O evento estava cheio.
Luzes fortes.
Música alta.
Gente demais.
Perfeito.
Ou perigoso demais.
— Última chance de desistir — Enrico disse, baixo.
— Nem tenta — Luna respondeu.
— Eu tentei.
— Eu sei.
Silêncio.
Mas dessa vez…
sem discussão.
— Segurança posicionada — Matteo avisou.
— Câmeras ativas — Bruna completou.
— Saídas monitoradas — Enrico disse.
Pausa.
— E o plano? — Bruna perguntou.
Luna respirou fundo.
Olhou ao redor.
E respondeu:
— A gente espera ele vir até mim.
— Eu odeio esse plano — Matteo disse.
— Eu também — Enrico completou.
— Eu amo — Bruna sorriu.
— Você tem problema — Matteo respondeu.
— Confirmado.
O evento começou.
Normal demais.
Calmo demais.
Errado demais.
Luna circulava.
Sozinha.
Mas não realmente.
Olhares discretos.
Segurança disfarçada.
E ele…
observando de longe.
— Nada ainda — Matteo murmurou no ponto.
— Ele tá aqui — Luna respondeu, calma.
— Como você sabe?
Pausa.
Pequeno sorriso.
— Eu sinto.
Silêncio.
Pesado.
Do outro lado…
Entre a multidão…
um olhar.
Fixado nela.
Rafael.
Observando.
Esperando.
Calculando.
— Ele tá aqui — Enrico disse.
— Onde?
— Setor esquerdo.
— Eu não tô vendo.
— Ele tá se escondendo.
Silêncio.
— Deixa ele vir — Luna murmurou.
— Cuidado — Enrico respondeu.
Ela continuou andando.
Fingindo normalidade.
Mas cada passo…
era calculado.
E então—
um toque.
No braço.
Ela travou.
Devagar.
Virou.
Ele.
Rafael.
De perto.
Pior.
Muito pior.
— Finalmente — ele disse.
Baixo.
Quase satisfeito.
— Você demorou — Luna respondeu.
Sem medo.
Ou fingindo muito bem.
— Eu gosto de observar antes.
— Estranho.
— Preciso ter certeza.
Silêncio.
— Certeza de quê?
— De quem você é pra ele.
Pausa.
Ela chegou mais perto.
Desafiando.
— E descobriu?
Silêncio.
— Mais do que eu queria.
No ponto—
— Não se aproxima — Enrico disse.
Mas já era tarde.
— Você acha que ganhou — Rafael continuou.
— Isso não é competição.
— É sim.
Silêncio.
— Você não pertence aqui — ele disse.
— Eu discordo.
— Você tirou o que era meu.
Erro.
— Eu não tirei nada — Luna respondeu — ele escolheu.
Silêncio.
Perigoso.
Os olhos dele mudaram.
Escureceram.
— Ele não escolhe.
— Escolhe sim.
— NÃO.
Explodiu.
E então—
movimento rápido.
Ele puxou ela pelo braço.
— AGORA! — Matteo gritou.
Segurança avançando.
Gente percebendo.
Caos começando.
— ME SOLTA! — Luna gritou.
Enrico chegou.
Rápido.
Sem pensar.
— LARGA ELA!
Empurrou Rafael.
Forte.
Mas—
Rafael reagiu.
Mais rápido.
Um objeto brilhou.
Pequeno.
Perigoso.
— CUIDADO! — alguém gritou.
E então.
impacto.
Silêncio.
Por um segundo.
Luna congelou.
Enrico travou.
Rafael sorriu.
Doentio.
E então correu.
De novo.
Sumiu.
Mas dessa vez…
algo ficou.
— …Enrico?
Silêncio.
Ele não respondeu.
Ela olhou.
E viu.
Sangue.
— NÃO!
Ele cambaleou.
Segurando o lado.
Respiração falhando.
— Eu tô bem — ele disse.
Mentira.
— VOCÊ NÃO TÁ!
Segurança chegou.
Gente em volta.
Barulho.
Caos total.
— Ambulância! — Matteo gritou.
Bruna já em pânico.
— ISSO NÃO TAVA NO PLANO!
Luna segurou ele.
Desesperada.
— Fica comigo!
Ele tentou sorrir.
Fraco.
— Eu disse que ia te proteger.
Ela chorou.
Sem segurar.
— i****a…
Silêncio.
Pesado.
E ali…
no meio do caos…
tudo mudou.
Porque agora…
não era mais ameaça.
Era consequência.
E dessa vez…
alguém pagou o preço.
Sirene.
Luz vermelha.
Barulho demais.
E ao mesmo tempo…
um silêncio absurdo dentro dela.
— Fica comigo… — Luna repetia, segurando a mão dele.
