Ayla narrando Eu ainda sentia o cheiro de pólvora presa no meu cabelo. Mesmo já descendo o morro, mesmo com meus pés tropeçando no chão esburacado, mesmo com o policial desacordado sendo carregado por dois rapazes do posto… parecia que o tiroteio ainda ecoava dentro de mim. Meu corpo tremia inteiro. Mas minhas mãos… Minhas mãos estavam firmes. Sempre ficaram. Eu segurava o curativo improvisado contra o peito aberto do policial, sentindo o sangue quente escorrer pelos meus dedos. Eu deveria estar acostumada, eu via gente ferida todo dia no postinho, mas aquilo era diferente. Porque o tiro tinha sido dado a um metro de mim. Porque eu tinha visto Pantera entrar no meio dos disparos como se fosse feito de aço. Porque eu quase morri. E, ainda assim… Eu não conseguia odiá-lo. Eu queria. De

