Ayla narrando A mão do Lucas estava pequena e suada dentro da minha. De vez em quando, ele apertava os dedos, como se quisesse ter certeza de que eu ainda estava ali. Do outro lado, o Pantera caminhava com aquela postura que era ao mesmo tempo descontraída e alerta, como um felino em território conhecido, mas nunca seguro. Ele carregava uma leveza nova nos ombros, algo que eu notava apenas porque conheço cada um dos seus silêncios. Descer o morro com eles foi como atravessar um mar que se abre. As portas que se entreabriam para vigiar fecharam-se com mais suavidade. Os olhares que encontramos não eram de medo ou curiosidade mórbida. Eram… reconhecimento. Um senhor, sentado numa cadeira de plástico, acenou com a cabeça. — Tá bonita a família, Pantera. Pantera apenas retribuiu o aceno, u

