Seis

1696 Words
O evento daquela noite era mais… leve. Menos formal. Mais perigoso. Porque quando o ambiente relaxa… as pessoas mostram quem realmente são. — Eu prefiro esse tipo de evento — Luna disse, olhando ao redor — menos gente fingindo perfeição. — Eles continuam fingindo — Enrico respondeu. — Mas disfarçam pior. Ele quase sorriu. Quase. — Luna? Ela virou. E viu um homem. Alto, bem vestido, sorriso fácil demais. — Rafael — ele disse — quanto tempo. Luna arregalou os olhos. — RAFA?! Ela foi abraçar. Sem pensar. Natural. Errado. Muito errado. Porque do outro lado… Enrico parou. Observando. Frio. Imóvel. Mas os olhos… não estavam nada frios. — Você sumiu! — Luna disse. — Você que sumiu! — ele riu — Brasil inteiro sente sua falta. — Drama. — Verdade. Eles estavam próximos. Rindo. Confortáveis. E isso… incomodou. — Você não vai me apresentar? — Rafael perguntou. Silêncio. Luna piscou. — Ah! Claro! Ela virou. — Enrico, esse é o Rafa, amigo meu do Brasil. Enrico deu um passo à frente. Postura impecável. — Enrico Bianchi. Aperto de mão firme. Competitivo. — Rafael — ele respondeu. Tensão. Instantânea. — E você? — Rafael perguntou — o que você faz? — Eu cuido da empresa. — CEO? — Rafael levantou a sobrancelha — ela não perde tempo mesmo. Silêncio. Perigoso. Luna riu. — Eu tenho bom gosto. Enrico olhou pra ela. — Interessante. Minutos depois… Rafael não saía de perto. — Você ainda fala sem filtro? — ele provocou. — Sempre. — Ainda caótica? — Mais ainda. — Ainda linda? Silêncio. Luna revirou os olhos. — Você não mudou nada. — Eu evoluí. — Duvido. — Quer testar? Enrico observava. Em silêncio. Mas cada palavra… cada riso… cada aproximação… estava sendo registrado. — Você dança? — Rafael perguntou. — Eu— — Não — Enrico respondeu. Os dois olharam pra ele. — Ela está ocupada. Luna arqueou a sobrancelha. — Eu estou? — Está. Silêncio. Rafael sorriu. — Relaxa, cara. É só uma dança. — Não. Clima. Pesado. — Enrico — Luna disse — eu posso decidir isso. — Pode. — Então— — Não. Silêncio. Ela cruzou os braços. — Isso não faz parte do contrato. — Faz parte de evitar problemas. — Você é o problema. — E ele não? Silêncio. Pausa. Ela olhou pra Rafael. Depois pra Enrico. — Vocês são ridículos. — Eu concordo — Rafael disse. — Eu não perguntei — Enrico respondeu. — Eu vou pegar um drink — Luna disse, saindo. Clima pesado demais. Ar pesado demais. E ela precisava de espaço. Do outro lado… Bruna já tava assistindo tudo. — EU TÔ AMANDO. — Isso é r**m — Matteo disse. — Isso é ótimo. — Ele está com ciúmes. — Finalmente! — Isso vai dar problema. — Já deu. Na área do bar… — Posso sentar? Luna olhou. Rafael. Claro. — Você nunca pede permissão — ela disse. — Hoje eu tô tentando ser educado. — Não combina com você. — Nem com você. Eles riram. Mais leve. Mais familiar. — Você tá bem? — ele perguntou. Ela hesitou. — Tô. — Mentira. — Um pouco. — Esse cara… — Ele é complicado. — Você gosta dele? Silêncio. Perigoso. Ela desviou o olhar. — Não. Rafael inclinou a cabeça. — Você nunca sabe mentir. — Eu sei sim. — Não sabe. — Cala a boca. Do outro lado… Enrico observava. Parado. Frio. Mas claramente… incomodado. Muito mais do que deveria. Matteo chegou. — Você está olhando há cinco minutos. — Estou analisando. — Não. Você está com ciúmes. Silêncio. — Não estou. — Está. — Não. — Está. Pausa. — Isso não faz sentido — Enrico disse. — Romance nunca faz. Ele olhou pra Matteo. — Isso não é romance. Matteo só respondeu: — Ainda. Antes que alguém pudesse prever… Rafael fez o que não devia. Ele segurou o queixo de Luna. Leve. Intimidade antiga. Perigoso. — Você continua linda — ele disse, baixo. Silêncio. E foi aí… que Enrico se mexeu. Rápido. Direto. Sem pensar. Ele puxou Luna pela cintura. Pra perto. Muito perto. E disse: — Acho que você não entendeu. Silêncio. Todos pararam. — Ela está comigo. Rafael levantou as mãos. — Calma, cara. — Eu estou calmo. Mentira. — Eu só estava conversando. — Acabou. Clima pesado. Tenso. Explosivo. Luna olhou pra ele. — Enrico— — Vamos embora. — Eu não— — Agora. Silêncio. Ela travou. Porque pela primeira vez… ele não estava só sério. Ele estava… afetado. De verdade. No carro… Silêncio. Pesado. Diferente. — Você não tinha direito de fazer aquilo — Luna disse. — Eu tinha. — Não tinha. — Eu tinha. — Não fazia parte do contrato. — Ele encostou em você. — Ele é meu amigo! — Ele não parecia. Silêncio. Ela virou pra ele. — Isso é ciúmes. — Não é. — É sim. — Não é. — É. Silêncio. Ele apertou o volante. — Isso é controle. — Isso é mentira. Pausa. Ela se inclinou um pouco. Mais perto. — Por que isso te incomodou tanto? Silêncio. Longo. Pesado. Real. Ele não respondeu. Porque não