Capítulo 2

1962 Words
Violet Dias atuais Está em todas as notícias. Papai vai para a prisão por um longo período. Sento-me sozinha no escuro do meu quarto da infância em casa, joelhos puxados para o peito. Não volto para Mansão Owens há alguns meses — tenho estado muito ocupada tendo minha própria vida em Dallas — mas no segundo em que o meu avô me ligou e me disse que algo muito r**m estava prestes a acontecer e que eu tinha que voltar para casa, pulei no meu carro e dirigi rápido. Mas não dirigi rápido o suficiente. A prisão do meu pai estava em todo lugar quando eu desci a entrada de veículos monitorada e cumprimentei a equipe na porta. A casa em que eu cresci parece muito menor do que costumava ser. Parece minúscula agora, embora seja um complexo enorme e extenso de alas, pisos, subpisos e terraços. Talvez eu tenha ficado maior, ou talvez eu esteja vendo o lugar com novos olhos. A renda ao redor da minha cama de dossel está ficando esbranquiçada com a idade e os danos do sol, e a cor desbotada faz minha espinha se contorcer. Os carpetes estão imaculados, a lareira está limpa, as pinturas e fotos estão todas como eu as deixei — perfeitamente niveladas e alinhadas — mas algo parece estranho. Provavelmente porque o papai nunca mais vai voltar. Meu telefone vibra. É Alicia mandando mensagem, para saber como estou me sentindo. Mais cedo, na minha viagem, Sara me enviou algumas dezenas de mensagens, e Sophia ligou algumas vezes e deixou uma mensagem para saber como estou, mas não respondi a ninguém. Não consigo encarar ninguém, ainda não. Há uma batida suave na porta. A porta se abre e Amelia enfia a cabeça para dentro. Ela sorri para mim e eu sorrio de volta, me levantando da cama. — Como você está? — diz a governanta da casa enquanto entra no quarto. Ela é pequena, gordinha, com cabelos escuros ficando grisalhos nas têmporas, e seu rosto enrugado se enruga com um sorriso que me faz sentir aquecida. — Sua avó me mandou para ter certeza de que você está bem com toda essa loucura. — Estou bem, só me controlando. Dou a ela um sorriso tenso e me contenho para não contar como estou realmente. Meu mundo está desmoronando no intervalo de algumas horas e estou oscilando descontroladamente entre estados emocionais: entorpecida, brava, de luto. — Como o vovô está lidando com isso? — Da forma que você imagina. Ela franze a testa e olha para a porta e seu tom se acalma. — Ele quer ver você no escritório. O escritório. O coração da mansão. Tenho muitas lembranças daquele escritório, mas nenhuma delas é boa. Papai nunca me chamava para o escritório quando as coisas estavam boas — apenas quando eu fazia algo errado, como bagunçar o saguão ou manchar um vestido novo. Algo assim. Ele me ensinou desde cedo: tudo em seu devido lugar. Ordem antes do caos. Caso contrário, não seremos melhores que todos os outros. — Eu não deveria deixá-lo esperando. A vovó está aqui? — Disseram-me que ela está a caminho. Toda esta situação é de partir o coração. Realmente de partir o coração. Ela estala a língua e balança a cabeça enquanto andamos pelos corredores familiares, indo para o escritório. — Seu pai tem sido tão gentil todos esses anos. Seus funcionários o amam, a equipe da casa o ama, e ouvir agora que ele fez essa coisa? Essa coisa terrível? É um erro horrível, difícil de acreditar. Acho que não é verdade, mas deve ser verdade. Ela parece perplexa, e por algum motivo isso me faz sentir um pouco melhor. Se Amelia não viu, como eu poderia ter visto? — Obrigado. Sinceramente, não tenho ideia do que faremos agora. Quero dizer, podemos visitá-lo? Haverá um julgamento? — Seu avô vai consertar tudo, eu prometo. Concordo uma vez, me preparando, e rapidamente limpo as lágrimas que se formam nos cantos dos meus olhos. Não posso começar a chorar, não agora. O vovô é um bom homem, um homem gentil, mas ele não tem paciência para demonstrações de emoção, como ele diz. Assim como meu pai. — Nós vamos superar — eu digo. — Nós sempre superamos. — Isso mesmo, isso mesmo. Você vai ficar bem. Ela acena e sorri, fecha a porta ornamentada do escritório e sai rapidamente. Respiro fundo, bato e entro. O avô está de pé ao lado da mesa olhando pela janela dos fundos. Ele está segurando um copo de uma bebida marrom na mão. Seu cabelo grisalho e penteado para trás, e sua coluna é reta e estreita. Ele está usando sua roupa chique de fazendeiro: camisa simples, jeans simples, botas simples, tudo feito à mão e obscenamente caro. Ele é um homem magro, rígido e baixo, e ele se vira para mim com aqueles olhos profundos e escuros que aprendi a amar e temer. Um pequeno sorriso toca seus lábios. — Olá, Violet, venha sentar-se. Fecho a porta e obedeço. A cadeira em frente à mesa é desconfortável, o assento é totalmente sem estofamento, o encosto em um ângulo estranho, e juro que eles encontraram os assentos mais desconfortáveis possíveis só para fazer as pessoas se contorcerem. — Como você está? — pergunto a ele. O meu avô balança a cabeça e se abaixa para sentar na minha frente. — Estou aguentando o máximo que posso. Ele toma um longo gole do copo e suspira. — Eu me aposentei há cinco anos esperando nunca mais ter que apagar outro maldito incêndio, mas aqui estou, de volta a p***a do trabalho. — Vovô. Meus olhos se arregalam. Nunca o ouvi xingar antes. Ele não parece notar minha reação, ou não se importa. — Estamos em uma situação r**m, Violet, uma situação muito complicada. Não contei tudo a você porque seu pai queria esconder de você até que você realmente precisasse saber, mas