capítulo 15

1013 Words
📖 Capítulo 15: O Instinto da Presa 🕊️ POV: Elena O som do assoalho rangendo sob o meu pé foi a minha sentença. Através da fresta da porta, vi o vulto se mover com a rapidez de uma serpente na direção do meu quarto. Eu não tinha tempo para gritar. Não tinha tempo para chorar. Olhei ao redor do quarto escuro em puro desespero. A cama estava no centro, o guarda-roupa espelhado no canto e, sobre o criado-mudo, a única coisa que Ares havia deixado para trás: o pesado abajur de metal e base de mármore maciço. Arranquei o cabo da tomada com um puxão seco. Agarrei a haste de metal com as duas mãos, sentindo o frio do mármore contra as minhas palmas suadas. O peso quase me fez desequilibrar, mas a adrenalina sustentou meus braços. Em vez de me esconder embaixo da cama — onde eu seria um alvo fácil —, dei três passos rápidos para o lado, escondendo-me atrás da folha da porta que se abria para dentro do quarto. Prendi a respiração. Meu coração batia tão forte contra as minhas costelas que eu tinha certeza de que o homem conseguiria ouvi-lo. A porta do quarto foi empurrada devagar. O feixe de luz do corredor cortou a penumbra. A silhueta do invasor entrou primeiro, a pistola com silenciador erguida, apontando na direção da cama vazia. — Onde está você, bonequinha? — ele sussurrou com um sotaque carregado. No instante em que ele deu o segundo passo para dentro do quarto, ficando de costas para mim, o medo sumiu. Deu lugar a uma fúria cega de sobrevivência. Ergui o abajur acima da minha cabeça e, descarregando todo o peso do meu corpo, desci o objeto de mármore contra a nuca dele. *Clack.* O impacto foi seco. O homem soltou um grunhido sufocado e cambaleou para a frente. A pistola escapou da mão dele, deslizando pelo tapete. Mas ele era grande demais, forte demais. O golpe não o desmaiou. Ele se virou com os olhos injetados de sangue, a boca aberta em um rosnado, e agarrou meus pulsos antes que eu pudesse golpeá-lo novamente. O abajur caiu da minha mão, quebrando o vidro da lâmpada no chão. — v***a! — ele sibilou, jogando o peso dele sobre mim. Fui arremessada contra a parede. O impacto tirou o ar dos meus pulmões, mas eu continuei lutando, arranhando o rosto dele, chutando o que conseguia. A mão enluvada dele subiu para o meu pescoço, apertando a minha garganta, cortando o meu oxigênio. Minha visão começou a escurecer, as manchas roxas da noite anterior sob a minha pele protestando contra a nova violência. *Ares...* a mente implorou, o orgulho completamente desfeito. *Ares, por favor...* ### ♟️ POV: Ares O elevador privativo m*l abriu as portas e eu já estava com a arma em punho. Havia algo errado. O ar da cobertura estava frio demais. O silêncio era pesado, denso, com o cheiro inconfundível de invasão. Meus olhos bateram direto na fechadura eletrônica da entrada. Estava queimada por um curto-circuito provocado por um dispositivo externo. Um rosnado baixo escapou da minha garganta. *Viktor falhou.* Avancei pela sala de estar como um fantasma, os passos perfeitamente inaudíveis. Foi quando ouvi o som de vidro quebrando vindo do meu quarto, seguido por um baque abafado contra a parede. Meu sangue virou lava pura. Arrombei a porta do quarto em um movimento violento. A cena diante de mim fez o meu controle desaparecer por completo: um homem desconhecido, vestido de preto, estava prensando Elena contra a parede, as mãos dele no pescoço dela. Os olhos azuis da minha loira estavam arregalados, perdendo o brilho, a pele já pálida pela falta de ar. Eu não atirei. Uma bala seria misericordiosa demais. Cruzei a distância entre nós em dois passos longos. Segurei o invasor pelo colarinho e pelo cinto, arrancando-o de cima de Elena com uma força que eu nem sabia que possuía. Joguei o corpo dele contra o chão do quarto. Antes que ele pudesse se recuperar, chutei o seu rosto. O som do nariz dele se partindo ecoou no ambiente. — Você tocou... no que é... meu — cada palavra minha saiu pausada, desprovida de qualquer tom humano. Montei no peito do homem, descarregando soco atrás de soco na cara dele. Eu não sentia a dor nos meus próprios nós dos dedos. O sangue dele espirrou na minha camisa branca, misturando-se com o sangue de Grigori que eu já carregava. Eu o estava esmurrando até a morte, transformando o rosto dele em uma massa irreconhecível. — Ares! Para! Por favor, para! — a voz de Elena soou ao fundo, rouca, fraca, tossindo enquanto tentava recuperar o ar. O som da voz dela foi a única coisa no universo capaz de travar o meu braço no ar. Olhei para o homem abaixo de mim. Ele estava inconsciente, quase morto. Saí de cima dele, respirando de forma arfante, as mãos trêmulas de puro ódio. Virei-me para a cama. Elena estava caída de joelhos no chão, segurando o próprio pescoço, que já exibia marcas vermelhas e feias. Ela tremia dos pés à cabeça, os olhos azuis transbordando de lágrimas de pavor — pavor do invasor e, talvez, pavor do monstro que eu era. Caminhei até ela. Aproximei-me devagar, jogando a minha arma no chão para mostrar que não era uma ameaça para ela. Ajoelhei-me na sua frente e, sem pedir permissão, puxei o corpo delicado dela contra o meu peito. Desta vez, Elena não lutou. Ela enterrou o rosto no meu ombro ensanguentado e soltou um choro convulsivo, agarrando o tecido da minha camisa com as duas mãos como se eu fosse a sua única âncora no mundo. Apertei-a contra mim com uma força quase dolorosa, enterrando meus dedos em seus cabelos loiros. — Eu peguei ele, boneca. Eu peguei — sussurrei contra o ouvido dela, a possessividade queimando no meu peito de um jeito que eu não podia mais negar. — Acabou. Ninguém mais vai te tocar. Eu vou queimar o mundo se for preciso, mas você está segura comigo.
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