PIRULITO NARRANDO Eu ainda sentia o peso daquele olhar dela grudado em mim. Bruna tinha esse poder de me desmontar sem precisar falar nada, bastava um movimento da boca, um jeito de segurar a respiração, e eu já estava fodido. No carro, depois daquilo tudo, a tensão entre a gente não tinha sumido, mas tinha se transformado. Não era mais só raiva, não era só dor. Era aquele tipo de energia que deixa o sangue fervendo e a pele pedindo contato. Dirigi sem pressa, a mão firme no volante, mas a mente já acelerada. Eu olhava de lado pra ela de vez em quando e via o brilho dos olhos, o jeito que mordia o canto da boca como quem luta contra alguma coisa dentro de si. Eu sabia o que era. Ela ainda queria resistir, segurar a pose, mas já estava rendida. A gente podia brigar o dia inteiro, mas no

