Entrei em casa devagar, tirei o fuzil, deixei encostado no canto, tirei o tênis sem fazer barulho e fui pro quarto. A Samira e a Ceci já estavam dormindo. Entrei devagar, deitei do lado delas e fiquei olhando pro teto. O corpo doía, a cabeça estava pesada, mas a mente ainda estava ligada, pensando em tudo que ainda tinha que fazer: ver as famílias dos que morreram, arrumar os pontos destruídos, reforçar segurança, reorganizar escala, munição, informante. A guerra tinha acabado naquele dia mas a vida no morro… A guerra nunca acaba de verdade. O dia seguinte chegou sem pedir licença. O sol ainda nem tinha aparecido direito quando eu abri os olhos. O corpo estava pesado, como se eu não tivesse dormido nada, e na real não tinha mesmo. Minha mente ficou ligada a noite inteira, mesmo deitado

