Se alguém perguntasse o que eles estavam fazendo agora…
a resposta seria simples:
Ninguém sabia.
— Então… vocês voltaram? — Bruna perguntou, com zero sutileza.
— Não — Luna respondeu.
— Sim — Matteo disse ao mesmo tempo.
Silêncio.
— A gente tá tentando — Luna corrigiu.
— Isso é pior — Bruna concluiu.
— Muito pior — Matteo confirmou.
No escritório…
Primeiro dia “normal” depois do caos.
Spoiler: não estava nada normal.
— Bom dia — Luna disse.
— Bom dia.
Silêncio.
— Você voltou.
— Eu trabalho aqui.
— Eu sei.
Silêncio.
Constrangedor.
Ridículo.
— Isso tá estranho — ela murmurou.
— Muito.
— A gente precisa agir normal.
— Concordo.
Silêncio.
— Isso não é normal.
— Nem um pouco.
Do outro lado…
— Eu não aguento — Bruna disse.
— Nem eu — Matteo respondeu.
— Eles estão piores do que antes.
— Agora tem expectativa.
— E medo.
— E sentimento.
— E caos.
Silêncio.
— Eu gosto.
— Eu sei.
Mais tarde…
Reunião.
Profissional.
Séria.
Importante.
Mas—
— Você pode passar esse relatório? — Enrico disse.
— Posso.
As mãos se tocaram.
Leve.
Rápido.
Mas suficiente.
Silêncio.
Ela puxou a mão.
— Desculpa.
— Não precisa.
Mais silêncio.
— Isso não vai funcionar — ela murmurou.
— Vai sim.
— Não vai.
— Vai.
Silêncio.
— Você é insistente.
— Só quando importa.
Pausa.
Erro.
— Eles estão flertando numa reunião? — Bruna cochichou.
— Sim — Matteo respondeu.
— Eu amo.
— Eu temo.
Corredor…
— A gente precisa de regras — Luna disse.
— Regras?
— Sim.
— Tipo contrato 2.0?
— Mais ou menos.
Silêncio.
— Sem beijo em público.
— Ok.
— Sem cenas.
— Ok.
— Sem—
— Mentiras.
Silêncio.
Ela travou.
— Isso é novo.
— Eu tô tentando.
Pausa.
— Tá.
— E sem controle — ela disse.
— Isso vai ser difícil.
— Problema seu.
— Justo.
Silêncio.
Mais leve.
Estranho.
Mas… melhor?
Talvez.
— E… — ela hesitou — sem… outras pessoas.
Silêncio.
Ele entendeu.
Claro que entendeu.
— Não tem outras pessoas.
— E aquela mulher?
— Já acabou.
Pausa.
Ela assentiu.
Mas ainda não confiava.
E ele sabia.
— Você vai ter que provar — ela disse.
— Eu sei.
— E não vai ser rápido.
— Eu sei.
Silêncio.
— E talvez não funcione.
— Eu sei.
Ela cruzou os braços.
— Você sempre sabe tudo.
— Não.
— Sabe sim.
— Eu só sei que não quero perder você de novo.
Silêncio.
Direto.
Perigoso.
Ela desviou o olhar.
Mas sorriu.
Pequeno.
Quase escondido.
— Não promete nada que não pode cumprir.
— Eu não vou prometer.
— Melhor.
Do outro lado…
— Eles estão… fofos? — Bruna perguntou.
— Eu não usaria essa palavra — Matteo respondeu.
— Eu usaria.
— Eu usaria “instáveis”.
— Também.
Fim do dia…
Eles estavam na mesma sala.
Sozinhos.
De novo.
Perigo máximo.
— Isso é estranho — Luna disse.
— Eu sei.
— Mas não é r**m.
Silêncio.
— Não é mesmo.
Pausa.
Longa.
Ele deu um passo mais perto.
Devagar.
Esperando.
Dessa vez…
esperando.
Ela não recuou.
Mas também não avançou.
— Regra número um — ela murmurou — sem beijo em público.
— Isso não é público.
Silêncio.
Erro.
Ela levantou o olhar.
— Você tá testando os limites?
— Sempre.
— i****a.
— Você gosta.
— Às vezes.
Pausa.
Respiração leve.
Olhar preso.
De novo.
Sempre.
Mas dessa vez…
ele parou.
Antes.
— Eu vou respeitar — ele disse.
Silêncio.
Ela não esperava.
— Tá… — ela murmurou — isso é novo.
— Eu disse que tô tentando.
Ela deu um passo mais perto.
Pequeno.
Mas escolha.
— Não estraga isso.
— Eu não vou.
Silêncio.
Calmo.
Quase seguro.
Do outro lado…
Bruna encostada na parede.
— Eles não se beijaram.
— Milagre — Matteo respondeu.
— Eu tô orgulhosa.
— Eu tô desconfiado.
E com razão.
Porque quando tudo começa a dar certo…
é porque algo ainda maior está prestes a dar errado.
Perfeito… agora vem o teste de verdade
Se tem uma coisa que o universo adora…
é trazer problema antigo na pior hora possível.
O dia estava tranquilo.
