O som das botas de Caleb no corredor de pedra era o metrônomo do meu pesadelo. Às cinco da manhã, o mundo ainda era uma mancha escura e úmida, e o barulho seco do metal batendo no chão anunciava que o meu tempo de clemência havia expirado. Ele não disse "bom dia". Apenas destravou a corrente do meu tornozelo com um solavanco e me arrastou para fora. A chuva fina de Londres caía como agulhas geladas sobre a minha pele, misturando-se ao suor frio que ainda cobria o meu corpo após a noite na cozinha. — Anda, p***a. O estrume não vai se limpar sozinho e a tua cota de luxo já foi gasta ontem à noite — ele rosnou, a sua presença cortando a neblina matinal. Trabalhei por horas sob o seu olhar vigilante. Minhas mãos, antes destinadas ao piano e aos livros de escritores renomados, agora sang

