Camilla
Ando devagar para encontrar a Malu na praça, de lá iremos a uma concessionária da cidade, estou mega ansiosa, nunca fiz uma entrevista antes, não tenho experiência em nada e falo tanta besteira quando estou nervosa, d***a! Quero muito esse trabalho, graças a Malu não precisei entregar currículos pela cidade, mas se não der certo nesse, eu não vou desistir.. Faço uma promessa mental de apenas responder o que me perguntarem e não perder a oportunidade de ficar calada.
Estou adiantada alguns minutos mas não conseguia ficar em casa esperando o tempo passar, me sento no mesmo banco de ontem e fico jogando no celular, depois de não conseguir mais passar de uma fase chata de chocolates, desisto e guardo o celular.. Não demora muito para ver a Malu se aproximando..
- Oi Gata! Pronta para entrevista? - Ela pergunta sorrindo..
- Na verdade não.. - Falo nervosa.
- Não se preocupa, vai dar tudo certo, o salário deve ser bom e.. - Ela começa a tagarelar e fico feliz com isso pois sabia que ela conseguiria me acalmar assim.
Sorrio e acompanho ela na conversa descontraída enquanto caminhamos..
Não demora muito a chegarmos em uma loja enorme, alguns carros estão do lado de fora, as paredes são brancas e o lugar é bastante sofisticado, vários carros preenchem o local, dos modelos mais antigos aos mais novos..
- Me espera aqui. - Ela fala parando em frente a um sofá de couro preto.- Vou ver aonde será melhor pra entrevista. - Ela sorri amigavelmente.
Me sento e sem perceber já estou roendo a unha do dedo mindinho..
Escuto passos descendo da escada e paraliso ao ver quem está descendo sorridente ao lado de Malu.
A luz do dia ele parece ainda mais lindo, o que o homem assustador de ontem estaria fazendo aqui meu Deus?
- Camilla! Bom te ver novamente. - Ele sorri de canto me estendendo a mão.
Meu coração parece querer sair do peito, e minha respiração está irregular.
Me levanto e aperto sua mão. - Oi. - Falo simplesmente para minha voz não falhar.
- Vocês se conhecem? - A Malu pergunta enquanto desvio do olhar misterioso dele fixo em mim.
- Nos conhecemos ontem. - Seu sorriso se desmancha, e seu rosto agora está frio, sem expressão. - O Carlos me pediu que a entrevistasse, pois está bastante ocupado hoje.. - Ele fala com seu leve sotaque me olhando nos olhos, e eu fico meio confusa.
- O Filipe é dono da concessionária e o Carlos é o contador Milla. - A Malu explica percebendo minha confusão, meu nervosismo aumenta, se antes era pela entrevista, agora é o dobro por ser com ele.
- Vamos nos sentar aqui na lanchonete ao lado, ficaremos mais a v*****e. - Ele fala enquanto sinto minhas pernas tremerem.
- Boa sorte Mila! Até mais tarde! -
Me despeço da Malu e sigo ele até a lanchonete.
Ele escolhe uma mesa pequena de madeira, me sento em sua frente enquanto ela chama a garçonete.
- Posso te oferecer alguma coisa? - ele pergunta.
Percebo então minha garganta seca. - Um suco.. De maracujá por favor. - Peço a garçonete que está olhando para ele enquanto me ignora.
Ele sorri pra mim e pede o mesmo sem olha-la.
- Nervosa? - Ele pergunta me olhando daquele jeito, percebo que seu sotaque não está presente em toda palavra que tenha "r", e é bem pouco perceptivo, não é como se ele fosse um caipira, é suave e é muito charmoso, talvez seja de sua cidade natal e esteja esquecido..
- Sim. - Falo simplesmente.
- Você não precisa ficar.. na verdade isso nem é mais uma entrevista. - Ele fala fazendo um gesto com a mão.- Vou te explicar o funcionamento do escritório, o salário e outras coisas a mais, e você me diz se quer o trabalho. - Ele sorri daquele jeito desconcertante.
- Mas porque? - pergunto incerta, tem algo fácil demais aqui.
- Estou precisando de alguém com urgência, você precisa de um trabalho, e o Carlos ficaria muito feliz com uma auxiliar. - Ele fala parecendo óbvio.
Sorrio simpática a ele, enquanto a garçonete com cara m*l humorada nos serve.
- O horário é de 8:30 as 16. - Ele começa a falar enquanto dou um belo gole em meu suco, percebo que é da fruta e está bem gelado, coloco de volta a mesa vendo o quanto estava com sede, o suco é uma delícia.
- Você fará basicamente o serviço de secretária, atender telefonemas, fazer café, manter o escritório organizado e auxiliar o Carlos no que for preciso, é tudo bem simples..- Já falei pra vocês que o sorriso dele é desconcertante? Tento me concentrar em suas palavras enquanto remexo com o guardanapo entre as mãos, mas parece uma tarefa difícil.
- E então? - Ele pergunta me tirando de meus devaneios.
- Oh, é.. Tenho dezoito. - Falo nervosa, foi isso mesmo que ele perguntou?
- Bom saber!- ele sorri mais uma vez, Jesus alguém avisa a esse homem o efeito que ele causa sendo tão sorridente assim.- Mas, perguntei se te interessa o trabalho? - Oh d***a, eu sabia que passaria vergonha, mas espera, o que foi esse "bom saber"?
- Com certeza! - Falo alegre.
- Você começa na segunda então! - Ele sorri e aperta minha mão de leve. - Desculpa a pergunta mas, quando você faz dezenove? - ele pergunta com a mão ainda levemente apoiada encima da minha.