Calmo.
Organizado.
Suspeito.
— Eu não gosto disso — Bruna disse.
— Do quê? — Matteo perguntou.
— Da paz.
— Você nunca gosta.
— Porque sempre vem coisa r**m depois.
Silêncio.
A porta do escritório abriu.
E então…
— Enrico.
A voz.
Feminina.
Elegante.
Familiar.
Perigosa.
Luna levantou o olhar.
E viu.
Ela.
A mesma mulher da foto.
Mas pior ao vivo.
Muito pior.
— Isabella — Enrico disse.
Calmo demais.
Erro.
— Eu senti sua falta — Isabella falou, se aproximando como se tivesse direito.
Silêncio.
Luna cruzou os braços.
Observando.
Analisando.
— Que estranho — Luna murmurou — eu não senti a sua.
Bruna quase engasgou.
— EU AMO ELA — sussurrou.
— Eu também — Matteo respondeu.
Isabella olhou pra Luna.
De cima a baixo.
Clássico.
— Você ainda está aqui.
— Eu trabalho aqui.
— Impressionante.
— Eu sei.
Silêncio.
Tensão subindo.
— O que você quer? — Enrico perguntou.
Direto.
Frio.
Mas não suficiente.
— Conversar.
— Agora não.
— Agora sim.
Silêncio.
Ela se aproximou mais.
Demais.
— Eu voltei.
Pausa.
— Percebi.
Luna virou levemente.
— Eu vou ali…
— Fica — Enrico disse.
Sem pensar.
Instinto.
Erro?
Talvez não.
Ela parou.
Olhou pra ele.
E decidiu ficar.
Escolha.
— Isso é inconveniente — Isabella disse.
— Pra você? — Luna perguntou.
— Pra todo mundo.
— Eu discordo.
Silêncio.
— A gente precisa conversar sobre nós — Isabella continuou.
Erro.
Grave erro.
Luna riu.
Baixo.
Perigoso.
— “Nós”?
Silêncio.
— Não existe mais “nós” — Enrico respondeu.
Direto.
Sem hesitar.
Finalmente.
Isabella travou.
Um segundo.
Mas se recuperou.
— Você sempre diz isso quando está com alguém temporário.
Silêncio.
Pesado.
Errado.
Luna ficou imóvel.
Mas os olhos mudaram.
— Cuidado — Enrico disse, baixo.
Perigoso.
— Ou o quê? — Isabella provocou.
Silêncio.
— Ou você vai sair daqui — ele respondeu.
Direto.
Frio.
Definitivo.
Do outro lado…
— EU TÔ ARREPIADA — Bruna sussurrou.
— Isso ficou sério — Matteo disse.
Isabella cruzou os braços.
— Então é isso?
— É.
— Você escolheu ela?
Silêncio.
Pausa.
Importante.
Ele respondeu:
— Eu estou tentando.
Não foi um “sim”.
Mas também não foi um “não”.
Luna sentiu.
Claro que sentiu.
Mas não recuou.
— Isso é um erro — Isabella disse.
— Talvez — Luna respondeu — mas pelo menos é meu erro.
Silêncio.
Isabella deu um sorriso frio.
— Você não aguenta.
— Testa.
Silêncio.
Pausa.
Longa.
Pesada.
E então…
Isabella suspirou.
— Isso não acabou.
— Acabou sim — Enrico respondeu.
Sem olhar pra ela.
Olhando pra Luna.
E isso?
Isso disse tudo.
Isabella virou.
Saiu.
Elegante.
Mas derrotada.
Por enquanto.
Silêncio.
Grande.
Pesado.
— UAU — Bruna disse.
— UAU mesmo — Matteo concordou.
De volta…
Luna respirou fundo.
— Isso foi… intenso.
— Foi.
— E desnecessário.
— Concordo.
Silêncio.
— Você podia ter falado mais cedo — ela disse.
— Eu sei.
— Você sempre sabe depois.
— Eu tô melhorando.
Pausa.
Ela olhou pra ele.
— Tá mesmo.
Pequeno.
Mas real.
— Isso não me deixou confortável — ela continuou.
— Nem a mim.
— Mas…
Pausa.
— Você não recuou.
Silêncio.
Ele respondeu simples:
— Eu não vou mais.
Ela ficou quieta.
Processando.
Sentindo.
Confiando?
Ainda não.
Mas…
um pouco mais.
— Isso ainda vai dar problema — ela disse.
— Eu sei.
— E eu não confio 100%.
— Eu sei.
— E você vai ter que lidar com isso.
— Eu sei.
Silêncio.
Ela suspirou.
— Cansativo.
— Muito.
— Mas eu ainda tô aqui.
Silêncio.
Ele deu um meio sorriso.
Raro.
— Eu também.
Do outro lado…
Bruna segurou o braço de Matteo.
— Eles sobreviveram.
— Por pouco.
— Eu tô orgulhosa.
— Eu tô preocupado.
E com razão.
Porque o passado não volta à toa.
E quando volta…
é pra testar se o presente é forte o suficiente.
E eles?
Ainda estavam tentando descobrir isso.