Capítulo 39: A Verdade Nunca Morre Passei a noite inteira olhando para o relógio do meu pai. Sentada na cama da cobertura, com luz apagada, só com luz de Manhattan entrando pela janela, segurando aquele relógio barato de couro marrom que ainda funcionava. Tic. Tac. Tic. Tac. Os ponteiros continuavam girando, segundo por segundo, como se o tempo insistisse em seguir em frente, enquanto a minha vida parecia ter parado naquele galpão do Brooklyn, naquele bilhete, naquela promessa de sangue que dizia que eu pertencia a alguém. Ares entrou no quarto em silêncio, já era quase três da manhã. Sem terno, só de calça preta e camiseta branca, descalço, com cabelo bagunçado de quem passou noite inteira em ligação. Sentou-se ao meu lado na cama, sem me apressar, sem perguntar se eu dormi. Sem dizer

