Ayla narrando A semana foi de uma normalidade abençoada. Lucas estava se adaptando à rotina, o quarto azul já tinha arranhões no rodapé e um poster de um jogador de futebol colado com fita nas quatro pontas. A paz era um músculo que estávamos aprendendo a exercitar. Na sexta-feira, Pantera me chamou no celular, e eu estava no trabalho. — Passa na Dona Marta depois do trabalho e busca o Lucas. Ele vai jantar e dormir lá hoje. O coração deu um salto. — Tá tudo bem? — Tá tudo planejado. Tenho uns negócios pra resolver contigo hoje à noite. Em casa. A voz dele era neutra, mas tinha um fio de algo por baixo. Algo que me fez um calor subir pela nuca. Negócios. No vocabulário dele, podia ser uma reunião de tráfego ou… outra coisa. Deixei Lucas, animadíssimo, com Dona Marta, que já tinha