o fato é que estamos cientes de sua prisão iminente há semanas. Minha cabeça está tonta. Eles sabem disso há semanas? Eu vi o papai há três dias para almoçar e ele parecia perfeitamente bem — ele estava brincando com a garçonete, não agindo como um homem prestes a ser levado para dentro de um carro de polícia e jogado na prisão por desviar milhões de dólares. O vovô continua: — O preço das ações da Petroleira Owens está caindo. Os investidores estão em pânico. Os comentaristas da CNN estão prevendo nosso colapso, e você sabe que não estávamos em nosso melhor momento antes de tudo isso. A maldita revolução da energia verde está destruindo nossos lucros. Tenho feito ligações na semana passada tentando encontrar um novo credor para vir e cobrir algumas de nossas dívidas, mas ninguém está interessado. Aqui estou eu, um homem de oitenta anos, bancando o CEO novamente. Ele aperta o maxilar e olha para o teto. — Não sei como isso aconteceu. — Eu também não — digo baixinho, quase sussurrando. Eu me sinto completamente impotente. Eu estudei administração e marketing, mas não fui trabalhar na Petroleira Owens, a empresa de petróleo e gás que tornou minha família absurdamente rica por gerações. Somos uma velha família do petróleo texano, barões do petróleo com a coisa preta correndo em nossas veias, mas papai disse que eu precisava de experiência no mundo real. O que significa que ele me mandou para uma Universidade na Filadélfia e me deixou conseguir um emprego em uma agência de publicidade, em vez de me acorrentar a algum departamento aleatório na empresa onde eu lentamente subiria ao topo puramente com base no meu nome. O vovô se levanta novamente e anda de um lado para o outro atrás da mesa. Nunca o vi assim antes. O grande Howard Owens foi um mestre dos negócios em sua época, um titã da indústria, uma força formidável e um homem assustador nos negócios. Em toda a minha vida, nunca o vi preocupado, nem uma única vez. Zangado e desapontado, sim, bastante, mas nunca perdido e preocupado. Agora mesmo, o vovô parece que está prestes a arrancar os próprios cabelos, e isso está me assustando. — Há outra opção. Ele para de andar e limpa a garganta. — Você tem que entender. Seu pai tirou milhões da empresa e desperdiçou ainda mais da nossa fortuna pessoal em seu pequeno esquema de criptomoedas. Vovô faz uma careta. — Todo aquele dinheiro evaporou da noite para o dia e a família ficou em uma situação arriscada. Ninguém virá nos salvar, Violet, e a Petroleira Owens não vai sobreviver por muito mais tempo, não com toda essa má publicidade e o dinheiro desaparecido. As bombas de petróleo vão parar, e uma vez que parar, nunca mais seremos capazes de dar ao luxo de ligá-las novamente. Este é o fim da nossa família como a conhecemos, tudo porque seu pai achou que seria inteligente investir bem mais da metade do nosso patrimônio líquido em criptomoedas. — Ele mói as duas últimas palavras como se as estivesse quebrando entre os dentes. — O que posso fazer para ajudar? — pergunto, tremendo levemente. A ideia de que nossa família pode se desintegrar é demais para imaginar. A família Owens está no Texas há gerações, rica além da conta, poderosa e conectada a políticos em todos os níveis, e ainda assim parece que tudo isso está prestes a desaparecer praticamente da noite para o dia. Como uma família com raízes tão profundas pode ruir de repente? É inconcebível e, ainda assim, está acontecendo. O avô encontra meu olhar e parece um homem olhando para seu próprio caixão. — Há algo que você pode fazer, Violet. Mas você não vai gostar. Eu mesmo não gosto. Na verdade, acho todo esse empreendimento obsceno e desagradável, mas surgiu uma oportunidade, e — Ele se interrompe, apertando a mão em volta do uísque. Ele o joga de volta, esvazia o copo e o coloca na mesa. Quase como uma reflexão tardia, ele diz — Talvez você devesse tomar uma bebida também. — Não, obrigada — digo baixinho, me sentindo m*l, imaginando onde meus tios estão, onde meus primos estão, por que o peso disso está caindo inteiramente sobre mim agora. Tio Ted é o CFO, tio Wade é o chefe de engenharia, até mesmo minha prima Summer é uma das principais advogadas da empresa. Por que sou eu quem está sentada aqui, a filha do traidor e a razão da queda da nossa família, e a única Owens que não está ativamente na empresa? O avô esfrega o rosto. A maneira como ele continua evitando o problema faz meu estômago parecer que está se corroendo. — Você tem que entender, Violet. Ele pediu por você especificamente. Eu disse que havia outros acordos que poderíamos fazer, de outras maneiras, até sugeri Summer, pelo amor de Deus, mas... — Do que você está falando? — Eu me sento, perplexa e sobrecarregada. — Vovô, só me diga o que está acontecendo, por favor. Quem pediu por mim e por quê? Ele me encara calmamente. — Há uma oferta para investir na Petroleira Owens Oil. Será uma participação minoritária e incluirá dois assentos no conselho, mas nos salvará, Violet. É dinheiro suficiente para manter a Petroleira Owens funcionando por mais algum tempo e estabilizar as finanças da família. Mas ele pediu por você e disse que não há outras opções. — Quem me pediu? — Matteo Morrone. O nome me atinge como um chute no peito. De repente, estou de volta à faculdade sete anos antes, meu rosto sendo moído na terra, e as palavras daquele monstro selvagem ecoando em meus ouvidos. Deus, você é muito mais bonita com um pouco de sujeira em você, sua garota imunda do c*****o.
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