Fez uma pausa curta. — Não dá pra apagar o que aconteceu… mas também não dá pra fingir que não existe mais nada. Aquilo fez sentido. Porque eu via. Via no olhar dela. Via no jeito que ela falava dele. Ainda tinha coisa ali. — Ele tá se esforçando — ela continuou — e isso… já é mais do que eu tive por muito tempo. Eu encostei na bancada, olhando pra ela. — A senhora gosta dele ainda, né? Ela não respondeu na hora. Mas também não negou. Só deu um meio sorriso triste. — Tem sentimento que não morre — disse baixo — só fica guardado. O silêncio voltou. Mas dessa vez… foi tranquilo. E ali, no meio de uma cozinha simples, de uma lasanha sendo feita, de uma conversa sincera eu percebi. A gente não estava só tentando seguir em frente. A gente estava reconstruindo. Do nosso jeito.