podia. Porque não queria. Porque sabia. E ela também. — Isso tá saindo do controle — ela murmurou. — Eu sei. — A gente precisa parar. — Eu sei. Silêncio. Eles se olharam. E, de novo… ninguém fez nada. Porque agora… já não era mais só atuação. Era sentimento. E esse? Perfeito… agora acabou a fuga — Eu não vou fazer isso. — Vai sim. — Eu não vou. — Vai. — NÃO. — SIM. Silêncio. — Eu odeio você — Luna disse, jogando a bolsa na cadeira. — Eu sei — Enrico respondeu, tranquilo demais. — Isso passou dos limites. — A imprensa está pressionando. — Problema deles. — Nosso problema. — Seu problema. — Nosso — ele repetiu. Ela cruzou os braços. — Eu não vou fingir que sou apaixonada por você em rede pública. Ele se aproximou. Calmo. Perigoso. — Você já faz isso muito bem. — Eu não faço. — Faz. — Não faço. — Faz. Silêncio. Ela respirou fundo. — O que exatamente você quer? — Uma entrevista. — Não. — Um evento ao vivo. — NÃO. — Uma demonstração convincente. Silêncio. Perigoso. — Você perdeu a noção. — Eu estou salvando a situação. — Você está piorando. — Você consegue fazer isso. — Eu não quero. Pausa. Ele olhou pra ela. Sério. — Por favor. Silêncio. Luna travou. — Você… pediu? — Sim. — Educadamente? — Sim. — Isso é novo. — Concentre-se. Ela desviou o olhar. Suspirou. — Tá bom. — Ótimo. — Mas eu vou fazer do meu jeito. — Desde que funcione. — Vai funcionar. Ela sorriu. Aquele sorriso. Perigoso. — Você só não vai gostar de como. Mais tarde… Câmeras. Microfones. Luzes. E caos prestes a acontecer. — Sorria — alguém disse. — Eu estou sorrindo — Luna respondeu. — Parece ameaça. — É charme. Enrico olhou de lado. — Tente parecer… apaixonada. Ela virou pra ele. — Quer ver paixão? — Controle-se. — Tarde demais. — Estamos ao vivo em 3… 2… 1… — Boa noite! — a apresentadora sorriu — hoje temos o casal mais comentado do momento… Luna já queria ir embora. — Enrico Bianchi e sua noiva misteriosa! A câmera virou. Foco neles. Momento deles. — Luna Andrade — ela disse, sorrindo. Confiante. Linda. Perigosa. — Então, Luna — a apresentadora continuou — como é estar noiva de um dos homens mais poderosos do país? Pausa. Luna pensou. Um segundo. Dois. Erro. — Cansativo. Silêncio. Enrico fechou os olhos por meio segundo. — Mas emocionante — ela completou rápido — ele é… intenso. — Intenso? — a apresentadora riu — isso é um elogio? Luna olhou pra ele. — Depende do dia. O público riu. Enrico segurou o controle. Por pouco. — E você, Enrico? — a apresentadora perguntou — está apaixonado? Silêncio. Perigoso. Ele olhou pra Luna. Ela sustentou. Desafiando. Provocando. Esperando. — Sim — ele respondeu. Calmo. Direto. Sem hesitar. Silêncio. Luna travou. Por um segundo. — Nossa — ela murmurou — ele ensaiou isso. O público riu. Mas o olhar dele… não parecia ensaiado. — Queremos ver um pouco desse amor — a apresentadora disse — vocês parecem… reservados. Silêncio. Perigo. Luna sorriu. Devagar. — Reservados? Ela virou totalmente pra ele. Mais perto. Muito perto. — A gente pode melhorar isso. Enrico percebeu tarde demais. — Luna— — Relaxa, amor. Amor. Primeira vez. Impacto direto. Ela segurou o rosto dele. Sem aviso. Sem preparação. Sem contrato. E chegou perto. Muito perto. Olhos nos olhos. Respiração misturada. — Isso é pra convencer, tá? — ela sussurrou. Mas já era tarde. Porque ele não recuou. Nem um centímetro. Ela inclinou o rosto. Devagar. Como sempre. Quase. Quase— Ele puxou ela pela cintura. Mais firme. Mais próximo. E dessa vez… não foi quase. Foi. Um beijo rápido. Mas real. Quente. Intenso. E completamente fora do plano. Silêncio. O estúdio inteiro parou. A apresentadora ficou sem reação. O público… explodiu. Aplausos. Gritos. Choque. E Luna? Luna abriu os olhos. Ainda perto. Ainda sem entender. — Isso… não tava no roteiro — ela murmurou. — Eu sei — ele respondeu. Baixo. Muito baixo. Depois… Bastidores. Silêncio. Pesado. Diferente. — Você me beijou. — Você começou. — Eu não ia— — Ia sim. — Não ia. — Ia. Silêncio. Ela passou a mão no rosto. — Isso complica tudo. — Eu sei. — A gente quebrou todas as regras. — Todas. Pausa. — Você podia ter parado. — Você também. Silêncio. Eles se olharam. De novo. E dessa vez… não tinha mais como fingir que não tinha acontecido. Do outro lado… Bruna estava surtando. — ELES SE BEIJARAM! Matteo estava em choque. — Eu vi. — EU VI AO VIVO! — Eu também vi ao vivo. — ISSO FOI REAL! — Foi. Silêncio. Bruna sorriu. — Agora não tem volta. Matteo murmurou: — Agora virou problema de verdade. E ele estava certo. Porque agora… não era mais “quase”. Não era mais atuação. Não era mais só contrato. Agora… era real demais pra ignorar.
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