continuação... Leandra — Filha… eu só espero que um dia você possa me perdoar. Eu falei baixo, quase num sussurro, mais pra mim mesma do que pra qualquer outra pessoa. A porta já estava fechada, o som dos passos dela já tinha se perdido lá fora, mas a presença dela ainda estava ali, espalhada pela casa, misturada com o cheiro da comida, com o silêncio que ficou depois de tanta verdade jogada na mesa. Eu encostei na parede devagar, sentindo o corpo pesar como se tudo que eu tinha segurado por anos tivesse sido arrancado de uma vez só. Minha cabeça estava cheia, meu peito apertado, e pela primeira vez em muito tempo eu não senti vontade de fugir disso. Eu só fiquei ali, parada, olhando pro nada, lembrando do rosto dela, do olhar dela, da forma como ela me ouviu mesmo depois de tudo que e

