đź“– CapĂtulo 14: O Preço da ObsessĂŁo
POV: Ares
O ar na refinaria de Queens tinha gosto de metal oxidado e pólvora queimada. Cada passo que dávamos sobre o concreto rachado ressoava como um tiro de advertência. Meus homens estavam posicionados nos flancos, mas eu não precisava de exército para limpar aquele esgoto. Eu só precisava de um alvo: Grigori.
— Ele está no nĂvel superior, junto aos tanques de armazenamento — a voz de Viktor soou pelo comunicador, fria e precisa. — Dez homens guardam a entrada.
— NĂŁo perca tempo — respondi, sacando minha arma principal, o peso dela familiar e reconfortante na mĂŁo. — Destruam o perĂmetro. Grigori Ă© meu.
O caos explodiu segundos depois. O som de granadas de luz cegou os homens de Grigori, transformando a escuridão da refinaria em um estrobo de clarões e gritos. Eu me movia como uma sombra entre as chamas. Um homem tentou erguer uma arma contra mim; um disparo na têmpora foi o suficiente para fazê-lo colapsar sem nem emitir um suspiro.
Eu subia as escadas metálicas de três em três degraus, ignorando o tiroteio furioso ao meu redor. Minha mente era uma tela em preto e branco, focada apenas no rosto de Grigori. Ele tinha ousado tocar no que era meu. Ele tinha ousado espalhar medo na minha casa.
Quando arrombei a porta da sala de controle superior, lá estava ele. Grigori parecia um rato acuado, tentou levantar sua pistola cromada, mas eu fui mais rápido. O disparo atingiu seu ombro, fazendo-o largar a arma e cair de joelhos, gritando em russo.
Eu caminhei até ele, a sola do meu sapato arrastando no sangue que já manchava o piso de metal. Agachei-me, segurando-o pelos cabelos, forçando-o a me encarar.
— Você achou que podia se esconder, Grigori? — minha voz era um sussurro, perigoso e gelado.
— Você é um homem morto, Ares — ele cuspiu sangue. — Eles virão...
— Deixe que venham — eu disse, puxando minha faca tática. — Mas você não vai estar aqui para ver.
O movimento foi preciso, implacável. O grito dele foi silenciado pelo som das chamas que consumiam o resto da fábrica. Eu me levantei, limpando o sangue do rosto com a manga da camisa. Estava acabado. A ameaça estava cortada pela raiz. Mas o alĂvio que deveria vir era inexistente; o medo que eu sentia por ela nĂŁo morria com Grigori.
### 🕊️ POV: Elena
O silêncio do apartamento era ensurdecedor, pior do que o barulho. Eu estava sentada no chão, encostada no pé da cama, com os braços abraçando os joelhos. As luzes da cidade lá fora, através da fresta da cortina, eram as únicas que me lembravam que o mundo ainda existia.
Foi entĂŁo que ouvi.
Não foi um passo. Foi o som metálico de algo sendo forçado. O som de uma fechadura de segurança sendo manipulada com uma chave mestra profissional.
Meu coração saltou para a garganta, bloqueando minha respiração. Ares tinha dito que a cobertura era impenetrável. Mas o som veio da sala de estar. *Clique.*
Eu tentei não respirar. Levantei-me lentamente, meus pés descalços tocando o tapete macio. A porta do quarto estava apenas encostada. Com as mãos trêmulas, eu me arrastei até a fresta e espiou para fora.
A luz da sala estava apagada, mas um vulto alto, vestido de preto, movia-se com uma facilidade assustadora. Não era um dos seguranças de Ares. Eles se moviam com brutalidade; esse homem se movia como um predador. Ele carregava algo comprido nas mãos — um silenciador.
O pânico subiu como ácido no meu estômago. Onde estava Ares? Onde estava a proteção?
O homem parou no meio da sala, girando a cabeça, procurando. Ele sabia que eu estava ali. Ele sentia minha presença como um animal sente a presa acuada.
"Elena", ele sibilou, uma voz que não pertencia a ninguém que eu conhecesse.
Eu recuei um passo, mas o assoalho sob meus pés deu um rangido traiçoeiro. O homem virou-se instantaneamente para a porta do meu quarto, o cano da arma brilhando fracamente sob a luz da lua.
A contagem regressiva tinha acabado. Eu nĂŁo tinha Ares para me salvar. Eu tinha apenas a mim mesma.