Enrico estava pálido.
Respiração pesada.
Mas ainda consciente.
— Eu tô aqui — ele murmurou.
Mentira fraca.
Mas suficiente pra ela não desabar ali.
Ambulância em movimento.
Tudo rápido.
Tudo confuso.
— Ele perdeu muito sangue — o paramédico disse.
— Ele vai ficar bem, né? — Luna perguntou.
Silêncio.
Erro.
— Estamos fazendo o possível.
Hospital.
Luz branca.
Fria.
Implacável.
— Você não pode entrar — uma enfermeira disse.
— Eu vou entrar sim!
— Senhora—
— NÃO ME CHAMA DE SENHORA!
Silêncio.
Bruna puxou ela.
— Calma.
— EU NÃO VOU FICAR CALMA!
Do outro lado…
Matteo falava com a polícia.
— Foi ele — disse firme — Rafael.
— Já temos o nome — o policial respondeu.
— Então pega ele.
Silêncio.
— Estamos tentando.
— TENTANDO NÃO É SUFICIENTE!
De volta…
Luna andava de um lado pro outro.
Respiração irregular.
Olhos cheios.
Sem conseguir parar.
— Ele vai ficar bem — Bruna disse.
— Você não sabe.
— Mas eu acredito.
— EU NÃO QUERO ACREDITAR, EU QUERO CERTEZA!
Silêncio.
Cru.
Real.
Ela parou.
De repente.
Como se algo tivesse caído dentro dela.
— Eu não disse.
Baixo.
Quase quebrando.
— O quê? — Bruna perguntou.
— Eu não disse pra ele.
— Disse o quê?
Silêncio.
Lágrimas agora livres.
— Que eu… — ela travou — que eu ainda—
Não terminou.
Mas não precisava.
Bruna abraçou ela.
Forte.
— Você vai poder dizer.
— E se eu não puder?
Silêncio.
— Não fala isso.
— E se for tarde demais?
Do outro lado…
Matteo voltou.
Rosto sério.
— Ele está em cirurgia.
Silêncio.
— E o Rafael? — Bruna perguntou.
— Sumiu.
— Claro que sumiu.
— Mas não por muito tempo.
Luna fechou os olhos.
Respirou fundo.
Tentando segurar tudo.
Falhando.
Tempo passou.
Lento demais, relógio andando coração travado. Até que a porta abriu médico
Silêncio absoluto.
— Ele está fora de perigo.
O mundo voltou.
De uma vez.
— Ele tá…? — Luna tentou.
— Estável.
— A cirurgia foi um sucesso.
Ela desabou.
De alívio.
De emoção.
De tudo.
Bruna sorriu chorando.
— Eu falei.
Matteo respirou fundo.
— Ainda bem.
Mas—
— Ele ainda vai precisar de recuperação — o médico continuou.
— E repouso absoluto.
— Eu posso ver ele? — Luna perguntou.
— Pode.
Quarto.
Silencioso.
Frágil.
Ele estava lá.
Deitado.
Pálido.
Mas vivo.
Ela entrou devagar.
Como se qualquer movimento errado fosse quebrar tudo.
Chegou perto.
Sentou.
E segurou a mão dele.
— i****a… — ela murmurou.
Baixo.
Carinhoso.
Dolorido.
Ele abriu os olhos.
Devagar.
— Eu ouvi isso.
Fraco.
Mas com aquele tom de sempre.
Ela riu chorando.
— Claro que ouviu.
Silêncio.
Mais leve agora.
Mas ainda cheio.
— Você me assustou — ela disse.
— Não era o plano.
— Você nunca segue o plano.
— Você também não.
Silêncio.
Ela olhou pra ele.
De verdade.
Sem fugir.
Sem máscara.
— Eu achei que ia te perder.
Pausa.
Longa.
— Não vai — ele respondeu.
Ela apertou a mão dele.
Mais forte.
— Não faz isso de novo.
— Eu não pretendo.
— Eu tô falando sério.
— Eu também.
Silêncio.
E então—
— Eu não disse antes… — ela começou.
Ele olhou pra ela.
Esperando.
Mas ela travou.
De novo.
Sempre.
— Eu sei — ele disse.
Baixo.
Ela franziu a testa.
— Sabe o quê?
Ele deu um meio sorriso.
Fraco.
Mas real.
— Que você não foi embora.
Silêncio.
Ela olhou pra ele.
Respirou fundo.
— E você quase foi.
Pausa.
Ele apertou a mão dela.
— Mas eu não fui.
Silêncio.
E ali…
no meio de tudo…
Sem contrato.
sem regras.
sem jogo.
eles estavam mais próximos do que nunca.
Mas ainda assim…
não disseram tudo.
E isso?
Isso ainda ia cobrar.