Quando o desespero entra pela porta

978 Words

Ayla narrando O posto ainda cheirava a café velho e álcool quando eu cheguei. Era cedo, mas o morro nunca dorme de verdade. Sempre tem alguém precisando de ajuda, de remédio, de um curativo… ou só de ser ouvido. Eu tava organizando os prontuários, tentando não pensar no jeito estranho que acordei. No medo sem nome grudado no peito. No olhar atento demais do Pantera, como se ele sentisse que alguma coisa tava fora do lugar. Respirei fundo. Trabalhar sempre foi meu jeito de me manter de pé. Mari tava na outra sala, rindo baixo com um paciente conhecido. Tudo parecia normal demais. Até que a porta se abriu com força. A mulher entrou quase caindo. — PELO AMOR DE DEUS! — ela gritou, a voz rasgando o silêncio do posto. Eu larguei tudo na hora. Ela era magra, cabelo preso de qualquer jeit

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