Kássia O silêncio dentro da cozinha ficou pesado no segundo em que o China apareceu na escada. Parecia que até o ar tinha ficado mais frio. Ele desceu devagar com aquele olhar escuro que eu conhecia tão bem e que durante anos aprendi a temer. A camisa preta estava marcada de sangue seco, as mãos arranhadas e a expressão carregada de um ódio tão grande que chegava a assustar. Karine ficou imóvel perto da bancada observando ele atentamente enquanto eu sentia meu coração disparar dentro do peito. Porque eu sabia. Sabia que quanto mais perto o China chegava da verdade mais perigoso ele ficava. Ele entrou na cozinha sem falar nada de imediato. Pegou uma garrafa de água e bebeu quase metade de uma vez só enquanto os olhos dele percorriam lentamente cada canto do ambiente. Parecia cansado ma

