Dezoito

1221 Words
O evento estava cheio. Luzes fortes. Música alta. Gente demais. Perfeito. Ou perigoso demais. — Última chance de desistir — Enrico disse, baixo. — Nem tenta — Luna respondeu. — Eu tentei. — Eu sei. Silêncio. Mas dessa vez… sem discussão. — Segurança posicionada — Matteo avisou. — Câmeras ativas — Bruna completou. — Saídas monitoradas — Enrico disse. Pausa. — E o plano? — Bruna perguntou. Luna respirou fundo. Olhou ao redor. E respondeu: — A gente espera ele vir até mim. — Eu odeio esse plano — Matteo disse. — Eu também — Enrico completou. — Eu amo — Bruna sorriu. — Você tem problema — Matteo respondeu. — Confirmado. O evento começou. Normal demais. Calmo demais. Errado demais. Luna circulava. Sozinha. Mas não realmente. Olhares discretos. Segurança disfarçada. E ele… observando de longe. — Nada ainda — Matteo murmurou no ponto. — Ele tá aqui — Luna respondeu, calma. — Como você sabe? Pausa. Pequeno sorriso. — Eu sinto. Silêncio. Pesado. Do outro lado… Entre a multidão… um olhar. Fixado nela. Rafael. Observando. Esperando. Calculando. — Ele tá aqui — Enrico disse. — Onde? — Setor esquerdo. — Eu não tô vendo. — Ele tá se escondendo. Silêncio. — Deixa ele vir — Luna murmurou. — Cuidado — Enrico respondeu. Ela continuou andando. Fingindo normalidade. Mas cada passo… era calculado. E então— um toque. No braço. Ela travou. Devagar. Virou. Ele. Rafael. De perto. Pior. Muito pior. — Finalmente — ele disse. Baixo. Quase satisfeito. — Você demorou — Luna respondeu. Sem medo. Ou fingindo muito bem. — Eu gosto de observar antes. — Estranho. — Preciso ter certeza. Silêncio. — Certeza de quê? — De quem você é pra ele. Pausa. Ela chegou mais perto. Desafiando. — E descobriu? Silêncio. — Mais do que eu queria. No ponto— — Não se aproxima — Enrico disse. Mas já era tarde. — Você acha que ganhou — Rafael continuou. — Isso não é competição. — É sim. Silêncio. — Você não pertence aqui — ele disse. — Eu discordo. — Você tirou o que era meu. Erro. — Eu não tirei nada — Luna respondeu — ele escolheu. Silêncio. Perigoso. Os olhos dele mudaram. Escureceram. — Ele não escolhe. — Escolhe sim. — NÃO. Explodiu. E então— movimento rápido. Ele puxou ela pelo braço. — AGORA! — Matteo gritou. Segurança avançando. Gente percebendo. Caos começando. — ME SOLTA! — Luna gritou. Enrico chegou. Rápido. Sem pensar. — LARGA ELA! Empurrou Rafael. Forte. Mas— Rafael reagiu. Mais rápido. Um objeto brilhou. Pequeno. Perigoso. — CUIDADO! — alguém gritou. E então. impacto. Silêncio. Por um segundo. Luna congelou. Enrico travou. Rafael sorriu. Doentio. E então correu. De novo. Sumiu. Mas dessa vez… algo ficou. — …Enrico? Silêncio. Ele não respondeu. Ela olhou. E viu. Sangue. — NÃO! Ele cambaleou. Segurando o lado. Respiração falhando. — Eu tô bem — ele disse. Mentira. — VOCÊ NÃO TÁ! Segurança chegou. Gente em volta. Barulho. Caos total. — Ambulância! — Matteo gritou. Bruna já em pânico. — ISSO NÃO TAVA NO PLANO! Luna segurou ele. Desesperada. — Fica comigo! Ele tentou sorrir. Fraco. — Eu disse que ia te proteger. Ela chorou. Sem segurar. — i****a… Silêncio. Pesado. E ali… no meio do caos… tudo mudou. Porque agora… não era mais ameaça. Era consequência. E dessa vez… alguém pagou o preço. Sirene. Luz vermelha. Barulho demais. E ao mesmo tempo… um silêncio absurdo dentro dela. — Fica comigo… — Luna repetia, segurando a mão dele. Enrico estava pálido. Respiração pesada. Mas