Capítulo 05

1702 Words
Grego narrando Desci as escadas apagando o baseado, rádio preso na cintura, arma sempre grudada em mim como se já fizesse parte da minha pele, e fui na direção do meu parceiro que já estava encostando a moto no meu portão — Cheguei, hein. Cheguei pra tumultuar essa p***a — ele falou rindo, enquanto a gente fazia o toque de sempre, daquele jeito que só quem é cria entende. Irmandade no olhar, no gesto, na história. — E aí, como foi lá os bagulho? — perguntei, direto, porque o sorriso dele já deu lugar a uma expressão mais séria na hora. Bin não enrola. Não floreia. Quando o bagulho é tenso, ele fala com o peso que a parada merece. — Irmão… eu te menti não. O bagulho foi doideira. Difícil pra c*****o de negociar com os cara lá. Tentaram me passar a perna, meteram uns papos torto, deu rolo. Igual te falei. Mas no fim, eu consegui desenrolar. As paradas vão chegar aí na madrugada, por isso vim logo. Quero tá aqui quando chegar. E tá tudo da melhor qualidade, como eu negociei. Mas se não vier do jeito certo… nós vamos fazer esse bagulho virar inferno. Assenti com a cabeça. Ele sabia o peso do que carregava. Quando eu boto ele de frente, é porque é coisa séria. E ele entrega. Sempre entrega. — E aí, qual é a boa ? — ele perguntou, dando aquele tapa leve no meu ombro. Traguei o resto da tensão no peito e respondi direto: — Bora lá no Bar do seu Zé tomar uma. Esfriar a cabeça. Subi pra garagem, peguei a moto. Os seguranças já abriram o portão no sinal do olhar. A gente desceu junto, rasgando o asfalto com o barulho da moto ecoando nas vielas. Chegamos no bar do seu Zé, nosso point antigo. Já conhecido, já carimbado. As p*****a já tava toda espalhada pelas mesas, rindo, bebendo, se exibindo. As duas que eu comi na madrugada estavam lá também, de olho em mim desde que entrei. m*l sentei e já tavam quase caindo em cima da mesa. — Qual foi? Essas daí tão querendo cair aqui no colo, patrão. Vou passar o cerol — Bin falou rindo, ajeitando a corrente no pescoço. Seu Zé, já experiente, já trouxe duas geladas, servindo sem nem precisar chamar. — Comi as duas ontem à noite — comentei casual, pegando a cerveja e encostando no banco. Ele virou a cabeça devagar, me encarando com cara de quem levou tapa na cara. — Que?! Como assim, mano? Soltei o ar pela boca, encarando o movimento ao redor com olhar fixo. — Michele inventou de viajar de novo, né. Só que pra mim já deu, Bin. De verdade. Acabou esse bagulho. Não quero mais não, tá ligado? Eu tentei, irmão. Tu viu. Tu acompanhou tudo. Eu me dediquei pra ser pai de família, pra ser homem de casa. Me apaixonei por ela, investi. Fiz o possível e o impossível. Me segurei. Mudei. Parei de colar nos bailes, só ia se fosse com ela. Se ela não fosse, eu nem descia. Quando ia negociar não demorava. Me dedicava à casa, à Isa, abri mão de muita coisa. Quanta mulher tu me vê negar por dia que vai na boca desesperada em sentar pra mim pô. Bin balançava a cabeça devagar, sem dizer nada. Ele sabia. Todo mundo sabia. — E ela agora vem com essa p***a de toda semana tá em algum canto com as amigas, postando foto, sumindo, gastando. Cansei, compadre. Cansei de ser o****o. Se ela quer viver a vida dela, vai viver. Mas vai correr atrás dos bagulho dela, porque de mim… não vai ter mais nada. Eu já tirei o dinheiro dela todo. Nem um centavo. E até agora, nem uma ligação. Então quem tá bancando? A pergunta pairou no ar. Bin me olhava sério agora, a mão segurando o copo pela metade, sem dar risada nenhuma. — E se eu descobrir que tem outro, irmão… se eu descobrir que me traiu… tu sabe, né? Tu sabe que não tem desenrolo. Eu mato ela. Eu que levantei ela po. E pra quê? Pra ela me meter uma rasteira? Não. Não mesmo. Ele assentiu com os olhos baixos. Sabia da minha história. Sabia o quanto eu tinha erguido por amor. E sabia também o que eu era capaz de fazer por orgulho. Enquanto falava, uma das minas veio até mim, sem cerimônia. Uma pretinha magrinha, bonita, simpática. Não tinha metade do brilho daquela preta rara que tava lá em casa… mas tinha o que eu precisava naquele momento: b****a. Ela sentou no meu colo, já passando o braço pelo meu pescoço. Bin olhou rindo, com uma sobrancelha levantada. — Tu tá mesmo nessa, compadre? — Tô. No momento, isso aí tem o que importa. b****a. É só o que eu tô procurando agora. Ele caiu na risada, mas o olhar ainda carregava preocupação. — Tu tá falando sério mesmo, né? Pô, nem acredito que isso tudo acabou, mano. Sei nem o que te falar po, não esperava ouvir isso nunca tá ligado.