capítulo 5

640 Words
Capítulo 5: A Ruína da Inocência POV: Elena Eu acordei com o chão gelado nas costas e a voz dele no meu ouvido. — Você ronca dormindo, boneca. Abri os olhos em pânico. Ele estava agachado do meu lado, de camisa preta, cheirando a chuva e a uísque. Tinha voltado do porto. O paletó caro que eu vi na câmera ainda estava molhado. Me arrastei pra longe dele até bater na coluna de mármore do 40º andar. O mesmo lugar onde eu dormi. Ele não me tocou. Ele não precisava. Ares: Você tentou abrir a porta de emergência à 01:12. Chutou a porta à 01:13. Chorou à 01:33. — Ele mostrou a tela do celular. A câmera do teto, me filmando encolhida. — Eu te disse que eu via tudo. Você achou que eu estava blefando. Meu sangue gelou. — Você me trancou aqui como um animal — minha voz saiu rouca de tanto chorar. — Animal morde a mão que prende. Você só chora. — Ele se levantou, devagar, ajeitando os punhos da camisa. Cada movimento dele era controlado, caro, perigoso. — E animal não dorme no meu andar. Levanta. Eu não levantei. Minhas pernas não obedeciam. Ele deu dois passos até o bar do escritório, serviu água num copo de cristal e colocou no chão, na minha frente. Não na mesa. No chão. Como se oferece pra alguém que tá no chão. Ares: Bebe. Você tá pálida. — Eu não quero sua água. — Não é um pedido. O tom dele mudou. Frio, seco, de patrão. O mesmo tom que ele usou com o russo no galpão, quando ele nem precisou levantar a voz pra fazer três seguranças armados abaixarem a arma. Eu peguei o copo com a mão tremendo. Ares: Ótima. — Ele voltou a me olhar de cima a baixo, com aquele tédio c***l dele. — Agora escuta, porque eu só vou falar uma vez. Você vai ficar no quarto de hóspedes da cobertura hoje. Amanhã, 8h, você senta naquela mesa ali e trabalha pra mim. Você vai arquivar, atender ligação e fingir que não viu p***a nenhuma no dia que o Carter sumiu. Em troca, sua mãe recebe o tratamento novo amanhã de manhã. O médico já tá pago. Ele se inclinou, apoiou as duas mãos nos braços da cadeira ao meu lado, me prendendo sem encostar em mim. O rosto dele ficou a centímetros do meu. Lindo de um jeito que dava raiva. Ares: E se você tentar fugir de novo, Elena... eu não vou correr atrás de você. Eu vou buscar sua mãe no hospital e trazer ela pra cá. E aí vocês duas ficam na minha gaiola. Entendeu? Eu entendi. E odiei entender. Odiava que meu corpo tremia, mas não era só de medo. Era do jeito que ele mandava. Como se o mundo inteiro fosse dele e eu tivesse acabado de ser comprada junto com o prédio. — Entendi. Ele sorriu. Aquele sorriso arrogante, vitorioso, que me fazia querer bater e ao mesmo tempo não conseguia desviar o olho. Ares: Boa menina. Ele se levantou e caminhou até a porta. Antes de sair, parou. Ares: E troca essa blusa. Tá rasgada. Eu olhei pra baixo. A barra da minha blusa tinha rasgado quando eu chutei a porta. Ele não rasgou. Eu mesma rasguei tentando fugir. E mesmo assim, do jeito que ele falou, pareceu que ele já era dono até do tecido que eu usava. A porta trancou atrás dele. De novo. Eu fiquei sozinha no 40º andar, com o copo de água na mão e o cheiro dele no ar. Presa. Com raiva. E, pela primeira vez, com vontade de quebrar a cara daquele mafioso loiro. Nota da autora: Obrigada por ficarem até aqui! A Elena finalmente vai mostrar as garrinhas. O que vocês acham que ela vai fazer primeiro?
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