Amanhecia em Boccardi, todos ainda dormiam na casa dos Brito, Suzzie já estava pronta para voltar para casa, mas antes precisava passar pela casa de Megan. Havia se assustado muito com as palavras de Laura e resolveu alertar a prima. Logo que saiu, Laura desceu e fez uma ligação bastante suspeita, que só foi ouvida por Wesley sem que Laura percebesse.
Laura conversava em tom misterioso ao telefone.
— Te espero em cinco minutos no bosque, se você não aparecer serei obrigada a ir te buscar, você não vai querer que todos saibam. Perfeito, então te encontro lá.
Ela desligou o telefone rapidamente com um sorriso de satisfação e Wesley ficou curioso com a ligação suspeita da irmã, ele saiu de seu esconderijo e perguntou.
— Com quem você falava Laurinha?
Laura se espantou com a presença do irmão na sala.
— Wes, porque acordou tão cedo?
Ainda intrigado ele diz:
— Tentei me despedir de Suzzie, mas já era tarde.
Ele respondeu sem deixar que ela mudasse o rumo da conversa, Laura era especialista nisso.
— Você ainda não me respondeu, com quem falava ao telefone?
— Com uma amiga aqui de Boccardi, a Júlia. Marquei de me encontrar com ela para conversarmos melhor.
Ela disse meio impaciente e Wes logo diz:
— Essa amiga eu ainda não conheço, vou com você!
— Não! Não é necessário!
Ela protestou.
— Porque você está tão nervosa?
Ele perguntou desconfiado, mas naquele momento ele não quis pressioná-la, afinal Laura sempre foi sua aliada.
— Tudo bem! Você me apresenta a sua amiga outro dia.
— Ótimo, agora preciso ir.
Ela disse abrindo a porta, Wesley não ficou convencido com a história de Laura e resolveu segui-la. Assim que Laura chegou ao bosque combinado, um homem vinha ao longe e Laura sorria indo em direção a ele, Wesley estava escondido nos arbustos observando a máscara da irmã que caía, m*l sabia ele o tipo de pessoa que Laura se tornara.
— Como eu senti sua falta, meu amor! Venha cá!
Laura disse abraçando e beijando o homem, que correspondia aos seus carinhos. Wesley observava toda aquela troca de carinho confuso, porque Laura escondera ter um namorado?
Mal sabia Wesley que este namorado era comprometido e ele só entendeu, quando Laura pronunciou o nome do homem.
— Joshua você n******e se casar! Como ficaremos nós dois?
Wesley se lembrou do nome sem ter certeza, mas Laura foi clara em r*****o a seus planos.
— Você não precisa de mais dinheiro, eu tenho muito mais do que Megan e ela só irá receber migalhas de herança da mãe. Já eu, sou muito rica e juntos podemos ser muito felizes meu amor.
Laura disse passando a mão no rosto do rapaz que a olhou atentamente, mas diz em seguida.
— Eu já te disse que acabou Laura! Porque você se n**a a entender? Eu vou me casar com Meg e nós não nos veremos mais… já chega de me ligar. Foi ótimo o tempo que passamos juntos, eu me diverti e foi só isso! Mas eu me apaixonei por Meg e não vou deixá-la por você, não há nada que me faça mudar de ideia.
Joshua sentia-se um t**o por ceder aos encantos de Laura mais uma vez, ele não podia negar que ela era uma mulher linda e conseguiria enlouquecer a qualquer um, mas ele não era mais o mesmo homem, era? Ele se desvencilhou do abraço de Laura e lhe deu as costas, enquanto ela lhe fazia ameaças. Laura sorriu venenosamente e disse:
— Não diga isso com tanta certeza meu querido, você nunca ficará com Megan! Ela não será feliz, ela não merece!
Wesley estava apavorado com a verdadeira face de Laura, para ele a irmã sempre foi inocente e meiga, sempre pareceu gostar de Megan. Porém, Laura sempre foi dissimulada, uma atriz perfeita! Mentia olhando nos olhos das pessoas, se fingia de amiga de Suzzie e de Megan ao mesmo tempo. Invejava a beleza das duas e agora Wesley havia enxergado a verdadeira Laura, Joshua virou-se rapidamente para encará-la.
— Não me venha com ameaças, Laura! Não ouse fazer nada contra Meg, nem contra Suzzie! Entendeu?!
Ele a alertou em tom ameaçador. Laura começou a rir dele e falou:
— Quer dizer que você também está dividido como os idiotas dos meus irmãos?
Ela zombou, voltando a dizer:
— É o cúmulo! Você n******e estar apaixonado pelas duas! n******e amar nenhuma. Elas não merecem amor, não merecem felicidade!
Joshua revirou os olhos exausto com as atitudes de Laura e disse:
— Eu não lhe devo satisfações sobre os meus sentimentos, vou me casar com Meg e seremos felizes, Suzzie está feliz com Romero. Você n******e impedir a felicidade de ninguém, só a sua.
— Você não sabe do que sou capaz para conseguir o que eu quero, homem nenhum me dá as costas, você vai se arrepender! Vou destruir a sua vida e a vida de quem você ama.
Laura disse com um sorriso diabólico nos lábios e Joshua foi embora colérico com as palavras de Laura, ele jamais imaginou que ela era uma mulher perversa e invejosa.
Assim que Joshua se retirou, Wesley saiu dos arbustos e surpreendeu a irmã dizendo:
— O que foi isso que eu presenciei aqui, Laurinha? Porque estava com o noivo de sua melhor amiga? E, porque se comportou como uma louca?
Laura dissimulou um choro e correu para os braços do irmão como se fosse uma p***e menina inocente, Wesley se comoveu com o choro da irmã e pensou que aquilo tudo só tinha que ser um engano, que a irmã falou e fez tudo aquilo por estar apaixonada.
