Capítulo 102-2

898 Words

— Não foi assim — tentei argumentar. — Foi exatamente assim — ela cortou — e agora você perdeu tudo mesmo assim. A frase ficou no ar pesada, impossível de ignorar. Ela respirou fundo tentando se recompor. — Ele morreu como? — perguntou de repente — esse tal de Cléber… ou Dendê. — Em confronto com a polícia — respondi — foi rápido. Ela assentiu devagar absorvendo mais aquela informação. — E você nunca achou que eu tinha o direito de saber? — Eu achei que você tinha o direito de viver melhor — retruquei. Ela balançou a cabeça. — Melhor não é viver na mentira. Fiquei em silêncio porque no fundo eu sabia disso, mas já era tarde demais pra corrigir. Ela passou a mão no rosto, respirou fundo mais uma vez e então me olhou com uma expressão diferente, menos explosiva, mais definida. —

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