- hã, é.. Em janeiro.- Falo desconcertada com seu toque, o que é esse bando de reações estranhas em mim? Ele só quer saber isso por que é meu novo chefe, não é?
Termino meu suco com ele me olhando de um jeito estranho..
Ele se aproxima apertando minha mão, e sua boca abre como se para falar alguma coisa, mas derrepente seu telefone toca e ele solta minha mão relutante, sinto seu corpo ficar tenso ao olhar pra tela do celular.
- hmm, eu vou até o banheiro. - Me levanto e saio deixando ele a v*****e, derrepente me vem um pensamento na cabeça, será que ele é casado? Bom, não vi aliança em seu dedo, mas isso não significa nada, e porque estou pensando nisso mesmo? Ah por favor Camilla! Faço uma careta a mim mesma, é claro que um homem lindo e misterioso desse não daria bola pra mim, ele é mais velho e experiente, pelo jeito que a garçonete olhou pra ele, chama atenção por onde passa, e deve ter a mulher que quiser, resumindo, areia demais pro meu caminhaõzinho..
Saio do banheiro e peço a conta para a garçonete que me olha irritantemente de cima a baixo, pago os sucos e vou em direção a parte de fora, vejo o Filipe alterado falando no telefone, e paro decidindo se me aproximo ou não, tenho medo de incomodar, ele é tão misterioso, provavelmente minha expressão não está muito boa, pois ele ao me ver desliga o celular, e vem até mim..
- Problemas? - Pergunto tentando parecer indiferente..
- Hmm, sempre tem né! - Ele fala sorrindo sem jeito..- Vou pagar a conta e te acompanho até a loja.
Abro a boca pra explicar mas ele sai sem me deixar dizer que já havia pago, e volta em seguida me olhando bravo. - Porque você pagou a conta garota? - Ele pergunta com uma mão na cintura.
- hã, não.. sei, você estava ocupado, e não foi nada, não se preocupe. - Falo caminhando de volta.
- Não precisava ter pagado Camilla. - Ele fala me acompanhando. - Almoça comigo amanhã? Me sentirei melhor se devolver a gentileza.. - Ele para abruptamente em minha frente, ficando bem próximo, arregalo os olhos em surpresa e sinto meu rosto esquentar, ele percebe e então se afasta.
Amanhã é sábado, meu pai trabalha até o meio dia, que desculpa eu daria a ele, porque motivo eu estaria almoçando com nosso chefe?
- hã, não é preciso, obrigada. - Falo voltando a andar e ele me acompanha novamente.
- A gente pode marcar outra coisa, posso te apresentar a cidade.. - Ele me interrompe enquanto me olha parecendo ansioso.
Adoraria muito conhecer a cidade ao lado de alguém como ele, Malu que me desculpe..
- Você deve ser muito ocupado, não quero tomar seu tempo com isso, não precisa se preocupar. - Sorrio amigável.
- Na verdade eu moro aqui a bastante tempo e não conheço vários lugares, vc já deve ter ouvido falar das cachoeiras e grutas.. A Malu vive dizendo que trabalho demais, podemos marcar com uma galera de irmos, assim não fica.. estranho..- Ele fala novamente caminhando ao meu lado.
Eu posso estar imaginando coisas, porque sei que faço isso diariamente, mas não estaria ele insistindo de mais? E isso realmente seria só porque paguei dois sucos? Balanço a cabeça como se para expulsar esses pensamentos estranhos de minha mente.
- Tudo bem. - Falo receosa.
Meu coração dispara ao ver um sorriso lindo formando em seus lábios.
- Vou combinar com a Malu então.- Ele fala e voltamos a andar chegando até a loja.
- Acho que a parte mais difícil do seu trabalho vai ser aguentar o humor do Carlos. - Ele fala com um sorriso travesso no rosto.
- Ele é tão r**m assim? - pergunto curiosa.
- Acho que ele pega leve com moças bonitas.- Ele pisca um olho pra mim, e da aquele sorriso desconcertante.
Mesmo se soubesse o que falar nesse momento, não falaria, pois estragaria o momento, o homem que parece ter roubado pra ele toda beleza do mundo está aqui, me. Elogiando. Tem idéia?
- Estou indo pra oficina, quer uma carona? - Ele me pergunta.
Seria abusar demais né? Preciso evitar esse sorriso, esse olhar, já falei do quanto ele é cheiroso?
- hã.. Não, obrigada, tenho.. umas coisas pra fazer.. - Sorrio falhando em tentar causar o mesmo efeito que ele.
- Ok, Até mais Camilla.
Me pegando de surpresa ele passa as mãos pela minha cintura e me abraça, completamente desajeitada e sem saber o que fazer, apoio uma mão em sua nuca e outra em suas costas, presto atenção no aperto forte de seus braços enquanto sinto seus lábios quentes em minha bochecha e sua barba passa em meu rosto, me fazendo arrepiar.
Cedo de mais ele se afasta sorrindo provavelmente do rubor em meu rosto.
Ando pra casa passando e repassando a tarde de hoje em minha mente.. Não tenho muita experiência com homens, apesar de não ser mais virgem, mas as sensações que senti com ele me abraçando, não foi nada normal, o que eu tô pensando? Ele é meu chefe, não sei bem sua idade, mas sei que é bem mais velho e experiente, e além de tudo é muito misterioso, ao mesmo tempo que me desperta sensações novas, sinto medo dele em alguns momentos, é como se algo me dissesse para ficar longe.. Preciso me por no meu lugar, ele já é um homem feito, e mesmo que me elogie como nenhum outro homem tenha feito antes, é só isso..