ainda consciente. — Eu tô aqui — ele murmurou. Mentira fraca. Mas suficiente pra ela não desabar ali. Ambulância em movimento. Tudo rápido. Tudo confuso. — Ele perdeu muito sangue — o paramédico disse. — Ele vai ficar bem, né? — Luna perguntou. Silêncio. Erro. — Estamos fazendo o possível. Hospital. Luz branca. Fria. Implacável. — Você não pode entrar — uma enfermeira disse. — Eu vou entrar sim! — Senhora— — NÃO ME CHAMA DE SENHORA! Silêncio. Bruna puxou ela. — Calma. — EU NÃO VOU FICAR CALMA! Do outro lado… Matteo falava com a polícia. — Foi ele — disse firme — Rafael. — Já temos o nome — o policial respondeu. — Então pega ele. Silêncio. — Estamos tentando. — TENTANDO NÃO É SUFICIENTE! De volta… Luna andava de um lado pro outro. Respiração irregular. Olhos cheios. Sem conseguir parar. — Ele vai ficar bem — Bruna disse. — Você não sabe. — Mas eu acredito. — EU NÃO QUERO ACREDITAR, EU QUERO CERTEZA! Silêncio. Cru. Real. Ela parou. De repente. Como se algo tivesse caído dentro dela. — Eu não disse. Baixo. Quase quebrando. — O quê? — Bruna perguntou. — Eu não disse pra ele. — Disse o quê? Silêncio. Lágrimas agora livres. — Que eu… — ela travou — que eu ainda— Não terminou. Mas não precisava. Bruna abraçou ela. Forte. — Você vai poder dizer. — E se eu não puder? Silêncio. — Não fala isso. — E se for tarde demais? Do outro lado… Matteo voltou. Rosto sério. — Ele está em cirurgia. Silêncio. — E o Rafael? — Bruna perguntou. — Sumiu. — Claro que sumiu. — Mas não por muito tempo. Luna fechou os olhos. Respirou fundo. Tentando segurar tudo. Falhando. Tempo passou. Lento demais, relógio andando coração travado. Até que a porta abriu médico Silêncio absoluto. — Ele está fora de perigo. O mundo voltou. De uma vez. — Ele tá…? — Luna tentou. — Estável. — A cirurgia foi um sucesso. Ela desabou. De alívio. De emoção. De tudo. Bruna sorriu chorando. — Eu falei. Matteo respirou fundo. — Ainda bem. Mas— — Ele ainda vai precisar de recuperação — o médico continuou. — E repouso absoluto. — Eu posso ver ele? — Luna perguntou. — Pode. Quarto. Silencioso. Frágil. Ele estava lá. Deitado. Pálido. Mas vivo. Ela entrou devagar. Como se qualquer movimento errado fosse quebrar tudo. Chegou perto. Sentou. E segurou a mão dele. — i****a… — ela murmurou. Baixo. Carinhoso. Dolorido. Ele abriu os olhos. Devagar. — Eu ouvi isso. Fraco. Mas com aquele tom de sempre. Ela riu chorando. — Claro que ouviu. Silêncio. Mais leve agora. Mas ainda cheio. — Você me assustou — ela disse. — Não era o plano. — Você nunca segue o plano. — Você também não. Silêncio. Ela olhou pra ele. De verdade. Sem fugir. Sem máscara. — Eu achei que ia te perder. Pausa. Longa. — Não vai — ele respondeu. Ela apertou a mão dele. Mais forte. — Não faz isso de novo. — Eu não pretendo. — Eu tô falando sério. — Eu também. Silêncio. E então— — Eu não disse antes… — ela começou. Ele olhou pra ela. Esperando. Mas ela travou. De novo. Sempre. — Eu sei — ele disse. Baixo. Ela franziu a testa. — Sabe o quê? Ele deu um meio sorriso. Fraco. Mas real. — Que você não foi embora. Silêncio. Ela olhou pra ele. Respirou fundo. — E você quase foi. Pausa. Ele apertou a mão dela. — Mas eu não fui. Silêncio. E ali… no meio de tudo… Sem contrato. sem regras. sem jogo. eles estavam mais próximos do que nunca. Mas ainda assim… não disseram tudo. E isso? Isso ainda ia cobrar.
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