— Fala. Ela insistiu. — Eu quero saber. Eu respirei fundo. — Seu pai morreu em confronto. Falei devagar. — Ele era vapor de morro. Ela ficou me olhando, esperando mais. — Fala o nome dele. A voz saiu firme sem espaço pra fuga.Eu fechei os olhos por um segundo. — Cléber. Abri os olhos de novo. — Ou Dendê. Completei. — Era como ele era chamado. O impacto veio na hora. Ela ficou imóvel por alguns segundos, como se estivesse tentando encaixar aquilo dentro dela, como se estivesse procurando algum sentido naquela história que não combinava com nada do que ela acreditou a vida inteira. — Um vapor? A voz saiu baixa. — Você tá me dizendo que meu pai era um vapor? Eu não respondi. Porque não tinha o que dizer que melhorasse aquilo. — Enquanto eu cresci achando que era filha do