— Acalme-se Laura e me conte tudo, qual é a sua r*****o com este sujeito?
Ele disse tentando entender a dupla personalidade da irmã. Laura enxugou as lágrimas, ainda dissimulando alguns soluços, e começou a falar
— Eu conheci Joshua na Europa e me apaixonei por ele, nós namoramos todo este tempo, mas de repente ele terminou tudo e me abandonou. Eu descobri que ele havia se mudado para cá com a mãe e vim tentar reconquistá-lo, porém quando cheguei Suzzie me contou que ele e Megan estavam noivos, eu resolvi encontrá-lo para esclarecer tudo, contudo não deu certo.
Wesley ficou confuso com as falsas explicações de Laura, mas preferiu não tentar entender as confusões dela, a moral nunca foi seu ponto forte e ele nunca foi um homem preocupado com assuntos de família, seu único interesse eram mulheres, em especial as mulheres com o sobrenome Cooperlock.
Os dois voltaram para casa.
Suzzie chegou a casa de Megan pronta para contar toda a história de Laura, mas foi surpreendida por uma cena que observava pela janela da sala que dava para a entrada, a fez lembrar das palavras de Laura “Melhor você se certificar muito bem desta amizade”, Suzzie encontrou Meg aos risos e cócegas com Romero. Os dois se divertiam juntos e pareciam esquecer o resto do mundo, Romero e Megan eram perfeitos um para o outro e Suzzie sentia estar impedindo que Romero fosse feliz com Megan. Antes que Suzzie entrasse, foi surpreendida por Joshua, que também assistia à cena, ele parecia atordoado, confuso e olhava para Suzzie de modo diferente.
— O que houve? Parece que você foi assaltado, está pálido?
Suzzie Sussurrou e ele disse:
— Não é nada, você está linda!
Observou Joshua.
— Obrigada. Mas não diga essas coisas, Megan pode ficar triste.
Ela respondeu.
— E o que eu devo sentir em r*****o a essa cena? Minha noiva com o seu namorado? Devo rir?
Ele comentou amargamente.
— Eu não sei!
Disse Suzzie.
— Como não saber Suzzie?
Joshua a questionou irritado.
— Vamos sair daqui? Podemos ir até à praça e tomar um sorvete.
Ele estava tão impressionado e confuso quanto Suzzie, ele sugeriu.
— Não, vamos à cafeteria da rua de trás. Não quero que sejamos vistos juntos, as pessoas desta cidade falam demais.
Na verdade, Suzzie não queria reviver os momentos que teve com Romero ao lado de outra pessoa, a praça era o lugar do primeiro beijo entre eles e Suzzie não queria reviver e sofrer. Os dois deixaram Megan e Romero distraídos em uma conversa cheia de gargalhadas e caminharam até a cafeteria com Joshua perguntando.
— Por que você estava parada observando Meg e Romero?
— Eu não sei bem, acho que me dei conta de que eu não sou a garota certa para Romero, eu não sou meiga como Meg e eu não gosto das mesmas coisas que ele, não gostamos das mesmas músicas, nem do mesmo filme… nós somos incompatíveis.
— Nada disso importa para Romero.
Disse Joshua.
— Ele te ama como você é: inteligente, linda, super sincera, pavio curto, maluca, maravilhosa.
Suzzie corou com os elogios de Joshua, ele falava de modo estranho e tinha um tom apaixonado.
Ela se sentiu confusa, afinal desde que se mudou, Joshua sempre pareceu indiferente a ela e agora parecia entendê-la tão bem.
— Mas você? Porque não entrou em casa?
Ela perguntou.
– Acho que me sinto como você, eu amo Meg e sei que ela me ama. Mas às vezes ela parece distante, como se estivesse dividida entre mim e algo que até hoje eu não sabia, mas depois que eu observei os dois eu entendi que era o Romero, ele que ocupava a outra metade do coração de Meg.
— Eu também penso assim.
Suzzie concordou.
— Romero e Meg sempre se entenderam muito bem, eu nunca tive chances com ela até você chegar, talvez estejamos atrapalhando a felicidade deles.
— Me dói ter que concordar com isso, mas você está certa, mas me separar de Meg seria terrível, afinal não é a primeira vez que perco a mulher que eu amo e você sabe bem disso.
Ele comentou tristonho, Suzzie emudeceu. Afinal ela sabia que foi a primeira mulher que ele havia amado, mas ela só pensava em Romero e disse:
— Joshua, por favor, o que tivemos foi muito especial, mas é passado e agora vamos ser amigos! Vamos lutar pelas pessoas que amamos
— E quem você ama? Você ama mesmo só o Romero? Ou também está dividida?
Ele a provocou.
Você está louco! Por quem eu ficaria dividida?
— Por mim…
Ele brincou! Mas, no fundo, essa brincadeira tinha um pouco de verdade. Antes que Suzzie pudesse responder, Joshua a segurou e a beijou; ela até pensou em se desvencilhar, mas depois cedeu ao beijo de Joshua. De repente em um flash de lucidez os dois se afastaram rapidamente.
— O que você fez?
Suzzie protestou arrependida.
— O que eu fiz?! Você correspondeu ao meu beijo, e aposto que gostou.
Ele disse sarcástico.
— Meg e Romero não mereciam isto!
Ela se desesperou, Suzzie caiu aos prantos. Ela não podia aceitar que estava dividida entre Joshua e Romero.
— Eu preciso ir.
Disse Suzzie, Joshua segurou o braço de Suzzie e perguntou se ela contaria sobre o beijo a alguém. Suzzie fez que não com a cabeça e saiu, ele foi tão desnorteado em direção a praça que tropeçou e teria caído não fosse por um lindo desconhecido a lhe amparar.