Bin narrando Quando eu subi pra casa, minha cabeça tava a milhão. O dia inteiro tinha sido uma p***a de um redemoinho que não parava de girar. A Michele… mano, eu não sei nem por onde começar. O que ela fez, do jeito que ela fez, tudo aquilo, só deixava claro que a sujeira tava vindo à tona. De todos os lados. De todos os jeitos. E não tem como segurar. Uma hora estoura. E estoura no meio da nossa cara. Entrei em casa, larguei tudo. Fui pro banho, tentando lavar não só o corpo, mas a mente. A alma. E quando saí, ainda molhado, acendi um baseado, puxei o banco pra varanda e fiquei ali, fumando, encarando o morro, vendo a madrugada descer em silêncio sobre os barracos. A favela nunca dorme. Mas naquela hora, parecia mais devagar. Mais pesada. Como se ela própria tivesse sentido o impacto

