dá atenção agora — ela exigiu, a voz manhosa, enquanto começava a abrir os botões da camisa social de Ares.
O que aconteceu em seguida foi um show de pura crueza e depravação.
Ares não a levou para o quarto. Ele não se importou com o fato de eu estar parada ali, a poucos metros de distância, assistindo ao terror da minha nova realidade se desdobrar. Ele simplesmente a prensou contra a mesa de centro de vidro, no meio da sala iluminada.
Em um movimento brusco e totalmente desprovido de qualquer delicadeza, Ares puxou o vestido vermelho da mulher para cima, expondo o corpo dela. Não houve preliminares, não houve um beijo na boca, não houve o menor vestígio de afeto. Ele abriu a calça com pressa, mas sua expressão permanecia a mesma: fria, calculista, entediada.
Ele a penetrou de uma vez, um golpe bruto que fez a mulher soltar um gemido alto, agudo, que ecoou pelas paredes da cobertura.
— Ah, Deus... Ares... mais forte... — ela clamava, jogando a cabeça para trás, cravando as unhas bem feitas nos ombros dele.
Fechei os olhos com força, cobrindo meus ouvidos com as mãos, mas o som da carne batendo contra a carne e os gemidos da mulher preenchiam o ar de forma sufocante. Minha respiração ficou curta. Uma mistura bizarra de nojo, terror e um calor vergonhoso e proibido começou a subir pelo meu ventre. Eu odiava o que estava vendo, odiava a frieza dele, mas a visão daquele homem loiro, musculoso, comandando o ato com tanta brutalidade selvagem fazia meu próprio corpo trair a minha mente.
Abri os olhos por um segundo de fraqueza e me arrependi instantaneamente.
Ares estava estocando a mulher com uma força implacável, os cabelos loiros desalinhados caindo sobre a testa, mas a cabeça dele estava virada na minha direção. Ele estava transando com outra, mas seus olhos cinzentos estavam fixos em mim, me devorando à distância. Havia um brilho sádico ali. Ele queria que eu visse. Ele queria me punir, quebrar meu psicológico e me mostrar exatamente quem ele era: um cafajeste c***l que usava as mulheres apenas como carne para seu próprio bel-prazer.
A mulher continuava a gritar de prazer, completamente cega para o jogo psicológico doentio que estava acontecendo bem em cima dela. Ela era apenas um instrumento.
Com um rosnado puramente mecânico, Ares descarregou dentro dela, o corpo dele tenso por alguns segundos antes de se afastar imediatamente.
O ato tinha acabado. E a frieza que se seguiu foi ainda pior.
Ares ajeitou as calças e abotoou o cinto sem a menor pressa, virando as costas para a mulher que ainda tentava recuperar o fôlego no vidro da mesa. Tiffany se levantou, ajeitando o vestido com as mãos trêmulas, olhando para ele com olhos brilhantes, esperando algum carinho.
— Vá embora — a voz de Ares chicoteou o silêncio da sala, destituída de qualquer traço do calor do sexo que tinham acabado de fazer.
— Mas Ares... eu pensei que eu pudesse passar a noite... — ela começou, a voz chorosa.
— Eu não pago você para pensar, Tiffany. O carro já está lá embaixo esperando. Suma da minha frente antes que eu mude de ideia sobre o seu pagamento — ele disparou, sarcástico, sem olhar na cara dela enquanto caminhava até o bar para servir um copo de uísque.
Humilhada e assustada com a mudança repentina de humor do herdeiro, a mulher pegou os sapatos e saiu correndo da cobertura, a porta batendo com força atrás dela.
O silêncio voltou a reinar no apartamento, mas a tensão agora era palpável. O ar cheirava a sexo cru e poder.
Ares tomou um gole do uísque, virou-se devagar e começou a caminhar na minha direção. Meus sapatos derrapavam no mármore enquanto eu tentava recuar, mas minhas costas bateram direto contra a coluna de mármore. Eu estava encurralada.
Ele parou a centímetros de mim, exalando o perfume da outra misturado com o seu próprio suor. Ele inclinou o rosto, o sorriso mais sarcástico e sombrio do mundo desenhado nos lábios perfeitos.
— Bem-vinda à minha rotina, boneca — ele sussurrou, a voz fria tocando minha pele arrepiada. — Aprendeu a lição? Nenhuma daquelas vadias significa p***a nenhuma para mim. Mas você... você vai ser só minha. E a próxima vez que esta sala ouvir esses gemidos... vai ser você de joelhos na minha frente.