— ele fala e eu dou de ombros e bebo minha cerveja — Acabou, irmão. A única que continua tendo tudo de mim é a Isa. Essa sim. Eu nunca vou falhar com ela. Mas a mãe… acabou. E ali, no meio do bar, com o Bin absorvendo a situação toda que contei pra ele. A pretinha se esfregando em mim, e o som tocando alto lá fora, tudo o que eu conseguia pensar… era naquela mulher deitada na minha espreguiçadeira mais cedo. Na forma como ela levantava do mergulho. No olhar que não ousava cruzar com o meu, mas que gritava desejo a cada movimento do corpo. Michele me perdeu. E ela… Ela me ganhou sem nem saber. Passei o dia com o Bin, trocando ideia sobre tudo que rolou na missão. Ele me contou os detalhes, os perrengues, os vacilos dos caras lá de fora, e eu fui absorvendo tudo com atenção. Meu parceiro é firme. Quando ele fala, eu escuto. Respeito. A gente bebeu, riu, desabafou, e o tempo foi passando. E a mina que tava no meu colo? Bonitinha, magrinha, cheia de graça. Do tipo que sabe como agradar e não pergunta p***a nenhuma. Perfeita pro que eu queria naquele momento. Saí com ela, fui pra casinha do abate. Só queria fuder, aliviar o saco, só isso, não quero mais compromisso com p***a nenhuma e com ninguém, queria apenas o que ela tinha a oferecer no meio das pernas. Era sexo por raiva, por distração, por sobrevivência. E mesmo assim… mesmo com ela gemendo alto, me puxando, querendo mais… a p***a do meu pensamento tava nela. Na preta. Na Diana. Quando deu final de tarde, deixei a mina dormindo toda arrebentada na cama da casinha e fui pra casa. O sol já tava se escondendo e o morro começava a mudar o tom. Entrei na minha casa e senti o silêncio denso me envolver. Subi com passos calmos, mas atentos. Quando passei pela porta do quarto da Isa, abri devagar, só pra conferir. As duas tavam jogadas na cama, dormindo. A luz amarela do abajur acesa, o ar gelando, e as pernas delas cruzadas. E eu só consegui reparar nela. Naquela preta gostosa. Deitada de lado, com o shortinho enfiado, metade da b***a de fora. O pano marcando cada curva, cada dobra da pele morena e brilhante. A camiseta presa, levantando um pouco, revelando o desenho da cintura, o cós da calcinha aparecendo de leve. Meu p*u respondeu na hora. Duro, latejando, vivo. Fechei a porta sem fazer barulho, saí dali como um moleque que acabou de roubar doce. Desci chavadinho pro meu quarto, entrei no banheiro e tomei um banho frio. Mas nem a água gelada deu jeito. Tive que me aliviar. Encostei na parede do banheiro, a mão já no p*u, e fechei os olhos. Tudo o que eu via era ela. A marquinha dela. O biquíni colado. O jeito como deitou de b***a pra cima mais cedo. O modo como me ignorava, sabendo que me deixava maluco. Gozei com força. Ofegante, com a cabeça girando, e um peso no peito que não passava. Me vesti, tentei esquecer, e foi quando o Bin mandou a mensagem chamando pro pagode lá na praça. Me arrumei rápido, camisa leve, bermuda, corrente no pescoço e a Glock onde sempre está. Quando saí do quarto, ouvi a voz da Diana discutindo com a Isa no quarto. Não entendi o motivo, mas a risada abafada depois deixou claro que era briguinha de amiga. Não marquei dali não. Desci, peguei minha moto e fui direto pra praça. O pagode tava fervendo. Som batendo alto, fumaça subindo, cerveja escorrendo dos copos e as p*****a, já sambando como se o mundo fosse acabar ali. As mesmas piranhas de sempre, e algumas novas, se rebolando na intenção de chamar minha atenção. Eu já sabia. A fofoca de que o Grego tava solteiro já tinha corrido solta. Agora é festa. Fui direto pro meu canto, aquele barzinho de costume, onde eu sento, fico na visão, com meus seguranças em volta. Bin já tava lá, bebendo, trocando ideia com os cria. Me viu e levantou o copo. Fiz sinal com a cabeça, sentei, e fiquei observando a movimentação. O pagode estava bom. Música rolando, alegria espalhada… mas nada me empolgava. Até que a moto da Isa encostou. Minha cara já fechou na hora junto com o meu sangue que começou a ferver. As duas desceram. Salto alto, vestidinho curto. A Isa sempre teve esse estilo, mas a Diana… c*****o. O vestido colava no corpo dela como se tivesse sido pintado. Os p****s saltavam pela gola em V, as coxas marcavam cada passo, e o quadril… aquele quadril parecia desafiar a gravidade. Ela desceu sorrindo, mas sem olhar pra mim. Ela sabia. Sabia que eu tava vendo. Sabia que eu tava ali. E mesmo assim, fez questão de mostrar. Isa me viu e veio na minha direção, como sempre. Ela sempre me cumprimenta, sempre fala comigo. Mas eu… eu só conseguia ver a amiga dela. Aquela mulher vai me deixar louco. Esse pagode não vai acabar bem.
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