Ficamos em silêncio por alguns minutos, mas era um silêncio bom, confortável, onde não precisava preencher com palavras, e eu fiquei observando ele de canto, o jeito sério, o perfil marcado, e por um momento pensei em tudo que a gente já tinha passado até chegar ali. — Renan… — chamei baixo. — Fala. Eu demorei um segundo antes de continuar. — Você também tá ansioso? Ele soltou um ar pelo nariz, quase um riso discreto. — Tô. Aquilo me fez sorrir. — Achei que só era eu. — Não — respondeu — eu só disfarço melhor. Eu ri baixo. O carro continuou cortando a estrada, o movimento ainda pequeno por conta do horário, o vento entrando de leve pela janela entreaberta, e aos poucos o sol começou a aparecer de verdade, iluminando tudo ao redor, deixando o caminho mais claro. Eu estiquei a mã

